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DEBATE POLÍTICO

Luciano Huck sai da 'zona de conforto' e vira alvo de apoiadores de Lula e Bolsonaro

JOÃO MIGUEL JÚNIOR/TV GLOBO

O apresentador Luciano Huck durante gravação de um quadro em um espaço de eventos, no Caldeirão

O apresentador Luciano Huck diz que apanha dos extremos políticos e evita falar nas eleições de 2022

VINÍCIUS ANDRADE

Publicado em 17/6/2020 - 5h09
Atualizado em 17/6/2020 - 16h34

Apresentador da Globo há 20 anos, Luciano Huck saiu do que ele mesmo classifica como "zona de conforto" ao entrar de vez no debate sobre os rumos da política nacional. Esse movimento, que começou há aproximadamente três anos, é alvo de resistência de Jair Bolsonaro e de um dos mais importantes nomes da oposição ao atual governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (Partido dos Trabalhadores).

Sem a simpatia de nenhuma dessas lideranças, Huck está na mira de apoiadores dos políticos a cada novo post que faz sobre assuntos que estão relacionados aos bastidores de Brasília. E não são poucas as publicações.

Somente em junho, o comandante do Caldeirão fez pelo menos 50 tuítes com temas relacionados à pandemia do novo coronavírus, economia, meio ambiente, defesa do STF (Supremo Tribunal Federal) e racismo.

A "zona de conforto" de Huck está no fato de ele ser um dos apresentadores mais bem pagos da Globo e rosto de diferentes marcas na TV, que vão de uma rede varejista até corretoras de investimentos. Na web, ele é seguido por 13,1 milhões de pessoas no Twitter e mais 18,9 milhões no Instagram.

No último sábado (13), Luciano Huck participou de um debate virtual organizado pelo movimento Direitos Já! Fórum Pela Democracia, com a ex-senadora Marina Silva, o deputado federal Alessandro Molon (líder do PSB na Câmara) e o general Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro.

Durante a discussão, o apresentador defendeu que a política não deve ser "fulanizada" enquanto o país enfrenta uma pandemia. "É um momento muito delicado, acho importante a gente discutir política, mas acho que o que a gente está vivendo no Brasil é tão grave que não é hora de política ou politicagem. É hora de pensarmos em políticas públicas, o que não está havendo", opinou.

Huck evita falar na eleição presidencial de 2022 ou comentar a possibilidade de sair candidato. Na última disputa eleitoral, ele foi cotado como presidenciável, mas decidiu ficar de fora. Durante o encontro virtual com os políticos, afirmou que aquilo que o coloca nesse tipo de debate é a experiência que adquiriu ao rodar todo o país.

"Estou aqui como um cidadão ativo, que nos últimos 20 anos tem rodado esse país de ponta a ponta, que conviveu muito bem com os militares do Brasil em muitos lugares onde eu fui gravar, com os políticos, com as favelas, com as comunidades, com a Faria Lima [região nobre de São Paulo], com o Leblon [bairro nobre do Rio de Janeiro]", apontou.

O marido de Angélica ainda comemorou a entrada de nomes como Felipe Neto e Anitta em discussões políticas. "O que nos falta é uma classe política pela qual a sociedade tenha admiração. Nesses últimos três anos, a gente tem falado muito da renovação política, eu escolhi fazer através dos movimentos cívicos e poder atrair gente nova para o debate político é muito importante", falou ele.

Assista abaixo ao debate:

Criticado por todos os lados

Em 2018, Huck foi bastante criticado por não declarar em quem votaria entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no segundo turno. Na ocasião, o comunicador alegou que não se sentia representado por nenhum dos políticos e que seria uma "resistência positiva" a qualquer um dos dois. Em 2014, o apresentador tinha apoiado Aécio Neves contra Dilma Rousseff.

No dia da posse de Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019, ele desejou "sorte" ao presidente. No entanto, passou a adotar um tom mais crítico principalmente após as ações do Governo Federal durante a pandemia.

O posicionamento político de Luciano Huck foi criticado pelo ex-presidente Lula. "O Luciano Huck não representa a centro-esquerda. Ele representa a Central Globo de Televisão. É isso que ele representa nesse momento", soltou o líder petista em janeiro. Já Bolsonaro se referiu ao apresentador como "pau mandado da Globo" em outubro de 2019.

Confesso apoiador do atual presidente, Marcelo de Carvalho, um dos sócios da RedeTV!, se colocou contra uma das ideias defendidas por Huck, o programa social Renda Básica que Queremos. "Essa proposta do Luciano Huck é absurda, desastrosa. O que o brasileiro quer é emprego digno, bem remunerado. É uma pena que ainda haja essa mentalidade", criticou o empresário.

Em uma thread (sequência de tuítes) publicada no último sábado (13), depois de participar do debate virtual, Luciano Huck disse que apanha dos extremos políticos ao enfrentar a polarização e se posicionar como "cidadão", mas avisou que se coloca como defensor de uma "utopia".

"Um governo mais amoroso, capaz de tratar as pessoas com carinho. É disso que precisamos para voltar a sorrir. Pode parecer ingênuo. E é. Mas sem sonhos e esperanças não avançamos", desejou o apresentador. Confira parte da publicação:

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