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Banho de sangue

Narcos da Amazon, ZeroZeroZero abusa da violência com fuzilamento à luz do dia

Imagens: Divulgação/Sky Atlantic

O ator Harold Torres em imagem da minissérie ZeroZeroZero; armas de grosso calibre marcam presença

O ator Harold Torres em imagem da minissérie ZeroZeroZero; armas de grosso calibre marcam presença

JOÃO DA PAZ

Publicado em 5/3/2020 - 5h07

Espécie de Torre de Babel da cocaína, a minissérie ZeroZeroZero retrata o tráfico de drogas em escala global, gravada em três continentes e falada em seis idiomas. Com máfia italiana e miliciano mexicano evangélico, a Narcos da Amazon abusa da violência explícita e mostra imagens muito fortes para a TV, como fuzilamento à luz do dia. A proposta da atração é espelhar na ficção o que acontece de verdade no submundo do crime.

O drama composto de oito episódios entra no Prime Video, o streaming da Amazon, nesta sexta-feira (6). ZeroZeroZero faz referência a uma gíria que traficantes europeus usam para explicar que a cocaína é pura, da melhor qualidade. Esse termo é o título do livro no qual a minissérie se baseia. A obra foi escrita por Roberto Saviano, autor de Gomorra e criador da produção homônima.

Fácil de assistir, ZeroZeroZero acompanha a trajetória de uma carga com 5 toneladas de cocaína, que sai dos Estados Unidos em um navio rumo à Itália. Os episódios contam as histórias de quem está por trás dessa operação: um cartel mexicano, a máfia 'Ndrangheta (situada na região da Calábria, na Itália) e empresários norte-americanos.

ZeroZeroZero demorou quase um ano para ficar pronta. As gravações foram feitas em Senegal, México, Itália, Marrocos e Estados Unidos. O telespectador ouvirá diálogos em inglês, espanhol, italiano, francês, árabe e até em wolof (idioma falado na África Ocidental).

O elenco conta com Andrea Riseborough (Birdman, Black Mirror), Dane DeHaan (Valerian e a Cidade dos Mil Planetas) e Harold Torres (El Chapo), além do indicado ao Emmy Gabriel Byrne (In Treatment). O time de diretores inclui mais profissionais de renome, como o argentino Pablo Trapero (O Clã) e Janus Metz (True Detective)

A atriz adolescente Sofía Martinez interpreta no drama uma garota vítima de bala perdida  


Sangue, muito sangue

Se por um lado a trama é simples de entender, sem nenhuma teoria mirabolante, a violência que expõe não é para qualquer um. As cenas são pesadas. Há de fuzilamento de civis em plena luz do dia a tortura impiedosa. Tem ainda tiroteio no meio de um comércio de rua, bala perdida que atinge criança, carro-bomba, terror em uma boate... E por aí vai. O telespectador de Gomorra que assistir a ZeroZeroZero notará algumas semelhanças entre as atrações nesse quesito.

A Narcos da Amazon intercala os passos de todos os envolvidos nessa grande transação criminal e apresenta como a cocaína afeta a vida de pessoas ao redor do mundo, de diferentes classes sociais. O negócio pode prejudicar ou favorecer desde um homem rico na cidade de Nova Orleans (Estados Unidos) a uma jovem grávida moradora de uma comunidade carente em Monterrey (México).

O drama familiar também marca presença na produção. Neto e avó brigam pelo comando da máfia 'Ndrangheta na Itália. Em outro canto do planeta, nos EUA, uma filha tenta convencer o pai, magnata dos portos na região do Golfo do México, a largar a parceria com o crime organizado. Mas um dos personagens mais intrigantes vem do país latino ao sul do território americano.

O crente Manuel (Harold Torres) fica entre a cruz e a metralhadora, entre a fé e o crime 

Logo de cara, o telespectador será fisgado por Manuel Contreras (Harold Torres), um soldado do Exército mexicano envolvido em uma força-tarefa que combate o tráfico de drogas. Isso porque, durante uma tortura ou um tiroteio, ele coloca um fone no ouvido para ouvir pregações cristãs, de cunho pentecostal.

Fiel de ir à igreja frequentemente, em um templo que lembra a Igreja Universal do Reino de Deus, Manuel justifica suas ações violentas como um chamado de Deus. Apelidado de Vampiro, ele chega ao extremo de formar uma milícia para criar um poder paralelo nas favelas mexicanas. Tudo, claro, sob uma suposta bênção divina.

As contradições de ZeroZeroZero atraem o público que admira uma minissérie criminal bem elaborada e feita com esmero. A fotografia é excelente, os atores são bons e o roteiro é original, com muitas surpresas e peculiaridades. Os capítulos extensos, todos com quase uma hora de duração, não devem assustar o público. Parafraseando uma máxima futebolística: série boa passa rápido.

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