Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
twitter
Instagram
YouTube

Jornada exaustiva

A história de Locke & Key, série da Netflix que demorou 12 anos para sair do papel

Divulgação/Netflix

Os atores Emilia Jones e Jackson Robert Scott na primeira temporada de Lock & Key, série da Netflix

Os atores Emilia Jones e Jackson Robert Scott na primeira temporada de Lock & Key, série da Netflix

JOÃO DA PAZ

Publicado em 6/2/2020 - 4h50

A TV norte-americana nunca teve uma série como Locke & Key, que chega à Netflix nesta sexta-feira (7) após enfrentar uma jornada exaustiva e alucinante para sair do papel. Baseada em uma HQ cultuada, o drama passou por uma rede de TV aberta (Fox), um streaming (Hulu) e teve dois episódios jogados no lixo até finalmente estrear.

Lançados em 2008, os quadrinhos de Locke & Key conquistaram os fãs com uma rapidez estrondosa, e a primeira edição esgotou logo no primeiro dia. Criada e escrita por Joe Hill, filho do renomado autor Stephen King, a trama acompanha a família Locke, com três irmãos e uma matriarca que se mudam para uma velha mansão, a Key House. Lá, eles descobrem que o local está repleto de chaves mágicas, com poderes únicos.

Quase que imediatamente, ainda em 2008, a produtora Dimenson Films (que fez a franquia Pânico e a série The Mist, baseada em uma obra de King) adquiriu os direitos da HQ. Na época, o site da Variety publicou que a ideia era transformar a história em várias produções, no cinema ou na TV. Começa aí a peregrinação.

A adaptação seria feita pela dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman, então em alta como roteiristas de Transformers (2007) --depois, eles escreveram Star Trek (2009) e O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro (2004). Só que o projeto não vingou e entrou em pausa.

Em 2010, ele ressuscitou. A Fox encomendou o piloto da série, com nada menos do que o cineasta Steven Spielberg na produção. A divisão de TV da DreamWorks, cofundada por Spielberg, ficou com a missão de gravar as páginas da HQ.

No começo, tudo foi maravilhoso. A Fox estava empolgada para entrar no nicho das séries baseadas em HQ (The Walking Dead acabara de estrear no canal AMC) e tudo foi feito conforme a cartilha. O elenco foi escolhido e o piloto (primeiro episódio), gravado. Mas a rede ficou em uma encruzilhada e, entre duas séries de alto custo, optou por Alcatraz (2012), de J.J. Abrams, que não passou de uma temporada.

Locke & Key foi rejeitada. Mas, antes de jogar o piloto no lixo, a DreamWorks tentou vender a série para outras vitrines. A MTV mostrou interesse e por pouco não a comprou. Mas a produção era muito cara, e o canal musical desistiu. O piloto foi exibido na San Diego Comic-Con de 2011. Foi seu último sinal de vida.

divulgação/Netflix/Idw Entertainment

Imagem de Locke & Key da Netflix ao lado de um desenho da HQ; dificuldade na adaptação

Dois anos depois, em 2013, a Universal anunciou que produziria um filme da HQ, que conquistou o rótulo de best-seller do jornal The New York Times. A ideia era ambiciosa, fazer uma trilogia. O novo projeto também fracassou. A Universal tentou até desenvolver uma série, mas não rolou.

Com os streamings em polvorosa atrás de séries no fim desta década, a Hulu encomendou um piloto de Locke & Key, em 2017. E, mais uma vez, parecia que o negócio iria para a frente. Foram contratados atores, e o showrunner, pessoa que comanda todos os aspectos da série, seria Carlton Cuse (Lost). O piloto foi gravado e a equipe de roteiristas já estava trabalhando com tudo, com cerca de sete episódios escritos, prontos para serem gravados, quando a Hulu abortou a série.

O streaming analisava quatro pilotos de séries diferentes, e apenas um vingaria. Os executivos ficaram divididos entre Runaways (2017-2019) e Locke & Key. Houve um racha, pois o diretor de conteúdo da empresa (Joel Stillerman) queria a segunda, porém o diretor-executivo (Randy Freer) preferia a série teen da Marvel, que acabou sendo a escolhida --Stillerman foi quem lançou The Walking Dead na AMC.

De bate-pronto, Netflix e HBO se interessaram pela versão de Cuse. No fim das contas, a gigante do streaming anunciou, em julho 2018, que faria a sua Locke & Key, com uma cara diferente da que foi entregue para a Hulu. Ou seja, mais um episódio jogado no lixo. Cuse, no entanto, manteve o cargo de showrunner na nova casa.

Mundo delirante

Agora, finalmente, o público poderá assistir a Locke & Key. A HQ com 48 edições publicadas tem páginas difíceis de serem adaptadas em uma versão de carne e osso, devido aos delírios que o desenhista Gabriel Rodriguez imprimiu nas páginas. Ao menos pelas primeiras imagens divulgadas, parece que a Netflix chegou perto desse universo fantástico.

A série Locke & Key tem no elenco Sherri Saum (Limetown), Emilia Jones (Utopia), Darby Stanchfield (Scandal), Connor Jessup (que brilhou na segunda temporada de American Crime) e Laysla De Oliveira (The Gifted), atriz canadense de pais brasileiros. Veja abaixo vídeo da Netflix (legendado em português) explicando como as páginas da HQ foram adaptadas para a série:

Leia também


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Mais lidas

Enquete

Você acha que a Globo deu um tiro no pé em reprisar uma novela tão recente como A Força do Querer?

Sim, 2017 é logo ali
21.50%
Não, a novela merece ganhar esse espaço atual
18.71%
Vacilaram, tinham outras opções
42.04%
Não vejo, não sou capaz de opinar
17.75%