Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
Twitter
Instagram
Youtube
TikTok

A DONA DO PEDAÇO

Boleira abre jogo sobre ação de R$ 15 milhões contra Globo: 'Minha história'

ARQUIVO PESSOAL

A cozinheira Sandra Rodrigues Campos está com uma forma de bolo e uma escumadeira

A cozinheira Sandra Rodrigues Campos processa a Globo por plágio em A Dona do Pedaço, de 2019

CARLA BITTENCOURT, colunista

carla@noticiasdatv.com

Publicado em 19/5/2022 - 7h00

Se Amora Mautner saiu em defesa de Walcyr Carrasco, que é acusado de cometer plágio em A Dona do Pedaço (2019), quem conhece Sandra Rodrigues Campos assegura que ela está falando a verdade. Cozinheira em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, há mais de 20 anos, ela tem sua história de vida conhecida por amigos, familiares, clientes e vizinhos.

"Quem me conhece sabe que a verdade está comigo. A história contada na novela é minha, não pode ter sido coincidência tantas coisas em comum. Entendo que existem muitas boleiras batalhadoras, guerreiras como a Maria da Paz [interpretada  por Juliana Paes no folhetim], mas nenhuma delas tinha um programa chamado A Dona do Pedaço, cuja marca foi vendida pela Globo no ano de estreia da novela", diz Sandra, em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

A vendedora de bolos alega que sua história foi copiada e que ela é a verdadeira Maria da Paz, personagem criada por Carrasco e vivida por Juliana Paes. O caso foi apresentado na 5ª Vara Cível de Rio Preto. Antes de entrar na Justiça, Sandra tentou contato com a emissora de várias formas.

Reprodução

Reportagem em que Sandra é chamada de A Dona do Pedaço

"Eu liguei algumas vezes. Diziam que iam me retornar e nunca fizeram. Tenho anotado todos os protocolos. Mandei mensagem no Instagram para o Luciano Huck, a Juliana Paes, o Marcos Palmeira. Na época, eu só queria reconhecimento porque sei que parte da novela foi inspirada na minha vida e me senti desprestigiada. Depois, em conversa com amigos, percebi que não perdi nada, mas deixei de ganhar. Fora isso, não posso mais usar uma marca que usava desde 2004", conta.

Segundo os autos, aos quais o Notícias da TV teve acesso, a vendedora pede R$ 5 milhões por danos materiais, R$ 5 milhões por danos morais e mais R$ 5 milhões de indenização por lucros cessantes. Sandra também quer proibir que a Globo use a marca A Dona do Pedaço, que afirma se referir a ela desde 2004. A emissora pagou R$ 300 mil pelo título.

"Os danos materiais são justificados pelo fato de a emissora ter utilizado o meu nome artístico e a minha história sem autorização. Os lucros cessantes são relacionados à falta de repasse relacionado aos direitos autorais, já que a novela faturou bastante. E os danos morais são porque não posso mais utilizar o pseudônimo A Dona do Pedaço, sob pena de estar plagiando algo que me foi plagiado", explica.

REPRODUÇÃO

Documento que mostra a venda da marca

Aos 52 anos, Sandra continua pilotando um fogão para sobreviver. Hoje, já não faz mais bolos para vender na rua. "Só para quem encomenda mesmo", ela diz. A cozinheira, agora, cozinha e vende bolinhos de mandioca. Produzir em larga escala lhe dá menos trabalho e mais qualidade de vida. A rotina, no entanto, é tão cansativa que ela respondeu à mensagem desta colunista às 21h30, imaginando se tratar de uma cliente.

"Eu sou vendedora, estou acostumada falar com clientes quando é melhor para eles", explicou ela ao topar dar esta entrevista à noite.

Despachada, simpática e articulada, Sandra é formada em Jornalismo e nunca exerceu a profissão. Ela se separou do pais dos seus dois filhos, Camila, de 27 anos, e Ivo, de 23, há 22 anos e se mudou de Rio Verde, no interior de Goiás, para São José do Rio Preto, em busca de uma nova vida, tal qual aconteceu com a Maria da Paz da novela.

De acordo com Sandra, assim como a protagonista, ela também aprendeu a cozinhar com a avó e teve um conflito familiar por arma de fogo: enquanto Maria da Paz teve parentes assassinados em virtude de uma rixa entre famílias rivais --os Ramirez e os Matheus--, ela vivenciou uma tragédia quando seu padrasto atirou em sua mãe, deixando-a paraplégica, e se matou em seguida.

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Sandra continua cozinhando para ganhar a vida

"Eu nasci em Rio Verde, no interior de Goiás, e a trama da novela começa em Rio Vermelho, no Estado do Espírito Santo. Eu me mudei para Rio Preto em busca de uma vida melhor e comecei a vender bolos para sobreviver. Maria da Paz se muda para São Paulo e se torna uma famosa boleira. Tenho uma irmã chamada Fabiana, que foi criada pela minha tia porque minha mãe ficou paraplégica depois que o pai dela atirou na mulher e se matou", enumera Sandra.

"A família da Maria da Paz também esteve envolvida em atrito por arma de fogo. Quem me acompanhava no programa sabia dessas histórias todas. Para mim, é muito claro que a Globo não só comprou a minha marca --que foi vendida pelo meu empresário. A Globo usou a minha história. Só que não pagou por isso", acusa.

Com a repercussão do caso, Sandra foi bastante criticada. Muitos alegam que ela "quer dinheiro fácil" e "se dar bem" às custas da emissora. Apesar de dizer que é uma mulher ansiosa, ela afirma não estar nem um pouco abalada.

"Eu estou com a verdade e estou com Deus. Achei que ficaria nervosa com toda essa repercussão, mas estou até calma, sabia? Eu tenho como provar tudo que estou falando e estou confiante de que a Globo vai reconhecer que errou", finaliza a Dona do Pedaço.


Leia também

Enquete

Pantanal perde audiência: novela está chata?

Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.