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Violência sexual, morte simbólica e justiça: Tudo sobre a minissérie Assédio

Ramón Vasconcellos/TV Globo

Antonio Calloni interpreta o médico estuprador Roger Sadala nos dez episódios da minissérie Assédio - Ramón Vasconcellos/TV Globo

Antonio Calloni interpreta o médico estuprador Roger Sadala nos dez episódios da minissérie Assédio

FERNANDA LOPES - Publicado em 21/09/2018, às 05h20

Assédio, minissérie dramática que estreia nesta sexta (21) no Globoplay, não é para os fracos. A trama é baseada na história do médico Roger Abdelmassih, condenado por estuprar mulheres em sua clínica. Em dez episódios, a atração mostrará cenas intensas de dor e estupros (considerados "mortes simbólicas" para as vítimas) e a luta das mulheres para denunciarem os crimes e levarem o médico à Justiça.

A trama de Assédio se desenvolve num período de 13 anos da vida do criminoso, entre 1994, auge de sua clínica de reprodução humana, e 2007, quando começaram as denúncias e a derrocada dele.

Os episódios iniciais mostram casos de mulheres com dificuldades para engravidar procurando o médico para fazer tratamentos de inseminação artificial. Elas são violentadas sexualmente enquanto estão sedadas, e as imagens deixam claro o abuso de poder dele e a dor das vítimas. Ao longo da trama, elas tomam coragem e se unem publicamente contra o antagonista.

"Não é sobre sexo, erotismo, fetiche, é sobre dor. Essas mulheres morrem um pouco [ao serem estupradas]. A história é muito maior do que só ver corpo ou peito [na TV]", opina a atriz Paolla Oliveira.

Para contar esse drama, a autora Maria Camargo se inspirou no livro A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Viladarga. Mas a minissérie faz algumas alterações na história real: os nomes não são exatamente os mesmos (o médico fictício se chama Roger Sadala, por exemplo) e algumas características e personagens foram criados para dar maior complexidade à trama.

"Desde o princípio enxerguei para além da história real. Só uma sociedade muito doente permite que exista um médico como esse, com tantos crimes e durante tanto tempo. Mas também é interessante o fato de que as vítimas reais conseguiram uma reviravolta, falarem e serem ouvidas. Achei que a história tinha um valor simbólico muito grande", disse a autora sobre sua motivação para escrever a trama.

Ela e a diretora Amora Mautner fizeram muita pesquisa e tiveram supervisão jurídica durante o desenvolvimento da minissérie para garantir que toda a violência retratada fosse referente ao que aconteceu de verdade, e não algo criado para forçar sensacionalismo. "A gente tem liberdade responsável, algumas coisas não podemos inventar", explicou Maria.

A produção de Assédio só foi possível porque Roger Abdelmassih já foi devidamente condenado _ele pegou 181 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes. Hoje, cumpre prisão domiciliar por ter apresentado problemas cardíacos.

ramón Vasconcellos/tv globo

Vítimas do médico se unem e levam seus casos de estupro à Justiça em Assédio, da Globo

Responsabilidade social
Para a equipe envolvida, a minissérie chega num momento muito oportuno, após denúncias de assédio contra vários figurões de Hollywood tomarem força, com movimentos como o #MeToo. 

Apesar de o foco inicialmente ser no estuprador, a história passa muito pelo viés das mulheres. A ideia é dar voz às vítimas e deixar exposta a questão (ainda polêmica) do que configura assédio sexual.

"No Brasil, 135 mulheres são violentadas todos os dias [de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2017]. A minissérie tem uma função social muito grande. É necessário fazer isso dentro da Globo, essa minissérie é necessária para hoje, para ontem", afirma Barbara Paz.

"Isso faz parte da nossa cultura, a gente passou a vida sendo assediada. É um tema muito difícil alçado à categoria de arte", complementou a atriz Mariana Lima.

A autora de Assédio sabe que a minissérie provavelmente será vista por Abdelmassih em sua prisão domiciliar, mas não se importa com a opinião dele ou de sua família. Ela quer mais é que a produção seja comentada pelo público _ainda não há data de estreia na TV Globo.

"Não temos nenhum controle sobre como [a minissérie] vai chegar nele, mas o que queremos é que isso entre em debate. Quanto mais se falar sobre assédio sexual, sobre essa minissérie, bem ou mal, melhor. Essa história também é sobre rompimento do silêncio. As mulheres [abusadas] conseguiram quebrar o silêncio, e queremos que se fale sobre isso", concluiu Maria Camargo.

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