SAMANTHA!

Simony da Netflix é o capeta: rouba prótese de perna e faz criança chorar

Fotos: Fabio Braga/Netflix

Emanuelle Araújo e Ary França em cena do primeiro episódio de Samantha!: mimada e encapetada - Fotos: Fabio Braga/Netflix

Emanuelle Araújo e Ary França em cena do primeiro episódio de Samantha!: mimada e encapetada

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 05/07/2018, às 05h38

Samantha!, nova comédia nacional da Netflix, mostra uma ex-estrela mirim que se envolve com um presidiário e faz de tudo para voltar à fama. As comparações com Simony são derrubadas por seus criadores, e por um motivo simples: a personagem é o capeta. Na infância, ela chega a roubar a prótese da perna de uma pessoa deficiente; já adulta, faz uma criança chorar durante uma competição musical no estilo The Voice Kids.

Interpretada por Emanuelle Araújo (e por Maria Eduarda em flashbacks dos anos 1980), a cantora e apresentadora do infantil Turminha Plimplom já foi considerada a criança mais amada do Brasil e chegou a se apresentar para um Maracanã lotado. Tudo dentro do contexto fictício da série, que estreia nesta sexta-feira (6).

Só que o sucesso subiu à cabeça da menina prodígio, que passou a atormentar todos à sua volta, dos colegas de palco aos profissionais de bastidores, como maquiadores e figurinistas. Aos 18 anos, posou nua para uma revista masculina e se casou com o ex-craque Dodói (Douglas Silva) enquanto ele ainda estava preso _parece (muito) a história de Simony, mas todos os envolvidos juram que não é.

Trinta anos depois, Samantha colhe os frutos (podres) de tudo o que plantou. Ela faz apresentações em casas noturnas sujas e frequentadas pelos poucos fãs que lhe sobraram, serve de inspiração para uma garota de programa (Alice Braga, também produtora da série) e lida com a insistência de seu empresário golpista (Daniel Furlan) para que aceite o convite para estrelar um filme pornográfico.

Seu único elo com o passado é Zé Cigarrinho (Ary França), ex-mascote Plimplom, único amigo que Samantha ainda tem e conselheiro oficial para a carreira dela _é ele, por exemplo, quem sentencia a morte da televisão no primeiro episódio após a ex-estrela dizer que quer voltar a brilhar em um novo programa de TV.

O comportamento de Samantha passa longe do de uma heroína, mas condiz com seu universo. Assim, é perfeitamente possível que Samantha aceite um casamento de fachada com um cantor romântico (Paulo Tiefenthaler) apenas para ser estrela do reality show que acompanha a vida dele. Ou virar a jurada mais malvada do talent show Enjaulados Kids, mesmo que isso leve as crianças participantes às lágrimas.

A atriz Maria Eduarda em cena de Samantha! em que a estrela mirim maltrata a figurinista

"Acho que os anos 1980 tinham uma acidez, um sarcasmo, um tom absurdo. A ausência da obsessão atual pelo politicamente correto parece ser uma mensagem para os dias de hoje, um momento em que buscamos tanto nos entendermos e nos respeitarmos", explica o criador da série, Felipe Braga, ao Notícias da TV.

"O politicamente incorreto está na aura da Samantha. Apesar de estar em 2018, ela continua vivendo naquela mentalidade dos anos 1980, dentro do universo particular dela. Ela é uma mulher apaixonada, mas a paixão dela é a fama, e na lógica própria dela tudo é válido para atingir os holofotes. Entender isso foi muito importante, porque tirou qualquer julgamento que eu poderia ter sobre ela", defende Emanuelle.

Tiro certo
Maldades à parte (ou por causa delas), Samantha! é um grande acerto da Netflix em sua primeira incursão nacional pelo humor. As referências saudosistas para quem viveu nos anos 1980 atingem seus alvos e divertem. Mas mesmo quem não é da época vai dar boas risadas com as situações criadas pela ex-estrela falida.

A série também dispara sua metralhadora de críticas para a atual cultura de celebridades por meio da personagem Laila (Lorena Comparato), uma influenciadora digital que expõe todos os detalhes de sua vida para milhões de seguidores nas redes sociais, mas é famosa por motivos que ninguém entende quais são.

E a comédia também ganha um pouco de sentimento na relação de Samantha e Dodói com os dois filhos, Cindy (Sabrina Nonata) e Brandon (Cauã Gonçalves). A primeira é feminista e engajada socialmente, sempre pronta para defender o meio ambiente; o segundo, neurótico e adulto demais para aproveitar a infância, chega a liderar uma rebelião de crianças presas em um playground.

"A maternidade tira a Samantha do esteréotipo. Ela é fascinada pela fama, mas é uma mãe extremamente presente, criou os dois filhos sozinha, e não tenta limitá-los. Acho lindo que a personagem tenha o seu objetivo, mas que isso não interfere nos afetos dela, na relação com os filhos, com o Dodói", ressalta Emanuelle.

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