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ROMANCE ADOLESCENTE

Febre da Netflix, por que Dançarina Imperfeita tem um fundo racista?

REPRODUÇÃO/NETFLIX

As atrizes Liza Koshy e Sabrina Carpenter como as personagens Jas e Quinn no filme Dançarina Imperfeita, da Netflix

Jas (Liza Koshy, à esq.) não liga de ser a "escada" da melhor amiga, Quinn (Sabrina Carpenter), no filme

KELLY MIYASHIRO

kelly@noticiasdatv.com

Publicado em 24/8/2020 - 6h55

Em alta na Netflix, Dançarina Imperfeita é a típica comédia romântica para adolescentes. Entretanto, por trás da boa química entre o casal principal e da dinâmica engraçada da protagonista com a melhor amiga, há um aspecto racista no filme: uma menina branca usando todos os personagens negros a seu redor como escada para alcançar seus objetivos.

[Atenção: este texto contém spoilers do longa]

No longa, Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter) é uma adolescente que sonha em estudar na Universidade de Duke para poder seguir os passos de seu pai morto. Em busca disso, ela sempre teve as melhores notas e fez várias atividades extracurriculares --critérios levados em consideração pelas faculdades de elite nos Estados Unidos, que escolhem seus alunos.

Tudo parece bem, até que a recrutadora da Duke acha a nerd sem graça. A situação só muda porque ela dá a entender que é boa dançarina, quando na verdade não tem o menor talento. Para resolver o problema, ela obriga a melhor amiga, Jas (Liza Koshy), a largar sua equipe de dança para ensiná-la a dançar --mesmo que isso coloque o sonho da garota negra de ser uma profissional em risco.

A trama segue a narrativa de filmes como No Balanço do Amor (2001) e As Apimentadas: Tudo ou Nada (2006), que têm protagonistas brancas sofrendo para aprender a dançar hip hop --estilo popular entre a população negra--, e consequentemente se aproveitando dessa classe para assimilar com facilidade aquilo que negros levam anos para fazer.

Colunista do site Mundo Negro e militante, Levi Kaique Ferreira pontua que Dançarina Imperfeita é incômodo por trazer um elenco majoritariamente negro, mas com uma protagonista branca e egoísta, que ignora os sonhos alheios e usa as pessoas de escada. Como se todos os negros não tivessem vida própria e sua única função fosse servir à protagonista.

"Eles abrem mão de tudo na vida deles em prol da Quinn. É louco porque o próprio filme faz um comparativo entre os sonhos. A Quinn tem toda uma trajetória --claro, por ser a protagonista--, mas enquanto isso a Jas abre mão do sonho dela muito facilmente em prol da amiga. Parece que ela só consiste em ceder para que a personagem branca consiga chegar onde tem que chegar", explica o palestrante.

divulgação/netflix

Jake (Jordan Fisher, à esq.) se sacrifica por Quinn (Sabrina Carpenter)

Em seguida, ela pede a ajuda de Jake Taylor (Jordan Fisher), tricampeão da competição de dança --e coincidentemente negro também--, que se afastou dos palcos após uma lesão no joelho. Ele é convencido pela protagonista a ajudá-la, mesmo que isso lhe cause uma demissão ou prejudique ainda mais sua saúde.

O filme ignora as histórias de personagens além da protagonista. "Tanto faz que ele perdeu o emprego e que não vai ter como pagar o aluguel, ele vai continuar fazendo o trabalho dele para ajudar a protagonista branca", completa Ferreira.

"Todos os personagens negros trabalham e existem em prol dela, mesmo ela sendo irresponsável, egoísta. O roteiro peca no descaso com os personagens negros, com seus sonhos e problemas. É a insensibilidade de colocar vários personagens negros, mas não colocar uma personagem negra no papel principal", finaliza Levi.

Mesmo depois de Quinn apenas magoar todos ao seu redor, não aceitar quando algo é negado, desistir de tudo e deixar sua equipe na mão, tudo dá certo e se ajeita para ela. Na época em que o trailer de Dançarina Imperfeita foi divulgado, muitos apontaram o racismo implícito no filme e questionaram o fato de uma atriz branca ter sido escalada para o papel principal. 

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