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HORA DA REVISÃO

Não entendeu nada de Dark? Física e filosofia são chave para a série da Netflix

DIVULGAÇÃO/NETFLIX

Louis Hofmann caracterizado como Jonas Kahnwald na terceira temporada de Dark; ator usa moletom preto

Jonas (Louis Hofmann) na terceira temporada de Dark; física e filosofia norteiam a trama da Netflix

Dark (2017-2020) terminou em 27 de junho, mas alguns fãs ainda têm dúvidas sobre a série alemã. Como em qualquer bom título de ficção científica, os criadores Baran bo Odar e Jantje Friese tomaram a liberdade de usar conceitos da física e filosofia para embasar os nós que criaram. O Notícias da TV elenca quais são as chaves para entender a narrativa.

[Atenção: o texto contém spoilers]

Na primeira temporada, o espectador é apresentado ao paradoxo de Bootstrap. O termo é introduzido pelo relojoeiro H. G. Tannhaus (Christian Steyer) para explicar a origem de alguns itens presentes na narrativa de Dark, como o livro Uma Jornada Através do Tempo.

O título é apresentado como uma obra de Tannhaus que explica como é possível viajar pelo tempo. No entanto, no decorrer da narrativa, o público vê que Claudia Tiedmann (Lisa Kreuzer) vai até o passado para entregar o livro a um versão mais jovem do personagem. 

Afinal, de onde veio a obra? Quem o escreveu? A resposta da complexa questão é ninguém. O item não foi criado, ele é uma anomalia da viagem no tempo. Só existe porque foi possível enviá-lo ao passado para que o seu "suposto" autor pudesse ter as informações necessárias para publicá-lo.

A prática também se aplica à máquina do tempo que a personagem de Lisa Kreuzer usa no decorrer da narrativa. A Claudia de 2019 entrega o objeto para sua versão de 1986 para que ela possa começar sua jornada através das décadas e entender as anomalias criadas pelo fluxo temporal.

Em outra cena, a narrativa mostra que a filha de Egon Tiedemann (Christian Pätzold) entrega uma ferramenta para Tannhaus à procura de reparos. No entanto, o homem alega desconhecer tal objeto, pois o apetrecho seria construído por ele apenas anos mais tarde. Mas se o acadêmico criou a invenção com base nas peças deixadas no passado, quem é de fato o dono da máquina? Pois é, ninguém. 

REPRODUÇÃO/NETFLIX

Hora da revisão? Não, é aula de H. G. Tannhaus (Christian Steyer) na última temporada de Dark


O famoso Gato de Schrödinger

Já nos episódios finais da saga de Dark, o público é apresentado a outro conceito da físíca para entender mais um nó criado. No oitavo episódio da terceira temporada, H.G. Tannhaus quebra a quarta parede e se dirige diretamente ao espectador para explicar o gato de Schrödinger.

Quem é fã de The Big Bang Theory (2007-2019) também deve lembrar que o termo foi citado por Sheldon (Jim Parsons). O experimento foi criado pelo físico austríaco Erwin Schrödinger (1887-1961) para explicar o conceito de superposição e a probabilidade na mecânica quântica. 

O experimento mental consiste em um gato preso dentro uma caixa com uma pequena amostra de material radiotivo, um contador gêiger e um martelo. Caso o contador indique que nível de radiação decaiu, ele aciona o martelo que quebrará o vidro, e o veneno matará o gato. Caso isso não aconteça, o animal sobrevive.

No entanto, como essas duas variáveis são possíveis de acontecer, o observador só saberá do estado do animal se a caixa for aberta. Enquanto a embalagem estiver fechada, as possibilidades de o gato estar vivo e morto coexistem. 

Esse conceito é explicado para mostrar como Jonas (Louis Hofmann) ainda pode estar vivo no universo de Dark. Quando o protagonista é resgatado por Martha (Lisa Viccari) do Apocalipse, episódios mais tarde revelam que o personagem de Louis Hoffman foi morto em uma emboscada da versão mais velha da garota. 

No entanto, em uma das possibilidades apresentadas, Martha foi impedida por Bartosz (Paul Lux) de socorrer o amado. Jonas acaba sobrevivendo ao Apocalipse quando se esconde no sotão de sua casa. Essa será a versão do personagem responsável por finalizar o enredo de Dark. 

reproduçÃo/netflix

Enfim salvos e donos de si; última cena de Dark mostra personagens em mundo livre dos nós


Fim filosófico

As referências filosóficas durante a trama de Bo Odar e Friese são inúmeras. Mas vale destacar como o fim da trama pode ser explicado pela corrente filosófica do determinismo. Nela, é explicado que tudo que acontece no mundo é estabelecido por relações de causalidade. Não há livre-arbítrio, todas as escolhas do indíviduo levarão ao mesmo caminho. 

Nas duas primeiras temporadas, todas as ações que Jonas e Claudia tomam para evitar o Apocalipse são inúteis. E, na verdade, serão justamente elas que levarão a narrativa a se aproximar ainda mais do trágico evento. 

O mundo foi estabelecido para andar em ciclos em que Martha e Jonas são a origem, não importa qual decisão tomada pelos personagens. Tudo irá começar e acabar com o casal principal de Dark. 

Quando o ciclo é finalmente quebrado, tem origem um mundo que não é regido por essas leis. A última cena mostra justamente como é a vida dos personagens sem estarem presos a essa condição.

Nessa dimensão, Hannah (Maja Schöne) e Katharina (Jördis Triebel) são amigas, já que Ulrich Nielsen (Oliver Masucci) não existe, Peter Doppler tem um casamento feliz com Bernadette Wöller (Anton Rubtsov), e Regina Tiedemann (Deborah Kaufmann) nunca morreu de câncer.


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