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COLUNA DE MÍDIA

Fusão WarnerMedia e Discovery terá grandes impactos na mídia brasileira

Reprodução/Warner Bros.

Mulher-Maravilha em cena de seu filme

Gal Gadot em cena de Mulher-Maravilha; filme da heroína estará disponível na HBO Max

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 18/5/2021 - 6h55

O anúncio da fusão da WarnerMedia, conglomerado que inclui a HBO, os estúdios Warner Bros., canais da Turner como TNT e TBS e a CNN, com a rede Discovery e seus canais, terão repercussão global, inclusive no Brasil. Ainda não foi anunciado o futuro do streaming da empresa.

Não se sabe se o lançamento da HBO Max será mantido para junho na América Latina, se o Discovery+ seguirá ativo ou será fundido com outros serviços da WarnerMedia, ou mesmo se uma nova marca surgirá reunindo todos as plataformas de streaming da nova companhia. Mas já é possível dizer que a vida das TVs será cada vez mais desafiadora e deverá aumentar a necessidade de produção de conteúdo original.

Um dos argumentos para justificar a fusão da WarnerMedia e da Discovery é que, juntas, as empresas teriam capacidade de investir até US$ 20 bilhões em produção de conteúdo, número superior aos US$ 17 bilhões da Netflix, que está pouco à frente do investimento da Disney, na casa dos US$ 15 bilhões. A direção da nova companhia também anunciou que planeja cortes da ordem de US$ 3 bilhões com a fusão. 

Antes de a Discovery fechar o acordo para a fusão com a WarnerMedia, as apostas eram de que a NBCUniversal seria a empresa a se fundir com ela. Agora, a notícia é que a NBCU volta a avaliar uma fusão com a ViacomCBS.

Juntar as duas empresas não seria uma tarefa simples, pois NBC e CBS, duas das maiores redes de TV dos Estados Unidos, fariam parte do mesmo grupo, além dos estúdios Paramount e da Universal. Por isso, uma fusão teria de ser aprovada por órgão reguladores e isso necessariamente levaria à venda de algumas propriedades.

Concorrência e escala

Mas o futuro da mídia envolve as fusões e as aquisições pelo mundo todo. À medida que a TV tradicional perde audiência e que anunciantes migram para o digital, os esforços para digitalizar os conteúdos têm aumentado. É nítido que o jogo do streaming implica escala e investimentos altíssimos, mas poucos têm capacidade para competir nesse mercado. Mesmo gigantes de bilhões de dólares, como AT&T e Comcast, estão tendo de repensar suas estratégias.

Imaginar que essa movimentação terá impactos somente no mercado americano é uma ilusão. O que acontece por lá é uma prévia do que está por vir no Brasil. Além de players de streaming cada vez maiores e com crescente capacidade de investimento, haverá uma limitação cada vez maior para comprar atrações internacionais, como filmes e séries, hoje veiculados pelas TVs abertas (no Brasil, as emissoras não têm vínculo com nenhum dos grandes grupos internacionais, diferentemente do cabo). 

Primeiramente, os grandes estúdios vão priorizar as próprias plataformas de streaming. Assim, séries e filmes em canal aberto podem não só demorar mais para estrear, como sequer ir ao ar fora das propriedades dos grandes grupos de mídia. Players nacionais como o Globoplay (da Globo) e PlayPlus (da Record) devem ter mais dificuldades para conseguir conteúdo de destaque, uma vez que seus concorrentes internacionais cada vez mais presentes no país também passarão a tentar atrair novos assinantes.

A Netflix já manifestou interesse em exibir mais de seus filmes e séries em TV aberta, mas ela disponibilizaria aquele conteúdo mais antigo, que já não gera demanda nem atrai novos assinantes. 

Com menos filmes disponíveis, principalmente blockbusters e grandes atrações disponíveis no mercado internacional, as TVs abertas terão de aumentar sua produção de conteúdo original, o que implica aumento de custos em um momento em que a receita de publicidade está caindo.

Outra questão é que, com a aceleração das fusões e das aquisições, especialistas acreditam que a união da WarnerMedia com a Discovery é a primeira de muitas, e que as empresas de mídia vão se tornar maiores e mais internacionalizadas. E esses grandes grupos com experiência em TV também concorrem com grupos brasileiros como Globo, SBT, Record e Band.

E diferentemente da Netflix, do Disney+ e do Prime Video, esses novos grupos lançaram, ou planejam lançar, serviços de streaming com publicidade. Por terem sua origem na TV, eles também têm relacionamentos de longa data com os anunciantes. A WarnerMedia, por exemplo, havia anunciado que lançaria uma versão com publicidade no HBO Max.

Não será uma surpresa se a onda de fusões e aquisições chegar ao Brasil. No final de 2020, sugeri que o Magazine Luiza deveria comprar a Globo e o Globoplay.

A legislação brasileira é restritiva e dificulta a entrada de grupos estrangeiros nas TVs abertas, mas integrantes do governo já manifestaram disposição para alterar a lei e facilitar a entrada de investidores internacionais. Mas quem precisa de uma TV se é possível entrar no país por meio do streaming?  


Esse texto é argumentativo e não expressa necessariamente a opinião do Notícias da TV.


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