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CRÍTICA

Ex-hit da Netflix, Narcos: México tem fim melancólico, arrastado e repetitivo

Divulgação/Netflix

Scoot McNairy na 3ª temporada de Narcos

Scoot McNairy na 3ª temporada de Narcos: México; franquia tem fim melancólico e sem brilho

ANDRÉ ZULIANI

andre@noticiasdatv.com

Publicado em 8/11/2021 - 19h57

A terceira temporada de Narcos: México estreou na última sexta (5) e colocou um ponto final em uma história iniciada em 2015 e que se tornou um fenômeno do streaming. Em seus seis anos de exibição, a franquia virou hit da Netflix, ditou moda, criou memes e abriu as portas para outros sucessos como La Casa de Papel e Elite. O final, no entanto, ficou muito aquém ao esperado.

Com dez episódios, a temporada final do spin-off de Narcos focado nos cartéis mexicanos apresentou um desfecho arrastado, melancólico e repetitivo para uma trama que viveu o seu auge com a introdução do polêmico Pablo Escobar (1949-1993) vivido por Wagner Moura.

Em seu segundo ano, Narcos: México já demonstrava dificuldades para lidar com a falta de inovação. Afinal, a base de sua trama continuava a mesma: a jornada de um policial com a missão de derrubar os cartéis de drogas, enquanto do outro lado um chefão do crime lutava para manter o seu império intacto.

Se a série original contava com o carisma de Moura como Pablo Escobar e a ótima adição do quarteto que representava o cartel de Cali, o spin-off tinha em Félix Gallardo (Diego Luna) um chefão frio e calculista com um ego maior do que o seu próprio poder. Sem um grande rosto para se destacar em sua reta final, Narcos: México acaba tropeçando ao tentar dar o mesmo espaço a todos os seus antagonistas.

Com a prisão de Félix, o agente Walter Breslin (Scoot McNairy) vira a sua atenção para os antigos membros da Federação: Amado Fuentes (José María Yázpik), "herdeiro" do cartel de Juárez; os irmãos Benjamín (Alfonso Dosal) e Ramón Arellano Félix (Manuel Masalva), de Tijuana; e Joaquín "El Chapo" Guzmán (Alejandro Edda), de Sinaloa.

Dos novos chefões, é Amado quem ganha mais atenção nos episódios. Uma das cabeças mais fiéis a Félix nos anos anteriores, ele tenta reestabelecer o seu poder antes que as autoridades venham ao seu encalço. Para isso, ele recebe a ajuda de Carlos "Hank" Gonzales (Manuel Uriza), conhecido pelo codinome El Profesor, um dos mandachuvas do cenário político mexicano.

DIVULGAÇÃO/NETFLIX

José María Yázpik retorna como Amado

Um fator importante que atrapalhou no retorno da série, lançada pela Netflix sem qualquer destaque, foi o tempo entre o segundo e o terceiro ano. Era preciso reintroduzir as peças do jogo para lembrar os espectadores quem são os novos vilões e novos alvos das autoridades. Narcos: México o faz de forma arrastada leva pelo menos metade de seu ano final para, enfim, engatar a narrativa de forma convincente.

O cenário caótico estabelecido no terceiro vai de encontro com a "premonição" de Félix após ser preso. Sem seu sistema e uma figura na liderança para comandar os outros "peões", o México sofreria com a guerra entre os cartéis e a batalha pelo domínio do narcotráfico da região. Dito e feito.

O problema é que as lutas entre gangues, conspirações, reviravoltas e até mesmo o drama fictício para dar mais camadas aos personagens já foram recursos apresentados e utilizados em quase todas as temporadas anteriores. Por mais que ainda haja qualidade na narrativa de Narcos: México, nada ali é novo ou sequer surpreendente.

O que de fato consegue manter a curiosidade da audiência ativa é o retrato histórico feito pela franquia. Situado nos anos 1990, o terceiro ano revisita a queda de Escobar e do cartel de Medellín para mostrar como isso influencia na história do narcotráfico do México --além de trazer de volta personagens queridos (na medida do possível) da história da franquia.

Carlo Bernard, que assumiu o posto de showrunner para a temporada final, disse em recente entrevista que colocar como foco a rivalidade crescente entre os cartéis mexicanos tinha o objetivo de mostrar que, na guerra contra as drogas, não há nada tão ruim que não possa piorar.

"Eu costumava brincar que a única coisa pior que o crime organizado é o crime desorganizado. É isso o que nós vemos em termos de caos, violência e agitação que a nova temporada traz", contou Bernard à revista Hollywood Reporter.

Em seus momentos finais, Narcos: México cumpre a função definida por seus idealizadores ainda em 2015: apresentar todos os acontecimentos que transformaram a guerra contra as drogas em um problema mundial. A globalização do narcotráfico tomou forma com Escobar, se intensificou nos anos 1990 e permanece hoje como um dos maiores problemas da sociedade  contemporânea.

Entre quedas de chefões e a ascensão de novas lideranças, a franquia chega ao fim de forma melancólica. Deixada de lado pela Netflix, Narcos mostra que a realidade cruel do narcotráfico (e suas consequências) ainda estão longe de terminar.

Assista ao trailer da terceira temporada de Narcos: México:


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