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Engajados, desenhos animados representam pais gays e fazem crítica social

Divulgação/DreamWorks Animation

Os personagens Krel e Aja em cena de Contos da Arcadia: crítica à invisibilidade social - Divulgação/DreamWorks Animation

Os personagens Krel e Aja em cena de Contos da Arcadia: crítica à invisibilidade social

LUCIANO GUARALDO, em Nova York - Publicado em 16/10/2018, às 05h30

Foi-se o tempo em que desenhos animados tinham apenas o papel de divertir. Na era do engajamento, eles fazem críticas sociais e levantam bandeiras. A nova versão de She-Ra, por exemplo, terá como um dos protagonistas um guerreiro que tem dois pais gays. Os 3 Lá Embaixo, por sua vez, abordará a questão da invisibilidade social.

Produzida pelo diretor mexicano Guillermo del Toro, ganhador do Oscar por A Forma da Água, Os 3 Lá Embaixo conta as aventuras de um príncipe e uma princesa alienígenas que precisam fugir de seu planeta e decidem se esconder, juntamente com seu guarda-costas, na Terra. Para passarem despercebidos, eles decidem assumir a identidade de três tipos que jamais seriam notados nos Estados Unidos.

"O príncipe Krel [dublado por Diego Luna] se disfarça de latino, a princesa Aja [Tatiana Maslany] vira uma garota e o guarda-costas Vex [Nick Offerman] passa a ser um velhinho. É a solução encontrada pela inteligência artificial da nave deles para que eles jamais chamem a atenção", adianta Guillermo del Toro ao Notícias da TV.

Krel e Aja já deram as caras como coadjuvantes na terceira temporada de Caçadores de Trolls, lançada em maio na Netflix. Em 21 de dezembro, eles vão assumir papéis de destaque na nova animação, segunda parte da trilogia Contos da Arcadia _cujo terceiro capítulo, Magos, tem estreia prevista para o ano que vem.

Apesar de voltadas ao público infantil, as animações do mexicano não se furtam de tratar de temas mais sérios, como a segregação que os latinos sofrem nos Estados Unidos. O próprio diretor vivenciou isso no início da década de 1990, quando foi tentar a sorte em Hollywood, e decidiu abordar o assunto no desenho.

"Eu não posso ter receio de abordar esse ou aquele tema no meu trabalho. Assisti a animações como Gravity Falls [2012-2016] e Avatar: A Lenda de Aang [2003-2008], que não tinham medo de ir a alguns lugares difíceis, e entendi que a TV de hoje não é mais aquela que eu via quando era criança", conta Del Toro, que se sentiu atraído para fazer TV após ver séries densas como The Wire [2002-2008] e Breaking Bad [2008-2013]. "Elas mudaram tudo, e eu quis fazer parte dessa mídia também."

divulgação/netflix

O personagem Arqueiro entre as princesas Cintilante e Adora (a She-Ra): família moderna

Representatividade
Remake do desenho animado que fez sucesso na década de 1980, She-Ra e as Princesas do Poder gerou controvérsia entre os fãs antes mesmo de seu lançamento, marcado para 16 de novembro. Tudo por causa do novo visual da protagonista, que trocou o decote e a saia curta por uma armadura de guerreira.

Uma revelação feita de maneira acidental pela atriz Aimee Carrero, que dubla a personagem título, deve causar mais burburinho entre os admiradores do desenho oitentista: o personagem Arqueiro (Bow, no original), um dos melhores amigos da princesa, terá dois pais homossexuais.

Aimee deixou a notícia escapar durante a New York Comic-Con, feira de cultura pop que apresenta novidades da TV, do cinema e dos games. Questionada sobre quais personagens do desenho eram os favoritos dela, soltou: "Os dois pais do Arqueiro... Opa, acho que eu não podia ter dito isso, né?".

Dublador do personagem, Marcus Scribner (de Blackish) revela que o fato de Arqueiro ser filho de dois homens não é um problema para ele ou para a série.

"Não é um tema que os personagens precisam debater. Ele tem dois pais, é só isso. Acho que isso reflete as famílias modernas, coisas que estão acontecendo no mundo. Não posso falar muito mais sobre eles para não estragar as surpresas", diz ele.

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