Fim da terceira temporada

Handmaid's Tale ensina Game of Thrones a fazer episódio escuro que dá para assistir

Divulgação/Hulu

Bradley Whitford e Elisabeth Moss no fim da terceira temporada de The Handmaid's Tale; vela ilumina tudo - Divulgação/Hulu

Bradley Whitford e Elisabeth Moss no fim da terceira temporada de The Handmaid's Tale; vela ilumina tudo

JOÃO DA PAZ - Publicado em 25/08/2019, às 05h25

[Atenção: este texto contém spoilers]

Os dois últimos dramas vencedores do Emmy compartilham agora outra coisa além das estatuetas. The Handmaid's Tale e Game of Thrones (2011-2019) tiveram episódios decisivos feitos na escuridão. Mas, enquanto o fã da trama fantasiosa não viu a maior batalha na TV de todos os tempos, o de Handmaid’s Tale pôde acompanhar o capítulo de sua série claramente.

Intitulado de Mayday (termo náutico e de aviação para emergências, usado para pedir ajuda), o desfecho do terceiro ano de The Handmaid's Tale entrou no Paramount+, braço do Paramount Channel no Now, no sábado (24). Foi a conclusão da fuga de crianças orquestrada por June (Elisabeth Moss).

Em The Handmaid's Tale, a noite foi usada estrategicamente na escapada das meninas de Gilead, regime teocrático e opressor a mulheres que domina os Estados Unidos. No meio de uma floresta densa, June liderou a debandada com o auxílio de criadas e marthas. O destino era o avião que levou as crianças para o Canadá.

Mesmo no escuro, o telespectador viu nitidamente o passo a passo dessa evasão, desde as cenas na casa do Comandante Lawrence (Bradley Whitford) até aquelas entre árvores e matos. Havia pouca luz, proveniente de velas, lâmpadas ou mesmo natural (da lua). Mas a produção fez um trabalho impecável ao transmitir essa sensação de breu sem frustrar o público com imagens de difícil assimilação.

Foram cerca de 30 minutos de escuridão, tempo no qual o público de The Handmaid's Tale assistiu com clareza às reações de susto, medo, apreensão e temor nas faces dos personagens com o desenrolar do plano de fuga.

Essa experiência foi totalmente oposta ao que ocorreu com o grande clímax de Game of Thrones, aguardado com enorme expectativa, pois foi prometido ao público a maior batalha já gravada na história do audiovisual. O confronto exibido no terceiro episódio da oitava temporada, entre os White Walkers e os sobreviventes, ocorreu durante a noite. E não deu para entender nada.

O telespectador teve de se virar nos 30 para tentar decifrar o que estava acontecendo. Apagar a luz da sala e mexer nas configurações do televisor foram alguns dos truques. Mesmo assim, era impossível ver quem matou quem. Houve momentos nos quais a tela ficou completamente preta.

Não à toa, o episódio em questão virou piada. No humorístico Saturday Night Live, o comediante negro Kenan Thompson soltou essa: "Eu preciso ser sincero, eu não vi o último episódio. Eu até assisti, mas não pude ver nada. Você sabe que o programa está escuro demais quando não consegue enxergar nem as pessoas brancas".

reprodução/hulu

Vencedora do Emmy, Elisabeth Moss sai na frente para repetir a dose na premiação de 2020


June virou mártir

A terceira temporada foi uma verdadeira montanha-russa para The Handmaid's Tale. O começo foi bom, com a promessa de uma revolução contra Gilead e seus homens poderosos. Porém, a série entrou em um marasmo agonizante e só atingiu o ápice na reta final. Cambaleante, o drama acertou o prumo e coroou Elisabeth Moss.

O ponto máximo foi atingido no antepenúltimo episódio (o 11º), com June triunfando contra o manipulador Comandante Winslow (Christopher Meloni), morto por ela e incinerado. Serena (Yvonne Strahovski) deu uma virada no marido tirano Fred Waterford (Joseph Fiennes), entregando-o a autoridades canadenses. Ele acabou preso, por crimes de guerra e violação de direitos humanos.

Os três episódios da reta final da terceira temporada reviveram The Handmaid's Tale e minaram a jornada estéril que June tinha até então. Ela voltou a ser cordeirinha da tia Lydia (Ann Dowd), regressou ao jugo de Serena e foi novamente estuprada.

Após matar um comandante e ter êxito ao completar a fuga das crianças para o Canadá, June ganhou o status de mártir de nível bíblico entre as criadas e marthas. Nas cenas finais, ela foi ferida com um tiro e resgatada por seis criadas.

Nessa sequência, a versão narradora de June fez referência a uma passagem no livro de Êxodo, da Bíblia, citando a saída dos judeus escravos do Egito "para uma terra que mana leite e mel".

Como aconteceu no fim da temporada anterior, June escolheu ficar. Tudo para tentar resgatar Hannah (Jordana Blake), sua filha com Luke (O.T. Fagbenle). Alvo certo de Gilead assim que os poderosos descobrirem essa fuga de crianças, June tem como alento a possibilidade de ser, de novo, amparada por Lawrence, um dos homens mais importantes do governo, que a ajudou na execução do plano.

June se tornou tão cruel quanto os homens do regime contra o qual ela luta. Estratégia de sobrevivência. A transformação de June, impiedosa até conseguir o que deseja, coroa a atuação de Elisabeth Moss, vencedora do Emmy pela série. A atriz fez um trabalho formidável, com expressões impagáveis e mais um trabalho que a coloca na frente da corrida pelo Oscar da TV do ano que vem.

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