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ANÁLISE

Teste de paciência, Onde Está Meu Coração preza pela estética e deixa emoção de lado

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Leticia Colin fumando um cigarro

Na nova série do Globoplay, Amanda (Leticia Colin) é uma mulher que se perde no mundo das drogas

RAPHAEL SCIRE

raphascire@gmail.com

Publicado em 8/5/2021 - 6h55

Uma jovem médica, de classe alta, vê a vida desmoronar ao se viciar em crack. A premissa de Onde Está Meu Coração, nova série do Globoplay, por si só já poderia causar impacto, mas a verdade é que a história demora a engrenar. Como um carro velho que insiste em não dar partida, a série é um verdadeiro teste de paciência para quem se dispõe a acompanhá-la.

O primeiro problema de Onde Está Meu Coração é que o público leva muito tempo para se conectar ao drama de Amanda (Leticia Colin), e a emoção tão necessária à história parece ofuscada pela estética da direção. Episódio após episódio, a protagonista se revela frágil, assim como as relações familiares que a cercam, mas falta uma fagulha para que a série pegue fogo.

A plasticidade da fotografia traça um retrato sem cor da jovem, e o excesso de imagens desfocadas, somadas aos diálogos pouco construídos, ajuda a compor uma metáfora para a desintegração de uma família já marcada pela desestruturação. Isso tudo, porém, falha no principal: ligar o público afetivamente às personagens.

reprodução/globoplay

Amanda (Leticia Colin) tem recaída

Os cinco primeiros episódios são arrastados, e a história só deslancha --a duras penas, vale ressaltar-- quando Amanda passa a ter recaídas. E são nos momentos em que a protagonista é posta à prova que ela cresce e a interpretação de Leticia Colin ganha força. A angústia da médica viciada, a fissura causada pela abstinência e o esfacelamento emocional de todos ao seu redor ajudam a concretizar o drama.

Já nas cenas menos técnicas visualmente, Onde Está Meu Coração toma corpo, uma vez que as relações humanas ganham mais peso. As brigas com a irmã Julia (Manu Morelli) são um ponto alto da história, pois potencializam ainda mais a carga dramática da protagonista e expõem sua decadência física e moral.

Aliás, Manu Morelli é um dos destaques do elenco, que chama a atenção para um problema recorrente na Globo, evidenciado após as reprises que a emissora colocou no ar: a repetição de nomes. Em Onde Está Meu Coração, há vários rostos que se repetiram em Amor de Mãe (2019), a exemplo de Camila Márdila, Ana Flavia Cavalcanti, Magali Biff e Antonio Benicio.

Por outro lado, é notória a entrega de Leticia Colin, mas seria exagero afirmar que Amanda é o grande papel de sua carreira. Aqui, a direção peca mais uma vez, ao deixar de valorizar a expressão não só da estrela, mas dos atores de um modo geral.

São várias as cenas em que personagens dialogam de costas para câmera, através de frestas nos cenários ou em planos distantes. Tudo isso tem lá seu valor artístico, mas o trabalho dos intérpretes fica em segundo plano.

reprodução/globoplay

David (Fabio Assunção) e Sofia (Mariana Lima)

A ideia de trazer o conflito da dependência química para o seio de uma família rica é interessante, já que mostra que o crack atinge a todos, independentemente de classe social. Ainda assim, faltou um toque "Gilberto Braga" à história para retratar os dilemas da alta classe que vão além das drogas, como as traições familiares e o alcoolismo de David (Fabio Assunção).

Onde Está Meu Coração é um drama potente, só que, diferentemente da protagonista, o público dificilmente consegue se viciar.


Este texto é argumentativo e não expressa necessariamente a opinião do Notícias da TV.


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