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É PROIBIDO PROIBIR

Aliada de Bolsonaro, Record debocha de hino contra a Ditadura Militar em Gênesis

REPRODUÇÃO/RECORD

O ator Leonardo Medeiros caracterizado como Zeno em cena de Gênesis

Zeno (Leonardo Medeiros) brada slogan contra regime militar em Gênesis; cena foi criticada nas redes sociais

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 27/1/2021 - 13h02

Um dos principais slogans contra a Ditadura Militar (1964-1985) virou coisa do diabo no capítulo de terça (26) em Gênesis. Sob a influência de Lúcifer (Igor Rickli), Zeno (Leonardo Medeiros) usou a máxima "é proibido proibir" completamente fora de contexto para justificar o comportamento libidinoso e amoral dos moradores de Enoque --um aceno da Record ao desprezo pela democracia do presidente Jair Bolsonaro.

Depois de expulsar Noé (Oscar Magrini) de sua cidade, o vilão levou Cam (Vinícius Redd) até a "rua vermelha" para que o genro se divertisse com álcool e prostitutas. Ele inflamou a população a desafiar Deus e se entregar aos prazeres terrenos antes de deturpar o hino contra o regime militar --de símbolo de liberdade para sinônimo de depravação.

O verso foi retirado da composição homônima que Caetano Veloso e Os Mutantes apresentaram durante o terceiro FIC (Festival Internacional da Canção) em 1968, promovido pela Globo. Os artistas desafiaram a censura e o moralismo do regime militar e foram vaiados e até mesmo alvejados por tomates lançados pela plateia.

A música, então, tornou-se um símbolo da luta pela democracia e pela liberdade de expressão em um momento em que o presidente Artur da Costa e Silva (1899-1969) cerceava cada vez mais o direito dos brasileiros. Com o AI-5 (Ato Institucional número 5) em dezembro do mesmo ano, houve o fechamento do Congresso Nacional, toques de recolher e suspensão do habeas corpus.

O texto de Camilo Pellegrini, Stephanie Ribeiro e Raphaela Castro parece esquecer que os "anos de chumbo" também instauraram uma verdadeira caça às bruxas, que atingiu todo o meio artístico e, principalmente, autores de novelas como Dias Gomes (1922-1999) e Janete Clair (1925-1983).

Apesar do apelo bíblico, a própria Gênesis seria um alvo fácil dos censores, não só pelas cenas de nudez na primeira fase, que soam inocentes aos olhos do telespectador atual, mas que cairiam em desgraça no falso moralismo da Ditadura Militar. As discussões sobre machismo e feminismo de Jardim do Éden também seriam um prato cheio para a censura.

Uma das principais aliadas de Bolsonaro, e que minimizaos números da pandemia de coronavírus (Covid-19) em durante seus telejornais, a Record parece desfrutar do espírito pouco democrata do político. Justamente ele que já questionou sem provas uma eleição que ganhou e teceu loas a torturadores que enfiaram ratos na vagina de mulheres.

O erro da emissora, no entanto, passará em brancas nuvens em um país que se nega a abrir a caixa-preta da Ditadura Militar. Uma sequência igual causaria horror e nojo em vizinhos como a Argentina ou o Chile. Por lá, seria impensável fazer troça da música Chile, La Alegria Ya Viene, que determinou o fim do governo de Augusto Pinochet (1915-2006).

Confira a repercussão da sequência nas redes sociais:


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