Jui Huang

Ator do primeiro beijo de Bruna Marquezine se recusa a falar 'elado' na TV

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O ator Jui Huang, que atuou em Negócio da China, no restaurante de sua família em São Paulo - Divulgação

O ator Jui Huang, que atuou em Negócio da China, no restaurante de sua família em São Paulo

FERNANDA LOPES - Publicado em 16/10/2018, às 05h27

Há dez anos, Jui Huang teve dois feitos na televisão: foi protagonista de Negócio da China (2008), sua primeira novela, e foi o cara com quem a hoje estrela Bruna Marquezine trocou seu primeiro beijo na televisão. Taiwanês, o ator de 33 anos se encontrou ao fazer teatro e está longe da TV desde 2014. Ele acredita que faltam boas oportunidades de personagens para atores orientais na TV e no cinema. E sobram estereótipos.

"[Sair-se bem] Nesse meio, para um oriental, é mais difícil ainda, existe estereótipo. [Na TV] Você só vê oriental fritando pastel na esquina, em restaurante chinês. Mas não, estamos em tudo quanto é lugar. Estamos incluídos na sociedade já. Toda vez que é colocado um oriental num papel, parece que tem que mostrar de onde ele veio. Não acho ruim, mas não precisa [nos] botar sempre de quimono", aponta.

"Quando acontece isso, me pergunto em que lugar essas pessoas estão. No momento em que você estereotipa, define algo. Está excluindo a pessoa de qualquer outra oportunidade", explica.

Huang veio ao Brasil com a família aos dois anos de idade. Ressalta que se sente totalmente ambientado no país e que não há motivo para a mídia representar orientais apenas com ar de caricatura, com trajes especiais e sotaque puxado. Ele rejeitou um papel em um filme porque teria de falar "elado" e achou desrespeitoso.

"Como oriental e ator no Brasil, digo que nos falta oportunidade. Já ouvi falarem que não tem ator. Tem sim, bons atores e atrizes. Dizem que não dá pra montar família de orientais, mas dá, e muito bem. A gente está sempre correndo atrás, tem o grupo Oriente-se, estamos com base muito boa, tem roteirista, tem tudo", afirma.

"A diversidade é algo que agrega valor. Nisso entra também [a questão da] representatividade. Acho que, com o tempo e com mais informação, as pessoas estão sendo obrigadas a enxergar que o mundo mudou. Quando você olha em volta, é uma mistura de etnias, isso faz com que o mundo fique mais bonito, interessante", opina.

reprodução/tv globo

Liu (Jui Huang) e Flor de Lys (Bruna Marquezine) foram par romântico em Negócio da China

Negócio da China (e da Itália)
A carreira de ator de Huang começou quando ele tinha 22 anos. Ele trabalhava com Contabilidade, estudava Educação Física e foi convidado por uma amiga para atuar no curta-metragem Destino, de Lucélia Santos. Logo em seguida, fez um curso de férias de Teatro e foi chamado pela Globo para atuar em Negócio da China.

"Queriam fazer um teste. Fiz, muito nervoso. Era tão difícil pra mim que tinha duas linhas de texto e precisei refazer várias vezes. Depois eu fiz um teste físico e me ligaram, pedindo para ir ao Rio de Janeiro com meu passaporte. Daí me falaram que eu estava escalado, que o cachê era tanto e que eu voaria pra gravar em Portugal. Trabalhamos lá, em Hong Kong, Macau, depois voltamos para o Rio e ficamos. A novela foi uma experiência louca", lembra.

Na trama, Huang interpretava Liu, um chinês que havia roubado 1 bilhão de euros de um cassino. Porém, todos os dados da transação foram parar no Brasil, dentro de um pen-drive. O rapaz então passou a morar no Rio de Janeiro e se apaixonou por Flor de Lys (Bruna Marquezine), uma lutadora de artes marciais.

Além de Negócio da China, Huang teve papéis nas séries Brado Retumbante (2012), Pé na Cova (2014) e O Caçador (2014). Ele diz que está prestes a assinar contrato para atuar em uma série da TV paga e que, durante seus dez anos de carreira, se apaixonou pelo teatro. Neste ano, atuou na peça Marguerite, Mon Amour.

"Tenho corrido atrás sempre, me apaixonei pela profissão no primeiro contato que tive. Foi a vida que me apresentou o que eu devia fazer. Atuar fez de mim um ser humano melhor. Hoje o palco é como água, é uma necessidade para mim. E também tem cinema, televisão... Tudo que for verdadeiro e de valor, estou aberto", diz. 

Huang também tem um projeto paralelo: quando não está atuando, ele ajuda a cuidar do restaurante italiano que sua família comprou e administra há um ano. Seu irmão toca a parte financeira, e ele cuida das funções de relações públicas do local, em uma área nobre de São Paulo.

"Cuido de todo mundo, vejo se está tudo certo, sou muito presente. Quando falo de diversidade, é isso. Não existe um estranhamento [por um taiwanês ter um restaurante italiano], existe uma curiosidade. Clientes podiam ter nos tratado com desprezo, mas a etnia não ficou à frente, é ser humano com ser humano. Eu divido meu tempo com o restaurante, mas digo que sou ator. É onde é minha paixão acontece", declara. 

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