SIMONE SPOLADORE

Atriz fica abalada após gravar estupro: 'Não sei separar ficção da realidade'

DIVULGAÇÃO/HBO

Simone Spoladore em cena da terceira temporada de Magnífica 70, série nacional da HBO - DIVULGAÇÃO/HBO

Simone Spoladore em cena da terceira temporada de Magnífica 70, série nacional da HBO

GABRIEL PERLINE - Publicado em 16/10/2018, às 05h25

[Atenção: este texto contém spoilers]

O primeiro episódio da terceira e derradeira temporada de Magnífica 70, exibido domingo (14) pela HBO, exigiu sangue frio de Simone Spoladore. Nos primeiros minutos, sua personagem Dora Dumar foi agredida, estuprada e sequestrada. Cenas angustiantes e que, teoricamente, exigiriam um desprendimento emocional por parte de sua intérprete. Só que não. "Não é possível não se abalar. Não sei separar ficção da realidade", admite a atriz.

"Eu não soube fazer isso a vida inteira e estou tentando fazer isso agora. Acredito que nós, atores, somos tocados pelas questões dos nossos personagens. A Dora, em especial, foi muito forte para mim, não foi fácil. Foi muito lindo, maravilhoso, transformador, rico e criativo. Não foi algo terapêutico, mas foi uma vivência enriquecedora", disse ao Notícias da TV.

A nova fase de Magnífica 70 começa sombria, com ares de thriller. Se na primeira temporada vimos um grupo de pessoas apaixonadas pelo cinema se reunindo para driblar os censores da ditadura e colocar em cartaz suas criações controversas, agora vemos personagens com dramas mais densos, como o caso de Dora Dumar.

A atriz-sensação da era da Boca do Lixo é transformada em escrava sexual de um general do exército e obrigada a gravar cenas de sexo contra a sua vontade. Após ser torturada e violentada, ela se vê obrigada a matar para conseguir se livrar de seu cativeiro. Em sua fuga, ela pede abrigo em uma igreja, mas acaba sequestrada.

"Essa dor que a Dora sente faz parte de um inconsciente coletivo, a gente acessa isso. E todas nós, mulheres, temos algum passado de violência ou escutou uma amiga dizendo alguma história. A violência à mulher é muito presente na nossa vida. Infelizmente é um comportamento muito entranhado na nossa cultura", reflete.

"Lidar com a violência é uma coisa que nós, mulheres, aprendemos com a vida. Que bom que esse tema está sendo discutido, porque a gente fica com medo de falar sobre as coisas. Essa liberação aconteceu mesmo, eu percebo isso nas relações sociais. De repente você está falando sobre esse tema, e com liberdade. Isso foi uma conquista", conclui.

Longe da TV aberta
Simone Spoladore rompeu com a Record no início de 2014 após atuar em Pecado Mortal, e foi uma das primeiras atrizes de sua geração a não aceitar a renovação de um contrato por não concordar com os papéis que lhe eram oferecidos. Há quase cinco anos fora da TV aberta, ela não faz planos de voltar tão cedo.

"Essas coisas, no começo da carreira, são intuitivas. Fui vivendo a minha vida do jeito que eu podia e com as condições que eu tinha. Agora eu posso dizer que estou fazendo uma escolha, mas porque eu precisei. Nesse momento eu preciso ter mais tempo para mim. Eu trabalhei muito a vida toda e precisava olhar para a minha vida íntima, e neste momento está sendo uma escolha", afirmou.

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