A FORÇA DO QUERER

Crítica: Ofuscada por Bibi Perigosa, Ritinha acaba como coadjuvante

Reprodução/TV Globo

Ritinha (Isis Valverde) nada em aquário de Las Vegas em desfecho de A Força do Querer - Reprodução/TV Globo

Ritinha (Isis Valverde) nada em aquário de Las Vegas em desfecho de A Força do Querer

MÁRCIA PEREIRA e LUCIANO GUARALDO - Publicado em 20/10/2017, às 23h32

Eixo condutor da trama principal de A Força do Querer, Ritinha terminou a novela das nove como coadjuvante da própria teia que teceu ao longo de 172 capítulos. Ofuscada por Bibi Perigosa (Juliana Paes), a "sereia" não teve um fim tradicional de mocinha, com direito a casamento, filhos e família feliz; egocêntrica, tanto fez que virou uma estrela internacional em um aquário nos Estados Unidos.

O desfecho de Ritinha é um bom resumo da trajetória da personagem de Isis na novela: amando a si mesma mais do que a qualquer outra coisa, irresponsável e imatura, ela não conseguiu mostrar o que era o sereismo (foi criticada até pela "sereia" que serviu de inspiração para a novela).

A Força do Querer também falhou no desenvolvimento de sua antagonista. Irene (Débora Falabella), que deveria carregar as maldades nas costas, nunca explicou exatamente quais eram suas motivações para ficar com Eugênio. Seria um golpe do baú que acabou se transformando em paixão doentia? As respostas caíram no poço do elevador junto com a arquiteta, que acabou sendo mais um tormento para Joyce (Maria Fernanda Cândido) do que uma vilã propriamente.

Mas os dois deslizes não tiram o mérito de Gloria Perez: duramente criticada por Salve Jorge (2012), a autora deu a volta por cima e levantou a audiência da Globo para indíces que não eram registrados desde Avenida Brasil (2012).

Não por acaso, Gloria foi homenageada na quinta-feira (19) em um coquetel realizado nos Estúdios Globo com a presença do diretor-geral da emisssora, Carlos Henrique Schroder, e do diretor de teledramaturgia diária, Silvio de Abreu. Lá, foi aclamada pelos colegas.

Na comemoração, a autora foi assediada pelas estrelas da novela, mas fez questão de agradecer pelo sucesso a todos os envolvidos. Sem dúvida, um momento bem distante do vivido por ela cinco anos atrás, com Salve Jorge.

A novela sobre o tráfico de mulheres para Turquia não decolou na audiência, não emplacou a mocinha de Nanda Costa e ainda virou motivo de piada por problemas de continuidade, igrejas abertas durante a madrugada e sinal de internet dentro de uma caverna turca. Salve Jorge teve média de 34 pontos no Ibope, quando a meta da Globo para o horário nobre era de 40 pontos.

Depois, Gloria fez sucesso com a série Dupla Identidade, em 2014. Chegou-se a cogitar que ela não faria mais novelas, mas a autora começou a trabalhar em A Força do Querer. A história de Bibi Perigosa, que seria abordada em uma minissérie, entrou na trama. Fabiana Escobar mantém contato com a novelista desde 2013. 

Mas Gloria resolveu que tinha de ter um leque grande para trabalhar em A Força do Querer: sereismo, transexualidade, cosplay, policial feminina, MMA, plus size, vício em carteado e pôquer. Foi daí que nasceu a ideia de "rodar" o protagonismo conforme a história ia sendo contada.

Oficialmente, as mocinhas eram Bibi, Jeiza (Paolla Oliveira) e Ritinha, mas quase todo o elenco teve momentos para brilhar. Em especial as mulheres, todas de personalidade forte _já que os homens, como Ruy (Fiuk) e Zeca (Marco Pigossi), pareciam estar na trama apenas para serem feitos de idiotas.

Aliás, os homens de A Força do Querer pecaram pela burrice. Todos foram enganados pelas mulheres em suas vidas. Eurico (Humberto Martins), Eugênio (Dan Stulbach), Caio (Rodrigo Lombardi), Abel (Tonico Pereira)... Até Rubinho (Emilio Dantas) só descobriu o chifre que levou de Bibi na reta final da novela.

Em uma novela tão feminista, parece sintomático que o homem com melhor desenvolvimento ao longo da trama tenha sido justamente Ivan (Carol Duarte), que iniciou a trama como Ivana.

Gloria Perez não tentou reinventar a roda com A Força do Querer: apostou na fórmula tradicional do folhetim, com muitos triângulos amorosos, mocinhos, bandidos e bons ganchos para o capítulo seguinte. Prendeu o público e mostrou que, para fazer sucesso, não é necessário revolucionar; basta contar bem uma história.


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