MEMÓRIA DA TV

Maioria dos pioneiros que inauguraram a 'modesta' Globo há 55 anos já morreram

Fotos: Memória Globo

Apresentadores e técnicos no cenário do Tele Globo, que foi o primeiro telejornal da TV Globo

Âncoras na bancada do Tele Globo, com Nathalia Timberg (ao centro) e Hilton Gomes (último à direita)

THELL DE CASTRO - Publicado em 26/04/2020, às 06h43

Há exatamente 55 anos, às 11h35 de 26 de abril de 1965, uma segunda-feira, entrava no ar no Rio de Janeiro a TV Globo. Nada de Jornal Nacional, Fantástico ou grandes novelas: a então pequena emissora do jornalista Roberto Marinho (1904-2003), proprietário do jornal O Globo e da Rádio Globo, teve diversos percalços em seu início e contou com uma grade modesta, cuja maioria dos protagonistas já morreu.

O canal, na época sintonizado apenas no número 4 da capital fluminense (a rede nacional chegou apenas em 1969), ficava no ar das 11h à meia-noite. O primeiro programa foi o infantil Uni-Duni-Tê, apresentado pela professora Fernanda Barbosa Teixeira, a Tia Fernanda.

À tarde, vieram dois programas femininos, que eram exibidos diariamente. Sempre Mulher, entrava no ar às 14h, com Edna Savaget (1928-1998) e Célia Biar (1918-1999), que atualmente pode ser vista como Francine na exibição de Brega & Chique pelo canal Viva. Depois, era a vez de Festa em Casa, às 16h30, com Paulo Monte (1921-2014).

No período noturno, a emissora, que viria a ser uma das maiores potências do mundo no campo das novelas, estreou sua primeira trama: Ilusões Perdidas. O folhetim era exibido inicialmente às 19h30, mas depois mudou para a faixa das 22h.

A obscura trama teve 56 capítulos e foi gravada em São Paulo. Tinha no elenco Leila Diniz (1945-1972), Reginaldo Faria, Norma Blum, Miriam Pires (1927-2004), Osmar Prado, Emiliano Queiroz, Ítalo Rossi (1931-2011) e Marcos Granado (1929-2008), entre outros.

Leila Diniz e Reginaldo Faria em cena da novela Ilusões perdidas, a primeira trama da rede

Ainda na faixa noturna, a Globo investiu em seriados próprios, como Rua da Matriz, às 18h30, com Lafayette Galvão (1931-2019), João Carlos Barroso (1950-2019), Nestor de Montemar (1933-1995) e Milton Carneiro (1923-1999); 22-2000 Cidade Aberta, às terças, com Jardel Filho (1928-1983) e Cláudio Cavalcanti (1940-2013); e TNT, às quintas, com Vera Barreto Leite, Márcia de Windsor (1933-1982) e Thais Muniz Portinho.

Séries dos EUA

Na grade, também havia espaço para desenhos e enlatados norte-americanos, como Capitão Drake, Johnny Quest, A Ilha Misteriosa, A Volta do Homem Morcego, Gato Félix, Os Monstros, Rin-Tin-Tin e Os Defensores.

Diariamente, fechando a grade, a emissora apresentava o Show da Noite, talk show comandado por Gláucio Gil (1932-1965). O programa ficou marcado por uma fatalidade. O âncora morreu no ar após ter um infarto, em 13 de agosto de 1965, aos 33 anos. Foi a primeira vez que o canal, que saiu imediatamente do ar com o ocorrido, teve grande repercussão entre o público.

DIIVULGAÇÃO

Legenda

A série Os Monstros foi um dos enlatados que a emissora exibiu em seu início em 1965 

No campo do jornalismo, o Tele Globo também estreou no primeiro dia e tinha duas edições diárias: às 12h30 e 19h. No comando, Hilton Gomes (1924-1999), com o noticiário internacional.

Atriz na bancada

Nathalia Timberg fazia parte da equipe do telejornal e apresentava amenidades e notícias para o público feminino. Teixeira Heizer (1932-2016) era o responsável pelos esportes. No fim da noite, ia ao ar Se a Cidade Contasse, derivada de coluna do jornal O Globo, com reportagens especiais.

Com menos de um ano, em janeiro de 1966, a Globo fez uma grande cobertura das enchentes que assolaram o Rio de Janeiro e saiu do último lugar no Ibope.

A partir daí, traçou o caminho que, potencializado a partir de 1969, sob o comando de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e Walter Clark (1936-1997), deu a liderança que detêm até os dias de hoje no ranking nacional.


THELL DE CASTRO é jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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