Religião na TV

Quem são os poucos personagens cristãos que se salvam no mundo das séries

Divulgação/NBC

Com camisa desbotada, o ator Kyle Chandler posa para foto na pele do treinador Taylor da série Friday Night Lights

Kyle Chandler na pele do treinador Eric Taylor na série Friday Night Lights; ensinamento cristão aos jogadores

JOÃO DA PAZ - Publicado em 10/04/2020, às 05h18

Embora os cristãos sejam a maioria (65%) da população adulta norte-americana, a representação deles na TV é quase sempre degradante. A tônica dominante das séries é ridicularizar a fé, com pastores corruptos e fiéis abobalhados, fanáticos. Mas há aqueles personagens que se salvam, por assim dizer, desse estigma e dão bons exemplos.

É o caso da vovó Alba Villanueva (Ivonne Coll), da comédia Jane The Virgin (2014-2019, Netflix e Lifetime), uma católica fervorosa que buscou repassar a fé para a neta (que absorveu um pouquinho) e a filha (essa não aderiu muito).

Ou o treinador Taylor (Kyle Chandler), do drama Friday Night Lights (2005-2011), que inseria nas orientações aos seus atletas ensinamentos que aprendia na igreja, onde batia cartão todo domingo de manhã.

Nesta Sexta-Feira Santa (10), saiba mais sobre esses e outros três personagens de séries que são bons cristãos (ao menos tentam ser):

Alba Villanueva, de Jane The Virgin

A boa velhinha Alba Villanueva (Ivonne) cumpriu uma função bem clara em Jane The Virgin: representar aquela vovó amável que muitos dos telespectadores latinos e brasileiros têm ou tiveram, aquela que faz bolos maravilhosos. Para tanto, Alba foi uma católica devota, com uma crença em Deus pura, de que Ele está no controle de tudo e guiará o seu servo pelos melhores caminhos.

Alba carregou dentro de si o tradicionalismo religioso da Venezuela dos anos 1960, seu país de origem antes de se mudar para Miami (EUA). Na comédia, ela defendeu valores católicos com unhas e dentes e procurou passar isso para a neta Jane (Gina Rodriguez), ao falar para ela ainda criança a preservar a virgindade ao máximo, dando para a garota uma flor, símbolo da série. Porém, la abuela não era dona de um passado tão santo assim. Afinal, quem é perfeita?

Por isso, a Alba de Jane The Virgin é uma amostra perfeita de uma católica devota, que mesmo com seus defeitos, só quer fazer o bem para o próximo (cumprindo um mandamento).

Eric Camden, de Sétimo Céu

Chamada no Brasil de Sétimo Céu, a série 7th Heaven (1996-2007) tinha uma família cristã no centro. O patriarca do clã Camden era Eric (Stephen Collins), reverendo protestante que batizou seus filhos se inspirando nos nomes de pessoas relatadas na Bíblia. Os episódios continham pregações e instruções de Eric e sempre narravam uma história de caridade, esperança e outros valores cristãos.

Durante 11 temporadas, Sétimo Céu foi uma propaganda cristã em um meio (TV) avesso a ela. A série fez muito sucesso por adotar a tática de contar boas novas, com cada capítulo apresentando a solução de um determinado problema. Foi uma atração confortável para muita gente.

Contudo, alguns cristãos mais fervorosos não curtiam o tipo de mensagem que Sétimo Céu transmitia. Essencialmente, apontavam que o drama familiar não era cristão propriamente dito, por não usar o nome de Cristo de forma explícita. As mensagens tinham um teor cristão sim, mas para os haters não usar Cristo claramente era uma forma de maquiar o conteúdo para não perder telespectadores.

Ivonne Coll viveu Alba Villanueva em Jane The Virgin, uma vovó católica devota e tradicional


Eric Taylor, de Friday Night Lights

O ator Kyle Chandler tem um Emmy pela sua atuação como o treinador Taylor no drama Friday Night Lights. Chandler eternizou um dos personagens mais importantes e influentes da década passada. Ele era um americano tradicional, do interior, que não perdia um culto nas manhãs de domingo.

Taylor foi o treinador do time de futebol da escola de ensino médio Dillon, no Estado do Texas. Um motivador incorrigível, ele aplicava no seu dia a dia o que ouvia nos sermões da igreja. Seus ensinamentos, dentro e fora de campo, edificavam e guiavam a vida dos seus jovens atletas, muitos sem uma figura paterna dentro de casa. Para os jogadores, Taylor era mais do que um treinador, era um guru.

Kenneth Parcell, de 30 Rock

É possível sim que uma comédia tenha um personagem genuinamente cristão. Porém, vale uma ressalva: como se trata de uma comédia, vai ter umas ironias aqui e ali, afinal se perde o amigo, mas a piada não. Em 30 Rock (2006-2013), o sorridente Kenneth Parcell é o crente da vez, fiel da fictícia igreja Oitavo Dia da Ressureição da Aliança da Santa Trindade, nome que é uma verdadeira salada de termos vistos em templos mundo afora.

Kenneth emulou sentimentos e comportamento de muitos cristãos (lembrando, sempre com muito bom humor). Como quando ele aconselhou um colega a pensar em Deus para não trair a esposa. Ele não bebia e criticava com frequência filmes que não tinham uma moral cristã.

Ele estudou em uma faculdade de Teologia e costumava dizer que só lia a Bíblia em alemão, pois era a única maneira de entender a mensagem da palavra sagrada como deveria ser.

Shirley Bennett, de Communnity

Assim com 30 Rock, a comédia Communnity (2009-2015, Amazon e Netflix) tem sua personagem cristã. A batista Shirley Bennett (Yvette Nicole Brown) pode ser para alguns telespectadores um estereótipo do que há de pior em um crente, como se as características de muitos fossem sintetizadas em um único ser. Na verdade, Shirley foi uma personagem engraçada, e suas atitudes eram caricaturas de cristãos. 

Ela, por exemplo, vivia cercada de amigos de outras religiões, como judeus, muçulmanos e até ateus. Shirley brincava com sua amiga Annie, judia, dizendo que um dia a convidaria para uma festa na piscina (piscina é onde ocorre o batismo da Igreja Batista). A série brinca com a língua solta da fofoqueira Shirley, do tipo que ficava com raiva se ninguém trouxesse presentes para Jesus no Natal.

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