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PRAZER CULPOSO

Com Brincando com Fogo, Netflix ensina Amazon como se faz reality de pegação

FOTOS: REPRODUÇÃO/NETFLIX

Imagem de Sharron Townsend e Rhonda Paul em uma das festas de Brincando com Fogo

Sharron Townsend e Rhonda Paul em uma das festas de Brincando com Fogo, reality de pegação da Netflix

GABRIEL PERLINE

Publicado em 24/4/2020 - 16h18

Prazer culposo da quarentena, o recém-lançado Brincando com Fogo entrou para o topo da lista de produções mais vistas pelos assinantes da Netflix em menos de uma semana. A produção é um tapa na cara do Prime Video --serviço de streaming da Amazon--, que estreou há um mês o constrangedor Soltos em Floripa, e também uma aula de como fazer um reality show de pegação inovador, interessante e viciante.

O formato de Brincando com Fogo é genial. Foram recrutados 14 jovens bonitos, sensuais e absolutamente viciados em sexo de diferentes países de língua inglesa. A eles foi dito apenas que iriam participar de um reality de relacionamento.

Mas a surpresa é que somente após 12 horas no confinamento eles são avisados de que estão proibidos de beijar e transar ao longo de um mês. A masturbação também é vetada. E para completar, um robô chamado Lana (nome eleito propositalmente pela produção por ser um anagrama de "anal") vigia todos os passos e ouve todas as falas dos confinados para saber se estão cumprindo as normas do jogo.

O grupo começa a disputa com um prêmio de US$ 100 mil (cerca de R$ 553 mil). E a cada regra quebrada, um valor é descontado. Para se ter uma breve noção, um simples beijo na boca subtrai US$ 3 mil (R$ 16,9 mil) do montante. O casal que transar provoca um prejuízo de US$ 20 mil R$ 113 mil) a toda a turma. E como o trailer entrega, muitas normas são violadas pelos participantes.

A participante Chloe Veitch, ao tomar conhecimento da "roubada" em que se meteu, dá a definição perfeita para o reality show da Netflix: trata-se de uma reabilitação sexual para jovens autodeclarados compulsivos por fornicação. O objetivo do jogo, além do prêmio, é fazer com que todos eles evoluam como pessoas, aprendam a ouvir seus corações e deixem de ser predadores sexuais.

Kelechi "Kelz" Dyke e Francesca Farago tomam banho juntos no Brincando com Fogo

Mas não é só o formato que salva Brincando com Fogo. Por mais surreal que se possa imaginar, os participantes são perfeitos para esta dinâmica. Em meio à privação sexual, eles soltam pérolas absurdas, que levam o telespectador aos risos de suas frustrações. São carismáticos e, em meio à futilidade de suas mentes, oferecem enredos pessoais que ajudam a construir suas histórias individuais dentro do confinamento.

Entende-se, por exemplo, por que Sharron Townsend é o tipo de cara que não se envolve sentimentalmente com ninguém, o motivo de Rhonda Paul guardar um segredo íntimo de seus parceiros, e como Bryce Hirschberg parou de abrir o coração e passou a ver mulheres apenas como números. A produção se preocupou em humanizar os participantes, que seriam facilmente detestáveis se fossem apresentados sem profundidade.

Pegação e cenas de sexo? Têm de sobra. Porém, o programa não se trata apenas disso. A Netflix conseguiu dar o tom adequado para não transformar o Brincando com Fogo em uma mercadoria sem sentido, como o Soltos em Floripa, grande aposta do Prime Video no mercado brasileiro, que investiu exclusivamente no hedonismo e virou um produto de baixo nível, criticado até mesmo por fãs do gênero.

Sexo explícito, consumo exagerado de álcool, roteiro preguiçoso, episódios longos e vazios de conteúdo, participantes nada interessantes e de repertórios questionáveis fazem do Soltos em Floripa o pior produto entre os realities de pegação atualmente em cartaz --e um grande erro de investimento da Amazon no Brasil. Brincando com Fogo, de sua concorrente Netflix, apenas evidenciou isso.

Assista ao trailer de Brincando com Fogo:

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