PRECONCEITO?

Fenômenos no cinema, asiáticos ainda lutam por espaço na televisão

Divulgação/Sony Pictures

O ator John Cho em cena do filme Buscando..., sucesso de bilheteria nos Estados Unidos - Divulgação/Sony Pictures

O ator John Cho em cena do filme Buscando..., sucesso de bilheteria nos Estados Unidos

LUCIANO GUARALDO, de Nova York - Publicado em 11/09/2018, às 05h27

O bom momento dos atores asiáticos no cinema norte-americano não se estende para a televisão. Pelo menos na opinião do ator sul-coreano John Cho, astro do filme Buscando..., fenômeno de bilheteria das últimas três semanas. Ele já esteve no elenco fixo de séries como Flashforward (2009-2010), Sleepy Hollow (2013-2017) e O Exorcista (2016-2017).

"O negócio é o seguinte... Nós até temos asiáticos na televisão. Mas a pergunta que precisamos fazer é: que tipo de papéis eles estão fazendo? E, em um segundo nível, existe um sistema no qual atores asiáticos são considerados para papéis de protagonistas? Acho que não. E esse é o maior problema", diz Cho ao Notícias da TV.

O debate sobre a representatividade de orientais veio à tona pois, só no último mês, três filmes estrelados por asiáticos roubaram a cena em meio às superproduções de Hollywood: o fenômeno foi apelidado de #AsianAugust (ou agosto asiático).

O primeiro longa foi Podres de Ricos, que resgatou atores do fracasso Marco Polo e teve a melhor estreia de uma comédia romântica nos EUA em três anos. Em quatro semanas, a produção arrecadou US$ 164 milhões (R$ 670 milhões). E ainda nem estreou no mundo todo _ele só chega ao Brasil em 25 de outubro.

Depois, veio o fofo Para Todos os Garotos que Já Amei, investida da Netflix no gênero adolescente e que trouxe a vietnamita Lana Condor como estrela. Apesar de a plataforma de streaming não divulgar números, a produção fez barulho nas redes sociais e transformou Lana e seu colega Noah Centineo em queridinhos dos jovens.

Por fim, há o próprio Buscando..., sobre um pai de família (Cho) que se desespera com o sumiço da filha e começa a procurar pistas no computador dela. A trama é toda contada por meio de aparelhos tecnológicos como celulares, webcams e aplicativos de mensagens. Rodado em apenas 13 dias e com um orçamento baixíssimo, o longa já arrecadou US$ 32 milhões (R$ 131,5 milhões) no mundo todo.

jordin althaus/abc

Elenco da série Fresh Off the Boat: primeira comédia estrelada por família oriental em 21 anos

Mas essa representatividade na telona ainda não foi transposta para a televisão. Até há casos isolados, como o de Fresh Off the Boat (primeira comédia familiar com asiáticos da TV em 21 anos), que conta com um elenco majoritariamente oriental _mas a escalação se deve ao fato de a série ser baseada na infância do chef Eddie Huang, cujos pais nasceram em Taiwan.

"Não é só uma questão de contar os rostos orientais na TV e ver que esse número está crescendo. Sinto que os atores asiáticos como eu precisam basicamente ser como Jackie Robison [primeiro jogador negro de beisebol dos Estados Unidos], os melhores de suas áreas, para que tenham uma chance mínima. Porque o sistema não está preparado para procurar por gente como você e eu. Até que isso tudo mude, nós não conseguimos conquistar coisa nenhuma", detona ele. 

Chloe Bennet só conseguiu papéis em séries após abrir mão do sobrenome chinês (Divulgação/ABC)

Um caso extremo é o da atriz Chloe Bennet, que interpreta a super-heroína e hacker Daisy "Skye" Johnson na série Agents of Shield. Filha de pai chinês e nascida Chloe Wang, ela sentiu que era rejeitada por diretores de elenco por causa do sobrenome, mesmo não tendo um look oriental. 

Depois de mudar o nome artístico, Chloe conseguiu um papel coadjuvante no drama Nashville (2012-2018) até ser escalada para a superprodução baseada em quadrinhos da Marvel.

"Eu sempre tive um sobrenome asiático e um rosto asiático, então não consigo 'trapacear' o sistema como ela fez", brinca Cho. "Mas eu acho que é enganoso que o público ligue a TV, conte os rostos orientais e ache que a situação está melhorando. Pode ser verdade hoje e não ser mais assim amanhã", ressalta o ator.

A representatividade asiática na TV norte-americana deixa tanto a desejar que Sandra Oh fez história ao se tornar a primeira atriz de ascendência oriental a ser indicada à categoria de protagonista em 70 anos de Emmy, por seu elogiado trabalho no drama Killing Eve.


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