Memória da TV

Em 2002, O Clone sofreu com epidemia de dengue, atriz doente e ator esfaqueado

Reprodução/Globo

O ator Stênio Garcia durante as gravações de O Clone, em 2002

Stênio Garcia contraiu dengue hemorrágica durante as gravações da novela O Clone, em 2002

THELL DE CASTRO - Publicado em 15/03/2020, às 06h12

Em tempos de coronavírus, muita gente se pergunta o que a Globo faria se uma novela, por exemplo, tivesse um alto índice de artistas contagiados, inviabilizando a continuidade de sua produção. Em 2002, O Clone, trama de sucesso da emissora, não chegou a ser paralisada, mas sofreu com uma epidemia de dengue. Além disso, outra doença acometeu de uma das principais atrizes, e um ator foi esfaqueado.

Quatro artistas da novela contraíram dengue: Stênio Garcia, Reginaldo Faria, Elisângela e Marcello Novaes. Os três últimos ficaram alguns dias longe do vídeo, mas Stênio demorou um pouco mais para voltar porque pegou dengue hemorrágica.

"Graças a Deus não tive dengue, nem ninguém da minha família. Mas, diante dessa calamidade, tenho de fazer alguma coisa", disse a autora Glória Perez ao jornal O Estado de S. Paulo de 15 de fevereiro de 2002, que informou que diversas cenas tiveram de ser reescritas.

Por causa do surto, de acordo com a publicação, a Globo tomou ainda mais cuidados para impedir que o mosquito da dengue circulasse pelo Projac (atual Estúdios Globo), onde são gravadas as novelas. "O carro fumacê passa duas vezes por dia no local" destacou a reportagem.

Na mesma época, outros artistas da Globo também foram atingidos: Ana Paula Arósio, Miguel Falabella, Lilia Cabral e Heitor Martinez. O humorista Renato Aragão teve suspeita de dengue, que não se confirmou.

Para ajudar no combate, a autora acabou inserindo a dengue na trama. Khadija (Carla Diaz), filha da protagonista Jade (Giovanna Antonelli), acabou contraindo a doença. Em outra cena, Dona Jura (Solange Couto) mandou Basílio (Sílvio Guindane) mudar a água das plantas para evitar que o Aedes aegypti se instalasse nos vasos.

"Daremos uma informação muito útil, que é a de que ninguém deve tomar remédio sem orientação médica", completou Glória ao jornal O Globo de 16 de fevereiro daquele ano.

No final de abril de 2002, Débora Falabella, que vivia Mel, uma das principais personagens da novela, contraiu meningite virótica e precisou ficar internada por alguns dias. Com autorização dos médicos, foram gravadas cenas no próprio hospital, como se Mel estivesse ali por causa de overdose de drogas.

Também foram gravadas algumas falas da atriz, dispensando sua imagem. A emissora acabou recorrendo à irmã das mais velha de Débora, Cinthia Falabella, que também é atriz, para atuar em algumas cenas.

Além desses perrengues, Ruth de Souza (1921-2019), que vivia a avó do clone Léo (Murilo Benício) foi internada com pressão alta, enquanto Giovanna Antonelli torceu o pé durante uma gravação no Marrocos.

Ator esfaqueado

Como se não bastassem os outros problemas, o ator Haylton Farias, que vivia o psicanalista de Lobato (Osmar Prado) em O Clone, levou uma facada no peito no dia 5 de maio de 2002, em Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ).

O ataque foi feito por um vizinho, incomodado com o entra e sai do apartamento do ator, que também é psicólogo e atendia na residência. Eles discutiram na portaria do prédio e a briga avançou pela calçada, onde houve o golpe com um canivete.

Apesar de ter ficado em estado grave, com necessidade de cirurgia, Haylton se recuperou e voltou ao ar em Malhação, no ano seguinte. Também fez participações em Alma Gêmea (2005), O Profeta (2006), Páginas da Vida (2006), Pé na Jaca (2006) e Paraíso Tropical (2007). Atualmente, continua trabalhando com teatro.


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