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A CULPA É DO CABRAL

'Mamonas Assassinas da TV' atraem crianças com humor adulto e piadas ácidas

DIVULGAÇÃO/COMEDY CENTRAL

Thiago Ventura, Rafael Portugal, Fabiano Cambota, Nando Viana e Rodrigo Marques apresentam A Culpa é do Cabral - DIVULGAÇÃO/COMEDY CENTRAL

Thiago Ventura, Rafael Portugal, Fabiano Cambota, Nando Viana e Rodrigo Marques apresentam A Culpa é do Cabral

GABRIEL PERLINE, em Buenos Aires

Publicado em 17/10/2018 - 5h23

Em seus dois anos de existência, o programa A Culpa é do Cabral nunca direcionou seu conteúdo ao público infantil. Ciente de que as piadas exibidas não foram feitas para os ouvidos dos baixinhos, o quinteto de humoristas do canal Comedy Central conseguiu um feito semelhante ao do Mamonas Assassinas: conquistar as crianças com falas ácidas, debochadas e por vezes politicamente incorretas.

"Não é um programa para criança, nunca foi focado nelas. Afinal, vai ao ar às 23h. Mas mesmo assim temos muitas crianças como fãs. Os Mamonas Assassinas também não focaram nelas e acertaram bonito", explica Fabiano Cambota, apresentador do humorístico.

Por ser um programa da TV paga, exibido num horário voltado ao público adulto, os cinco integrantes não pegam leve em seus comentários, e o canal não os censura. E na sexta temporada, que estreou nessa terça (16), não faltam palavrões, xingamentos, menções a drogas e a sexo.

Gravado em Buenos Aires, nos estúdios da Telefe, A Culpa é do Cabral coloca os cinco rapazes em um debate ao estilo mesa redonda, só que sem mesa, e eles comentam fatos cotidianos com bom humor.

Nesta temporada, eles receberam artistas brasileiros, como a funkeira Jojo Todynho, que provocou os argentinos nos bastidores por comemorar a eliminação da Argentina da Copa do Mundo, e também o ator Fabiano Augusto, que revelou sua tática para fugir da pergunta "quer pagar quanto?".

"Uma vez o Rodrigo [Marques] fez uma piada que, para mim, foi um dos comentários mais pesados já exibidos na TV. Ele disse 'amolar boceta' e ninguém entendeu, mas todos riram tentando decifrar o enigma. Quando ele disse que as prostitutas no Brasil estavam 'amolando a boceta', entendemos que elas estavam se preparando para a chegada de turistas estrangeiros", comentou Nando Viana, aos risos.

"Teve uma vez que eu falei que minha barriga era amortecedor de boceta, porque eu estava muito gordo. E o Comedy Central pegou exatamente esta fala e exibiu nas chamadas de seus intervalos comerciais durante dias seguidos", disse Marques.

Mesmo pegando pesado nos comentários, as crianças se divertem com o quinteto, que além de Cambota, Viana e Marques, conta com Rafael Portugal e Thiago Ventura. E parte delas assiste à reprise do programa, exibida sempre ao meio-dia.

"É bonitinho e estranho ao mesmo quando as crianças nos param na rua e nos reconhecem, mas a gente sabe que elas não são nosso público alvo. Nunca pensamos em fazer nada direcionado para elas, um A Culpa é do Cabral Kids, porque nosso humor só funciona desse jeito, sem censura, no improviso e sem ter que medir as palavras", reforçou Cambota.

Hoje, há um cuidado maior com o teor das piadas em relação à primeira temporada. Como o Comedy Central passou a fazer parte do pacote de canais básicos das operadoras de TV a cabo há pouco mais de um ano, o público cresceu, e as críticas ganharam volume. Desde então, passaram a se policiar para evitar conflitos.

Comentários sobre gordos, magros, feios, bonitos, e etc., somente se algum apresentador estiver se referindo a si mesmo ou a algum colega de elenco. Textos que possam ofender quem os assiste são automaticamente eliminados na edição. 

"Nossa equipe tem mulheres e gays, e eles nos deixam mais atentos, não nos deixam levar para lados ruins. A ideia é que o programa seja agradável para todo mundo", comentou Ventura. "Já fomos machistas no passado, e fizemos isso sem perceber. Hoje, nos policiamos. Mas quando algo escapa e fica fora do tom, nós mesmos é que pedimos para a piada não ir ao ar", completou Cambota.

Os novos episódios de A Culpa é do Cabral vão ao ar todas as terças, às 23h, no canal Comedy Central.

* O repórter viajou a Buenos Aires a convite da Viacom

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