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EXPRESSO DO AMANHÃ

Em plena pandemia, Netflix erra a mão com série em que a população beira a extinção

Divulgação/TNT

Com um blazer azul-piscina e de cabelo curto e amarrado, Jennifer Connelly aparece em cena da série Expresso do Amanhã

A atriz Jennifer Connelly na primeira temporada da série apocalíptica Expresso do Amanhã, estreia da Netflix

JOÃO DA PAZ

Publicado em 25/5/2020 - 5h16

Em uma época ímpar da humanidade, na qual pessoas de todas as classes estão confinadas em suas casas por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), umas com escassez e outras com fartura, a Netflix lança a série Expresso do Amanhã, sobre um trem absurdamente comprido no qual há passageiros que escaparam da extinção. Muitos sobrevivem com pouco, enquanto aquele 1% esbanja abundância.

O drama, exibido pelo canal TNT nos Estados Unidos, estreia nesta segunda (25) na gigante do streaming, com episódios inéditos toda semana. E tem pedigree, com o cineasta sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor do Oscar por Parasita (2019), na produção-executiva. A atração é baseada em um filme homônimo dele, de 2013 --por sua vez, inspirado em uma HQ francesa, Le Transperceneige (1982).

Porém, Joon Ho teve pouca interferência na série, que nasceu problemática e demorou dois anos e meio para sair do papel, em parte por diferenças criativas. A TNT interveio na primeira versão, feita pelo showrunner Josh Friedman (O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor), que abandonou o trem.

O diretor do piloto, Scott Derrickson (Doutor Estranho), acompanhou o colega, se recusando a fazer tudo de novo. Eles foram substituídos pelo showrunner Graeme Manson (Orphan Black) e pelo diretor James Hawes (Black Mirror, Doctor Who).

Mas o produto final ficou sem identidade. A série se passa em 2021, oito anos antes dos acontecimentos do filme. Como estratégia para frear o aquecimento global, cientistas esfriaram demais a Terra, e o resultado foi um congelamento total do planeta. Só 3 mil pessoas sobreviveram a esse desastre ambiental; todas estão em um trem com 1.001 vagões (!), que cruza os continentes sem parar.

Expresso do Amanhã quer ser duas coisas ao mesmo tempo. Tem o anseio de uma série policial, pois ocorre um crime horrendo na terceira classe da composição (a vítima é feita em picadinhos). Entre todos aqueles passageiros, só há um detetive especializado em homicídios, Andre Layton (Daveed Diggs), que está entre os miseráveis no extremo pobre do trem.

Ele, que faz parte de um movimento revolucionário, é convocado para resolver o crime. Mesmo com o risco de ser tachado de traidor, ele aceita a tarefa e passa a interagir com Melanie Cavill (Jennifer Connelly), que é a chefe de hospitalidade do trem, a voz do sistema de som que transmite avisos aos passageiros.

Há ainda a luta de classes que a série tenta inserir no meio dessa insanidade. Quem está na ponta mais vulnerável sabe que existem benesses nos vagões mais à frente. Inclusive, um dos setores é dedicado à horta com deliciosas frutas, mas os pobres se alimentam de ração. Enquanto os ricos têm um vagão para se divertir, outro artístico e um com restaurante grã-fino, os maltrapilhos se aglomeram um compartimento sujo, sem privacidade e convivendo com ratos.

O trem do Expresso do Amanhã reflete a divisão nada igualitária da sociedade. Os ricos não trabalham. Esse 1% do extrato social curte música ao vivo e dorme em luxuosos aposentos, para descansar após varar a noite no vagão balada.

A classe média tem menos recursos e precisa cuidar de coisas, como um jardim (existe uma árvore dentro do trem!). Já a terceira classe é formada pelos operários braçais, responsáveis pela limpeza, por exemplo.

Reprodução/TNT

O ator Daveed Diggs no vagão bosque do trem de Expresso do Amanhã; ali atrás é uma árvore


Vale a pena assistir a Expresso do Amanhã?

Para alguns telespectadores, assistir a Expresso do Amanhã pode causar claustrofobia, por saber que aqueles personagens estão confinados em vagões apertados de um trem, com limitação de movimentos. Com uma computação gráfica que deixa a desejar, a série faz questão de mostrar o tempo todo que não há saída, pois o mundo do lado de fora está totalmente congelado.

Para compensar isso, não há nada de virtual nas cenas dentro dos vagões. A produção caprichou e construiu cenários detalhistas que representam 20 (dos 1.001) vagões que serão mostrados durante os episódios. Alguns contam com escadas demais para um trem, um sobe e desce meio esquisito.

Quem curtiu The Last Ship (2014-2018), outra trama pós-apocalíptica feita pela TNT, vai apreciar Expresso do Amanhã. Nos Estados Unidos, a estreia registrou a maior audiência de uma série na TV paga (nos canais TNT e TBS) neste ano, vista por 3,3 milhões de telespectadores, na soma de suas três exibições. A série já está com sua segunda temporada confirmada.

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