Compliance

Por que a CNN esnobou a Record e a RedeTV! e recusou parceria no Brasil?

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Eduardo Bolsonaro, Douglas Tavolaro, Jair Bolsonaro e Rubens Menin em encontro realizado em 18 de janeiro - Reprodução/Twitter

Eduardo Bolsonaro, Douglas Tavolaro, Jair Bolsonaro e Rubens Menin em encontro realizado em 18 de janeiro

DANIEL CASTRO - Publicado em 06/03/2019, às 06h53

O anúncio do lançamento até o final do ano de uma CNN brasileira trouxe à tona um questionamento pertinente: por que a rede de notícias rejeitou tentativas anteriores de parceria da Record e da RedeTV! e decidiu, finalmente, confiar sua marca no jornalista Douglas Tavolaro, biógrafo de Edir Macedo, e no construtor de casas populares Rubens Menin?

Boa parte das respostas estão no programa de compliance da Turner, programadora do grupo Time Warner, adquirido recentemente pela gigante AT&T por US$ 85,4 bilhões.

Compliance é uma nova área nas grandes empresas que visa proteger a imagem dela perante o público e o mercado por meio da adoção de normas de conduta para seus profissionais e de padrões para os processos produtivos. Abrange de práticas que visam impedir a corrupção ao comportamento de seus funcionários.

A Record tem um "namoro" com a CNN há mais de uma década, desde antes do lançamento da Record News. Mas foi só em 2015 que conversou com o grupo americano para comprar o direito de usar a marca e todo o know-how do canal.

Segundo uma fonte que participou das negociações, a Record foi "gongada" logo no começo da análise cadastral por causa de sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus e com um partido político, o PRB (Partido Republicano Brasileiro). A ideia era trazer a CNN para o lugar da Record News. 

A segunda tentativa de uma TV aberta de se associar à CNN foi em 2017. As conversas com a RedeTV!, no entanto, esfriaram no momento em que os americanos se depararam com o fôlego financeiro da emissora e sua dependência da locação de horários para igrejas.

Os códigos de ética, conduta e processos que formam o compliance da CNN vetam sua associação com igrejas e partidos políticos. No caso da RedeTV!, o impedimento foi mais financeiro, mas também esbarrava na relação com igrejas.

No anúncio do lançamento da CNN Brasil, em 14 de janeiro, levantaram-se suspeitas de que Douglas Tavolaro, ex-vice-presidente de Jornalismo da Record, escritor dos livros e produtor dos filmes do bispo Edir Macedo, pudesse ser um "testa de ferro" do líder da Universal.

O que se viu até agora, no entanto, não corrobora com essa hipótese. Há uma certa rivalidade no ar, e isso tem muito a ver com a disputa de poder interno na Record, entre bispos da Universal, da qual Tavolaro participou até pouco tempo.

Não foi à toa que a Record deixou "vazar" a informação de que trabalha no projeto de um novo canal com 24 horas de notícias, apesar de não conseguir salvar a cambaleante Record News.

Tavolaro e Rubens Menin passaram por várias etapas de análise até conseguirem aprovar o licenciamento da marca CNN para uma empresa que ainda não tem sede, mas que deverá contar com 800 funcionários até o fim de 2019.

Segundo uma fonte, pesou na análise da CNN o projeto editorial apresentado por Tavolaro e o histórico de excelência de gestão das empresas de Rubens Menin.

Fundador da MRV, o bilionário Menin virou o maior construtor de casas populares do Brasil durante o projeto Minha Casa, Minha Vida, no governo do PT. Sua fortuna é estimada em US$ 1,7 bilhão (R$ 6,4 bilhões).

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