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Reprovado em teste, Sérgio Chapelin quase foi bancário e virou galã da Globo

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Sérgio Chapelin no Jornal Nacional, que começou a apresentar na década de 1970 na Globo - Reprodução/Globo

Sérgio Chapelin no Jornal Nacional, que começou a apresentar na década de 1970 na Globo

THELL DE CASTRO - Publicado em 11/08/2019, às 05h04

Sérgio Chapelin, cuja aposentadoria foi anunciada na semana passada, começou cedo na carreira de locutor de rádio em sua cidade natal (Valença, no Rio de Janeiro). Alguns anos depois, já na capital fluminense, chegou a trabalhar como bancário e não passou em um teste de locutor de noticiários. Mesmo assim, em 1972 ele passou a ser conhecido em todo o Brasil ao se tornar apresentador do Jornal Nacional, na Globo.

Quando terminou o serviço militar obrigatório no Rio, Chapelin resolveu ficar na cidade e arrumou emprego em um banco. Quase que a televisão brasileira perdeu um de seus maiores jornalistas para o setor financeiro, mas ele tinha vontade de retomar a carreira nos microfones.

Conseguiu um teste na Rádio Tamoio, onde virou locutor de cabine. Pouco depois, veio algo impensável: foi recusado em um teste para a Rádio Nacional, na época uma das principais emissoras do Brasil, onde disseram que ele não servia para ler noticiários.

"Mas provei que eles estavam errados quando fui contratado pelo Jornal do Brasil. Lá, passei a ler todo o noticiário da emissora e, na condição de noticiarista, fui chamado para a TV Globo, onde havia uma vaga", enfatizou em reportagem da revista Cartaz de 14 de fevereiro de 1973, citando o período em que trabalhou na Rádio Jornal do Brasil AM, uma das emissoras de maior prestígio nos anos 1960.

Na Globo, também teve de fazer teste. "Entrei para a Globo sem pistolão, nem usando conhecimentos que tinha. Acho até que fui o escolhido por ter certa semelhança física com o Cid Moreira, que apresenta o noticiário nacional", destacou. Na época, Chapelin se dedicava apenas à parte internacional do JN. 

Poucos meses após assumir o posto, Chapelin podia ser comparado a qualquer galã das novelas da Globo. Não podia mais sair de casa tranquilo, de acordo com reportagem da revista. "Esse negócio me pegou de surpresa. Em poucos meses de trabalho, me certifiquei do enorme envolvimento da TV", declarou.

"Da noite para o dia, passei a receber cartas e telefonemas de todas as partes do país, com os mais variados tipos de solicitações: convites para comparecer a batizados, casamentos, inaugurações de clubes, ensaios de escola de samba. Isso sem falar nas mulheres que me convidavam para jantar, sair com elas, ou simplesmente conversar", explicou.

No início, ele disse que ficava irritado com o assédio. "Todos queriam conhecer o mito que a engrenagem criou. Eu não passava de um produto do meio, que as pessoas simplesmente consumiam. Daí passei a evitar convites. Mas verifiquei que a criação desse mito me beneficiava. E, sabendo disso, procurei alimentá-lo ainda mais. Afinal de contas, lutava pela minha sobrevivência. Mas já me acostumei e sei como levar as coisas atualmente", contou.

reprodução/Globo

O jornalista Sérgio Chapelin se tornou um verdadeiro galã da Globo nos anos 1970, no JN

 

Aventura no SBT e retorno à Globo

Já consolidado como um dos principais nomes do jornalismo da Globo, Chapelin resolveu se aventurar em um novo campo em 1983. Se tornou apresentador de auditório no SBT, comandando o Show sem Limite durante um ano.

Passou a ganhar seis vezes mais na emissora de Silvio Santos e ainda estava liberado para aparecer em comerciais. Mas a Globo não deixou por menos: proibiu os comerciais de serem veiculados na emissora.

Apesar de obter excelentes índices no Ibope, muitas vezes levando o canal à liderança, Chapelin estava insatisfeito com a estrutura do SBT, que tinha pouco mais de dois anos de vida, e com sua remuneração, já que praticamente perdeu o que ganhava com comerciais ao ser barrado pela Globo.

Dessa forma, um ano depois, em maio de 1984, já estava de volta à antiga casa, na qual vai se aposentar agora. Assumiu o Fantástico, onde ficou até 1989, quando retomou a dupla histórica com Cid Moreira. Nova mudança aconteceu em 1996, quando passou a comandar o Globo Repórter, programa do qual já havia sido o primeiro apresentador, em 1973.


THELL DE CASTRO é jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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