Pilot Season

TV aberta dos EUA passa sufoco e diminui drasticamente encomenda de novas séries

Divulgação/NBC

Kenan Thompson de blusa roxa e óculos de grau no humorístico Saturday Night Live

Kenan Thompson no humorístico Saturday Night Live; ator fará comédia familiar para a rede NBC

JOÃO DA PAZ - Publicado em 14/02/2020, às 04h55

Sufocadas pela expansão do streaming, as cinco redes de TV aberta dos Estados Unidos (ABC, CBS, Fox, NBC e The CW) encomendaram 54 pilotos de séries para este ano, 41 a menos do que foi pedido há seis anos. Em comparação com 2019, a queda foi de 18% (12 atrações a menos). É um sinal dos tempos de contenção de gastos, por causa da fuga do público.

Os bastidores da TV americana estão atualmente fervilhando com a chamada pilot season, período no qual as emissoras analisam o primeiro episódio (o piloto) de uma atração. Caso se agradem do que veem, pedem uma temporada completa. 

O orçamento apertado mudou a mentalidade das redes. Para não gastar muito com projetos de séries que nem devem ir ao ar, ou com aquelas atrações fracas sem muito potencial de passar da primeira temporada, a estratégia delas agora é apostar nas produções que estão na programação, o que gera menos cancelamentos.

Isso ocorreu no mês passado, com a CW. Em uma ação inédita, foram renovadas todas as séries do catálogo, inclusive as que flertavam com a lanterna na tabela de audiência da TV dos EUA, como All American.

É coisa do passado vexames como Selfie (2014, da ABC) e Doubt (2017, da CBS), retiradas do ar abruptamente, após poucos episódios exibidos. As redes estão mais cuidadosas nas escolhas de novas séries, para não ter de apertar o botão do cancelamento naquelas de pior qualidade.

Um fator que contribui para a queda no número de novas séries é a mudança de estratégia de algumas redes. O caso da Fox é o mais exemplar. Após a venda dos estúdios de TV para a Disney (parte de um kit com outras aquisições), a rede da família Murdoch está independente, voltada a ter um leque de programação amplo, com mais espaço para reality shows e eventos esportivos.

Durante boa parte do ano, as noites de quinta (jogos da NFL) e sexta (lutas da WWE) na Fox são dedicadas ao esporte. Isso significa que seis horas da programação por semana ficam sem séries, o que resultou em uma queda abrupta na encomenda de pilotos. Para 2020, a Fox está envolvida com oito séries. No ano passado, 13 atrações foram encomendadas.

E como um ingrediente amargo nesse caldeirão, uma ameaça de greve dos roteiristas provoca temor, pois se uma paralisação for concretizada os estúdios vão parar, e séries deixarão de ser feitas. O contrato vigente do sindicato da categoria com as produtoras termina em 1º de maio.

Na espera do pior, algumas redes tentaram se antecipar ao desastre e encomendaram uma primeira temporada completa de produções sem sequer ver o primeiro episódio. Essa é uma decisão arriscada, mas ao menos há uma garantia de que tal atração ficará pronta antes de maio. A NBC e a CW pediram duas séries nesse modelo; já a ABC encomendou uma.

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