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CASO NEYMAR

Mauro Naves revela bastidores de saída da Globo: 'Foi vexatório ser anunciado no JN'

REPRODUÇÃO/TV GAZETA

Mauro Naves em entrevista ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta

Após 31 anos de Globo, Mauro Naves foi demitido em julho 2019; ele lamenta saída da emissora

VINÍCIUS ANDRADE

Publicado em 5/2/2020 - 13h18
Atualizado em 5/2/2020 - 18h15

Fora da TV desde o início de junho, o jornalista Mauro Naves considera "triste e vexatório" ter sido suspenso da Globo ao vivo no Jornal Nacional, principal telejornal do país. No mês seguinte à nota lida por William Bonner, ele foi demitido da empresa onde trabalhou durante 31 anos. A emissora não concordou com a atuação do repórter esportivo no caso Neymar x Najila Trindade.

Em uma longa entrevista ao podcast Qualé, Moré?, comandado pelo também ex-Globo Ivan Moré, Naves revelou, com riqueza de detalhes, os bastidores de sua saída da emissora. "Foi triste e vexatório ser anunciado no Jornal Nacional. Não anunciou ali que eu estava demitido, mas a forma [com que a Globo] falou ali eu entendi que não iria ter volta", confessa.

Segundo a nota divulgada ao vivo no JN, ele foi afastado porque forneceu o telefone de Neymar da Silva Santos, pai de Neymar, ao advogado José Edgard Bueno, em troca de uma posterior entrevista exclusiva.

A Globo viu "evidências de que suas atitudes [as de Naves] neste caso contrariaram a expectativa da empresa sobre a conduta de seus jornalistas", dizia a nota.

"Quando eu vi aquilo [no Jornal Nacional] é óbvio que você baqueia. Eu já achava que era um caminho sem volta. Você já começa a amadurecer a ideia [de demissão], continuei com a consciência limpa, não fiz nada que agredisse moralmente ou eticamente a TV, mas houve entendimento deles de que eu tinha que ter avisado", explica.

Ligações perigosas

Na ocasião, o Notícias da TV apurou que a cúpula da Globo estava convicta de que Naves soube antes de todo mundo que o camisa 10 da seleção estava sendo acusado de agressão, mas não só não divulgou a informação como teria atuado para abafar o que viria a ser um escândalo. A emissora entendeu que houve uma falha grave ali. O repórter também foi investigado internamente por "ligações perigosas" com o advogado: eles eram amigos e tinham negócios.

Foi Mauro quem passou o contato do pai de Neymar para José Edgard Bueno, o advogado. Antes de fazer isso, Naves explica que ligou para o ex-jogador para saber se poderia fazer isso.

"Eu liguei pra ele [pai do Neymar] e falei o que estava acontecendo. Expliquei que um advogado tinha me procurado, tinha uma acusação contra o filho dele e que queria falar com ele. Perguntei se poderia passar o telefone, ele me disse que sim. Passei de um pra um, de um pra outro e fiquei esperando ter a notícia, mas a notícia não aconteceu porque ela se desentendeu com esse advogado e ele caiu fora. Falei: 'Caí fora junto, não tenho mais a fonte'. Fiquei sossegado'", conta.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O repórter Mauro Naves em cobertura da Seleção Brasileira em maio de 2019 para a Globo

A Globo não gostou do fato de Naves não ter reportado aos seus superiores sobre sua participação no caso em 1º de junho, quando o UOL Esporte noticiou o boletim de ocorrência de estupro contra Neymar. Ele não contou detalhes que poderiam ajudar na cobertura. Só se manifestou quando o pai do jogador o denunciou publicando prints da conversa com o advogado.

"Eu fui informado sobre o caso na semana, o advogado iria me dar a notícia em primeira mão quando ele entrasse com algum processo, só que ele saiu do caso e eu falei 'perdi minha fonte. Acabou, fiquei fora'. Na semana seguinte, que apareceu meu nome, eu não estava nem acompanhando mais. Era um noticiário já quase que policial, eu não tinha mais nada a ver com aquilo porque a minha fonte tinha caído fora do caso", justifica o repórter.

"Aí, na semana seguinte, quando o pai do Neymar resolve soltar uma nota com o print da conversa entre ele e o advogado, tinha lá o meu nome. Aí a TV achou que eu deveria ter falado, mas eu não tinha mais a notícia para ligar para o diretor e falar: 'Sabe aquele caso? O cara me procurou'. Não importava isso, na minha cabeça não importava mais. Enfim, foi um entendimento dela [Globo]", lamenta.

Demitido da Globo

Ao contrário do que foi divulgado pela Globo em julho, a saída de Mauro Naves não foi em comum acordo. Ele foi demitido. Se pudesse, continuaria na empresa.

"Eu tive o meu 7x1 com a Globo no ano passado, eu não estava esperando. Foi meu maior 7x1, pessoal e profissional. Eu gostaria de continuar [na Globo] porque a situação que aconteceu me colocou de um jeito como se eu tivesse feito algo errado. Eu entendo até hoje que eu não fiz nada errado", defende.

"Foi um baque. Na hora, você fica sem o pé no chão, perde um pouco a noção do que vai fazer porque você está acostumado a seguir aquela rotina. Mas eu não sei também com o processo que a TV [Globo] está passando se eu iria demorar até quando", comenta o repórter.

Além da saída da Globo, o jornalista fala no podcast sobre início da vida profissional, casos marcantes em coberturas de Copas do Mundo e curiosidades em entrevistas com astros como Ayrton Senna. Ele também revela quais serão os próximos passos de sua carreira.

A entrevista de Ivan Moré com Mauro Naves ficou disponível em plataformas digitais nesta quarta-feira (5). A conversa tem 1 hora e 18 minutos. O trecho sobre a saída da Globo começa aos 57 minutos. O podcast Qualé, Moré é produzido pela Pod360 e pode ser acessado neste link.

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