Russian Doll

Surtada, nova comédia da Netflix copia filme e flerta com Black Mirror

Imagens: Divulgação/Netflix

Natasha Lyonne, a Nicki de Orange Is the New Black, na primeira temporada da comédia Russian Doll - Imagens: Divulgação/Netflix

Natasha Lyonne, a Nicki de Orange Is the New Black, na primeira temporada da comédia Russian Doll

JOÃO DA PAZ - Publicado em 05/02/2019, às 05h34

[Atenção: Este texto contém spoilers]

Após o primeiro episódio de Russian Doll, é difícil não deixar escapar da boca a frase "Isso é muito Black Mirror". Afinal, ali está uma personagem surtada que morre várias vezes e sempre volta à vida após sofrer algum acidente, como cair da escada ou ser atropelada. O que está por trás desse mistério fascina e coloca a série como uma das melhores surpresas de 2019.

A estrutura da série, com a trama de uma pessoa que vive o mesmo dia repetidas vezes, lembra o filme O Feitiço do Tempo (1993), clássico dos anos 1990. O diferencial da comédia da Netflix é a motivação da protagonista, com questionamentos filosóficos que agradam ao fã de séries como The Good Place, daquelas que fazem pensar.

Lançada na última sexta (1º), Russian Doll caiu no gosto dos críticos. No site Metacritic, que compila reviews de veículos norte-americanos, a atração ganhou a nota 89, altíssima para uma série novata. Como efeito comparativo, a elogiadíssima My Brilliant Friend (HBO) recebeu a nota 87, suficiente para ser a melhor série estreante de 2018 da TV dos Estados Unidos.

Russian Doll acompanha Nadia (Natasha Lyonne, a Nicky Nichols de Orange Is the New Black), uma ninja da computação que celebra o aniversário de 36 anos na casa de uma de suas melhores amigas, a cativante Maxine (Greta Lee). Ao sair à procura de seu gato perdido, Nadia é atropelada por um táxi, cena exibida antes mesmo de terminar o primeiro episódio.

Poster que mostra uma boneca russa de Russian Doll

A partir daí, o telespectador entra no loop da vida da personagem, que volta ao banheiro da casa de Maxine e revive instantes que não saem da sua memória. Até morrer de novo.

Entender o significado do nome da série (Boneca Russa, em português) ajuda a captar o sentido dessa trama. É como se Nadia fosse uma dessas bonecas russas e dentro dela existissem versões idênticas de si mesma, como mostra o pôster ao lado.

A série deixa a dúvida: Toda essa piração é uma brisa da Nadia, que coloca a culpa num cigarro de cocaína cabuloso oferecido por Maxine, ou ela de fato tem o poder de ressuscitar? Seja qual for a motivação, a engenheira de software neurótica quer saber por que está nesse loop. Será que ela precisa resolver algum problema ou cumprir uma tarefa para sair dessa armadilha?

O convite para entrar na mente de Nadia leva o telespectador a se deparar com situações cômicas, como a recusa a descer escadas, pois ela lembra que já morreu nessa situação trivial do cotidiano e não quer repetir a dose.

Composta por oito episódios, que não passam de 30 minutos cada, Russian Doll tem no time de criadores, produtores-executivos e roteiristas a brilhante Amy Poehler, humorista com currículo invejável, conhecida pela comédia Parks and Recreation (2009-2015) e por marcantes apresentações no Globo de Ouro.

Muito bem filmada e totalmente experimental, a arrebatadora comédia da Netflix tem somente um pequeno desconforto.

Quem viu Natasha Lyonne dar um show em Orange is the New Black, na pele da também maluca Nicky Nichols, pode estranhar ao vê-la em Russian Doll, pois a atriz parece que interpreta a mesma personagem em ambas as séries, com os mesmos cacoetes e estilo. Mas essa impressão é passageira, desaparece logo.

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