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Climão na Globo: Sérgio Chapelin rejeita homenagem ao lado de Bonner e Cid

Reprodução/TV Globo

Sérgio Chapelin no cenário do Globo Repórter da última sexta-feira, na TV Globo do Rio de Janeiro

Sérgio Chapelin no Globo Repórter da última sexta-feira: sem despedida com Bonner e Cid Moreira

DANIEL CASTRO - Publicado em 30/09/2019, às 05h15 - Atualizado às 16h28

Aposentado na última sexta-feira (27), quando se despediu do Globo Repórter, o jornalista Sérgio Chapelin se recusou a receber uma homenagem em uma entrevista a Pedro Bial com as participações de Cid Moreira, com quem dividiu a bancada do Jornal Nacional, e com William Bonner, que o sucedeu em 1996. O "não" do veterano de 78 anos intrigou os bastidores da Globo. Afinal, por que alguém recusa uma homenagem?

A Globo confirma que pretendia realizar uma edição do Conversa com Bial para marcar a trajetória de Chapelin e os 50 anos do Jornal Nacional, comemorados em setembro. Segundo a emissora, o primeiro apresentador do Globo Repórter não quis falar com Bial porque é "avesso a entrevistas".

A uma pessoa próxima, Chapelin confessou que, se fosse ao programa de Bial, teria de ir também ao de Fátima Bernardes, ao Domingão do Faustão e a outras atrações da casa. Ele preferia receber uma homenagem voltando a apresentar o Jornal Nacional ao lado de Cid Moreira, como ocorreu em 2015, nas comemorações dos 50 anos da Globo. Queria dar um último "boa noite" ao público.

Nos bastidores da emissora, também se ventila a versão de que Chapelin não nutre muita simpatia por William Bonner. Isso teria começado em 1996, quando a Globo tirou Cid Moreira e Chapelin do JN, e colocou Bonner e Lillian Witte Fibe, porque queria que o telejornal fosse feito por jornalistas que participavam de todo o processo de produção do noticiário, e não apenas leitores de notícias --uma injustiça, afinal Chapelin era, sim, um jornalista completo.

Além disso, ele não gostava de ver Bonner imitando Cid pelos corredores. Achava desrespeitoso.

Ao passar o bastão do Globo Repórter a Sandra Annenberg e Glória Maria, na sexta passada, Chapelin reforçou a imagem de profissional reservado. "Agora, é momento de relaxar e experimentar aquela liberdade total. Acho que todo mundo sonha com isso", disse ele, sobre o que espera do futuro.

"Tem também a minha chácara, gosto muito de interagir com meus bichos. E quem sabe, viajar um pouco, sem lenço, mas com documento, porque hoje ninguém pode viajar sem documento. É por aí, vamos ver o que acontece", completou. Confira:

Quase 50 anos de Globo

Foi Chapelin quem tomou a iniciativa de pedir à Globo para se aposentar, encerrando uma trajetória de quase 50 anos. Ele começou em 1972, como apresentador do Jornal Hoje, e no mesmo ano passou a dividir o Jornal Nacional com Cid Moreira --o que fez durante 18 anos não consecutivos.

William Bonner dos anos 1970 e 1980, Chapelin apresentou a primeira edição do Fantástico, em 1973, e inagurou o Globo Repórter também naquele ano.

Em 1983, se aventurou no entretenimento e trocou a Globo pelo SBT, para substituir J. Silvestre (1922-2000) com um programa de auditório. Mas ele sentiu falta de estrutura e voltou para a Globo, em 1984, como apresentador fixo do Fantástico. Voltou ao JN em 1989. Desde 1996, estava à frente do Globo Repórter.

A saída de Chapelin ocorre em uma dança de cadeiras provocada pela demissão de Dony de Nuccio no fim de julho. Ele cedeu sua função para Sandra Annenberg, que nesta segunda-feira (30) será substituída no Jornal Hoje por Maju Coutinho.

Outro lado

Após a publicação deste texto, a Globo enviou a seguinte nota:

"Não é verdade que exista qualquer tipo de desconforto entre Sergio Chapelin e William Bonner. Como fizemos questão de esclarecer ao site antes da publicação da matéria, o único motivo de a entrevista no Conversa com Bial não ter acontecido é a discrição que sempre pautou a vida pessoal e profissional de Sergio Chapelin. Uma vez aceitando o convite do Bial, ele teria que também aceitar, por educação, os outros muito convites que a ele foram feitos. Chapelin não está na internet, não tem rede social, não é afeito a nenhum tipo de exposição. Levantar este tipo de polêmica, no momento em que ele encerra uma das mais bem sucedidas carreiras no jornalismo brasileiro, é no mínimo desrespeitoso com o grande profissional que Sergio é."

Daniel Castro
DANIEL CASTRO transformou a coluna de Televisão da Folha de S.Paulo na mais relevante do país durante sua passagem pelo jornal, entre 1991 e 2009. Trabalhou no Notícias Populares (1995-96) e R7 (2009-13). E-mail: dcastro@noticiasdatv.com

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