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TRAGÉDIA DE 2002

Em ano eleitoral, Globoplay resgata caso Celso Daniel em documentário

ARQUIVO/TV GLOBO

Foto de arquivo do prefeito Celso Daniel em campanha eleitoral em Santo André nos anos 1990

Foto de arquivo de Celso Daniel em campanha para prefeito de Santo André nos anos 1990

KELLY MIYASHIRO

kelly@noticiasdatv.com

Publicado em 27/1/2022 - 6h35

Em ano de eleições presidenciais, o Globoplay lança nesta quinta-feira (27) o documentário O Caso Celso Daniel para resgatar os acontecimentos que levaram ao sequestro e à morte do prefeito petista de Santo André (SP) em janeiro de 2002. A nova produção do gênero "true crime" (crime real) também mostra a investigação do caso que até hoje deixa dúvidas no imaginário brasileiro com teorias da conspiração.

Sem um narrador, a sequência de oito capítulos constrói sua narrativa com imagens de arquivo, simulações animadas baseadas em autos de processo e depoimentos, e entrevistas com muitas pessoas que viviam próximas ao político, além de investigadores, órgãos oficiais e até jornalistas que cobriram a história.

O Notícias da TV já acompanhou a primeira metade da série documental e antecipa que ela não entrega uma resposta ou solução definitiva para o caso. A história, no entanto, é contada de uma maneira que propositalmente deixa a dúvida, já que o caso é ambíguo e caminha para duas versões que fazem sentido do ponto de vista lógico. 

Então prefeito de Santo André, no ABC Paulista, Celso Augusto Daniel (1951-2002) era do PT (Partido dos Trabalhadores), considerado um gestor muito querido pelo povo da cidade, um colega respeitado dentro do partido e uma das figuras mais promissoras no cenário político brasileiro devido à sua articulação e inteligência.

Daniel foi sequestrado na noite de 18 de janeiro de 2002 após ter jantado em um restaurante no centro da cidade de São Paulo com o empresário Sérgio Gomes da Silva (1954-2016), seu amigo e segurança pessoal, que é interpretado pelo ator Tuca Andrada nas partes de dramatização da série.

O prefeito estava de carona em um carro blindado dirigido por Silva quando supostamente teria sido perseguido e encurralado por três carros com bandidos. 

Segundo o empresário conhecido como Sombra, os sequestradores alvejaram o carro em que eles estavam em uma rua vazia da zona sul da capital paulista, abriram a porta e levaram o político, deixando a única testemunha do suposto sequestro para trás e sem nenhum ferimento.

O corpo de Celso Daniel foi encontrado dois dias após o suposto sequestro, em 20 de janeiro de 2002, em uma estrada rural de Juquitiba, na região metropolitana de São Paulo e com várias marcas de tiros.

Com um bom ritmo e ótima edição, os episódios são divididos em partes para explicar de forma cronológica os acontecimentos e a repercussão do caso que reverbera até hoje sobre as motivações do crime.

E o PT, hein?

Enquanto a família do prefeito acredita até hoje que houve perseguição política de dentro do próprio PT devido a um esquema de corrupção na prefeitura de Santo André, as autoridades investigativas concluíram ter sido um crime urbano provocado pelo acaso, de que Celso Daniel apenas fora sequestrado por uma quadrilha no lugar de um empresário do Ceagesp (em uma rua vazia da zona sul da capital paulista), que seria o real alvo.

Sobre o resgate do caso em um ano eleitoral em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputará a presidência pela terceira vez, Erick Brêtas, diretor de Produtos e Serviços Digitais da Globo, defende a necessidade de se contar esta história independentemente da época e rejeita especulações de interesses políticos por parte da emissora: 

Nós não temos agenda. Essa obra está sendo lançada agora porque a gente entende que jogar luz sobre pontos importantes, polêmicos, não esclarecidos ou até esclarecidos, mas que sempre voltam --porque as pessoas podem ter um interesse em trazer esse assunto de volta para o clima eleitoral--, é importante a gente jogar luz nessas questões. E acho que o nosso propósito é esse. 

"Nosso propósito é pegar um pedaço importante da história que a gente pode olhar com o benefício do retrospecto da narrativa, afinal são 20 anos entre o fato e o lançamento do documentário, e contá-la com o distanciamento necessário, sem uma visão contaminada dos fatos", completa Brêtas. 

O processo de produção

A série foi produzida na pandemia da Covid-19 por Joana Henning e dirigida por Marcos Jorge. O documentário de oito episódios será disponibilizado no serviço de streaming da Globo a partir desta quinta-feira (27), com dois episódios lançados a cada semana.

À reportagem, a produtora explica que o projeto da série documental começou em 2016. Inicialmente, seria um filme, mas o tamanho da história o transformou em série para cobrir todos os lados e detalhes do caso baseado em dois inquéritos policiais, uma força-tarefa do Ministério Público, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), um julgamento, uma anulação de processo e sete condenações. 

"O assassinato por si só já é um tema delicado, um assassinato emblemático como esse era muita responsabilidade. Essa é uma história com muitas opiniões, especulações e versões, então a gente foi atrás de todas as pessoas que trabalharam diretamente com o caso. A gente fez muitas entrevistas em off pra compreender a trama e começar a destrinchar", começa Joana. 

"A gente entendeu que tinha muito o que pesquisar, ampliou ainda mais e tem uma curiosidade nesse caso porque, quando a gente fala várias investigações, a gente tem diversas investigações formais e informais, muitas fontes têm acervos sobre Celso Daniel em casa. A gente se deparou com um material muito rico. Não só de depoimentos, de experiências trocadas, de vivências, como também arquivo, dos processos", continua. 

Um aspecto muito interessante é reconhecer o quanto essa história, ao longo de 20 anos, perpassa a história política e social do país. A gente vive um momento de desinformação muito intenso, e o nosso foco foi esclarecer e montar uma história que desse conta de mostrar os fatos reais, os dados oficiais e também as experiências vividas pelos personagens.

"[No fim,] A gente se depara com uma história muito passional, com muita dor, para além da morte de um ente querido, ou de um gestor público admirável", conclui.

Segundo ela, no processo de apuração foram 2 mil páginas estudadas de processo judicial, dez idas ao Fórum de Santo André, 20 visitas à cidade paulista para gravação de imagens e entrevistas, 50 pessoas entrevistadas e cem horas de material bruto, além de mil testes de Covid-19 utilizados. 

Confira o teaser do documentário O Caso Celso Daniel: 


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