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180 PLAY

Instituto cria imitação da Netflix com cenas de violência contra a mulher na ficção

Reprodução/TV Globo

Paolla Oliveira com rosto de assustada em cena de A Dona do Pedaço

Vivi (Paolla Oliveira) sofrendo pressão psicológica do marido, Camilo (Lee Taylor) em A Dona do Pedaço (2019)

MARÍLIA BARBOSA

marilia@noticiasdatv.com

Publicado em 25/10/2020 - 6h45

O Instituto Maria da Penha, criado com base na Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006), elaborou uma imitação da Netflix para ajudar mulheres a identificarem situações de abuso. A 180 Play é uma espécie de plataforma de streaming alimentada apenas com trechos de novelas, filmes e séries, nos quais as personagens são vítimas de diversos tipos de violência.

A ideia surgiu em julho de 2020 --quando a lei completou 14 anos de vigência-- e visa exemplificar, utilizando conteúdo que a população gosta de consumir, os tipos de agressões que a mulher pode sofrer de seus parceiros. Sejam elas sexual, psicológica, física, moral e patrimonial. O nome do projeto, aliás, faz alusão ao número da Central de Atendimento à Mulher (180).

Conceição de Maria, uma das integrantes responsáveis pelo instituto, explicou que a campanha surgiu baseada na ideia de que a pandemia do coronavírus deixou a população mais tempo em frente à TV. Com isso, a ideia de atingir mais pessoas com as cenas chocantes teria um resultado mais positivo.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Helena Ranaldi apanha em Mulheres Apaixonadas

"A gente sabe que, ainda hoje, as pessoas imaginam que a violência seja somente física. Mas sabemos também que a informação salva vidas, tira a pessoa da escuridão. Então aproveitamos que hoje, devido ao isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, as pessoas estão consumindo mais streaming e criamos a 180 Play", conta ao Notícias da TV.

A idealizadora do projeto destaca ainda que pretende manter a plataforma ativa até mesmo quando o isolamento social chegar ao fim. Segundo ela, as pessoas têm dificuldade de entender o conceito previsto em lei apenas lendo sobre o assunto.

"A gente não quer que essa proposta seja pontual para que ela não fique no ar somente nesse período. Pois ela leva informação de forma didática. Os conceitos de violência não são suficientes para as pessoas conseguirem identificar. Por isso que a gente procura dar exemplos por meio de novelas, filmes e séries, mostrando isso de forma lúdica."

REPRODUÇÃO/SÉRIE DA TV Globo

Tim Maia ataca com discurso machista no filme

Das cenas de folhetins disponíveis no site, destacam-se: A Dona do Pedaço (2019), O Outro Lado do Paraíso (2017), A Favorita (2008), Mulheres Apaixonadas (2002), entre outros. Na linha de filmes, pode-se assitir a trechos de Tim Maia, Titanic, Água Para Elefantes e Pulp Fiction. Já entre as séries, há Grey's Anatomy, A Garota da Moto, The Crown e Scandal.

Direitos de imagem

Ao ser questionada sobre o instituto manter no ar uma plataforma gratuita utilizando conteúdo de emissoras de TV, como a Globo, e produções internacionais, Conceição explicou que teve autorização para usar as gravações.

"Não é uma plataforma realmente de streaming. Nós trabalhamos só com a ideia de ser uma plataforma. Nos cercamos de todos os cuidados jurídicos, sobre produção de obras para poder lançarmos. E ela é gratuita porque não oferece conteúdos completos. É uma nova proposta que exibe apenas uma cena de cada um dos materiais", explica.

Como assistir?

Ao acessar o site 180 Play, sem precisar criar login ou senha, o usuário terá disponível uma lista de cenas de produções que abordam a violência contra a mulher.

Separados por séries, filmes e novelas, os conteúdos são curtos, de até três minutos, o que facilita a busca e não toma tempo demais. Na parte de cima da página, é possível ver os tópicos com todos os tipos de violência. Basta clicar em um deles para receber a definição sobre aquele tipo de agressão.

Ao fim de cada cena, é possível ter acesso à definição de cada tipo de abuso ou violência exibido, seguido do número de emergência que a vítima pode ligar para pedir ajuda, caso se identifique com o que assistiu.


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