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ANÁLISE

Com expulsão cruel de Fausto Silva, Globo vira máquina de triturar talento

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O apresentador Fausto Silva no Domingão do Faustão; ele veste jaqueta de couro e segura microfone

O apresentador Fausto Silva no Domingão do Faustão: Globo o tirou do ar sem direito a despedida

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 20/6/2021 - 20h00

Foi com uma rápida explicação de Tiago Leifert para justificar sua presença no horário do Domingão do Faustão que a Globo informou à sua audiência que Fausto Silva, depois de 32 anos de liderança raramente contestada, teve seu contrato rescindido na semana passada. Um fim cruel para a trajetória de um profissional cuja história se confunde com a própria história da televisão brasileira.

Era até previsível que a Globo anteciparia o final do contrato de Fausto Silva, que iria até dezembro, depois que ele anunciou, no final de abril, ter assumido um compromisso de cinco anos com a Band, valendo a partir de janeiro de 2022. A Globo (e nenhuma outra emissora) é de esquentar a cama para a concorrência. Esperava-se, contudo, que isso aconteceria ao final da Super Dança dos Famosos, no último domingo de agosto.

Mas a maneira como a Globo agiu com Faustão, um dia depois de ele ter alta de uma internação que o impediu de gravar pela primeira vez na carreira, foi indigna, injusta, injustificável, indecente, deselegante, arrogante.

O apresentador, por tudo o que significou e por tudo o que faturou nas últimas três décadas, merecia uma despedida, ele mesmo, uma mensagem por videoconferência que fosse, não apenas as homenagens que recebeu dos participantes da Super Dança dos Famosos.

A Globo expulsou Fausto Silva de sua programação, em um raro caso de programa que saiu do ar fazendo sucesso com o público e com o mercado anunciante.

Por que a Globo está mudando?

A demissão de Fausto Silva é a prova mais evidente de que a Globo mudou. Aquela emissora que tratava bem seus artistas, que os mantinha empregados mesmo sem estarem produzindo, não existe mais.

A Globo virou uma máquina de triturar talentos, uma empresa como outra qualquer, cheia de códigos de conduta e discursos moderninhos, mas que sacrifica sem dó aqueles que a ajudaram a chegar onde está hoje. A Globo, no esforço para se tornar uma "media tech", em nada difere das "big techs" monopolistas.

Essa transformação começou nos primeiros anos da segunda metade da última década, quando dispensou atores que outrora foram protagonistas, como Joana Fomm, Luiz Fernando Guimarães, Maitê Proença, Pedro Cardoso e, quem imaginaria, a Malu Mader de tantas mocinhas.

O movimento ficou mais claro no final de 2018, quando se anunciou o projeto "Uma Só Globo", que juntou as empresas de mídia eletrônica do grupo em uma só estrutura, eliminando aproximadamente 2.500 empregos.

Nesse processo, foram dispensados dezenas de atores que outrora a Globo não abriria mão. Muita gente ficou chocada quando soube que Tarcísio Meira e Glória Menezes, tão importantes para a consolidação da Globo nos anos 1960 e 1970, deixaram de fazer parte da folha de pagamento da emissora depois de 53 anos de serviços prestados.

Com cortes de profissionais que não produzem mais como antes, até mesmo de uma midiática Bruna Marquezine, a Globo economizou quase meio bilhão de reais em 2019 e lucrou R$ 167 milhões no ano passado, apesar da pandemia que paralisou seus estúdios.

Essa é a nova Globo, a que quer competir com a Netflix jogando fora aqueles que construíram sua história --e que agora estão disponíveis para a concorrência.


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