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DRAMA NACIONAL

Colônia mostra sofrimento de internos em hospício brasileiro dos anos 1970

MARINA ALMEIDA PRADO/CANAL BRASIL

Elisa (Fernanda Marques) sentada em degrau de escada entre dois personagens em cena da série Colônia

Elisa (Fernanda Marques) entre personagens de Colônia; série mostra hospício brasileiro

LUÍS FELIPE SOARES

luis@noticiasdatv.com

Publicado em 4/7/2021 - 6h30

Os sofrimentos físicos e mentais vividos por internos em um hospício brasileiro dos anos 1970 são mostrados na série Colônia, do Canal Brasil e do Globoplay. A história é baseada em fatos reais do livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, mas tem personagens fictícios. O diretor André Ristum comanda o projeto e diz que ficou chocado pelo fato de o local receber pessoas sem qualquer diagnóstico real, além de servir como ponto para que os mais ricos pudessem se livrar de "problemas" ao seu redor.

"Eram as pessoas de que a sociedade queria se livrar, e hoje vemos que esses mesmos grupos ainda buscam espaço. Que falta de humanidade é essa que manda sumir alguém a partir de preconceito e afins? Há os arquétipos dos indesejáveis em uma sociedade que era e é machista, patriarcal, racista e homofóbica", comenta Ristum, que também faz parte do time de roteiristas.

O drama se passa no começo da década de 1970 e acompanha Elisa (Fernanda Marques, de Onde Nascem os Fortes), jovem enviada de maneira forçada para o Hospício Colônia. Ela está grávida do namorado, e o fato frustra o plano original de seu pai de casá-la com um velho rico dono de fazendas.

A garota precisa encontrar maneiras de sobreviver nesse ambiente hostil e sem qualquer compaixão por parte dos responsáveis. Ela inicia amizade com outros internos que não são diagnosticados de maneira oficial com uma doença mental, casos do homossexual Gilberto (Arlindo Lopes) e da prostituta Valeska (Andréia Horta).

"Quando estava fazendo [o filme] O Outro Lado do Paraíso [2014], um dos produtores me mostrou o livro. Ele me perguntou se a história daria um filme. Quando eu li, primeiramente fiquei impactado com a história e já surgiu a ideia de levar para a tela. Daí começou uma longa pesquisa complementar, uma viagem para dentro desse universo", explica Ristum.

Ele foi até a cidade de Barbacena, em Minas Gerais, para ver o Colônia original, conversou com pessoas que estiveram no lugar na época, trocou ideias com historiadores e pesquisadores e pesquisou sobre a psiquiatria no Brasil no período entre as décadas de 1960 e 1970.

Quando você vai fazer uma adaptação, já tem uma base, mas precisa de mais. Tem a questão de que há a liberdade artística para trazer mais elementos e personagens. Não é um documentário, mas relata fatos baseados em histórias reais. O material escrito pela Daniela no livro retrata o histórico. A partir disso, acrescentamos a trama e os detalhes. Joga tudo isso em um grande caldeirão e mistura bem para brotar as ideias que construíram a série.

Na busca por atores, a peça fundamental foi encontrar quem viveria Elisa, com características importantes para o desenvolvimento dos episódios e para sua própria evolução no meio do caos de maus-tratos e abusos.

"Era muito importante que essa personagem fosse uma estranha no ninho. Que ela tivesse um olhar um pouco ingênuo, quase infantil, mas que pudesse se transformar ao longo da trama. A Fernanda [Marques] tinha isso desde a primeira vez que apareceu", valoriza Ristum.

MARINA ALMEIDA PRADO/CANAL BRASIL

André Ristum com Fernanda Marques no set

O elenco de Colônia também conta com nomes como Henrique Schafer, Rejane Faria, Bukassa Kabengele, Augusto Madeira, Rafaela Mandelli e Aury Porto. As gravações ocorreram em junho de 2019, mas a estreia só ocorre dois anos depois. A pandemia da Covid-19 complicou um pouco a fase de pós-produção, como trabalho de trilha sonora, som e ajuste de imagens.

Busca pela imersão

A montagem visual do projeto é um dos pontos fortes. Todo o drama foi rodado em preto e branco. Segundo o diretor, o desejo de trabalhar com esse tipo de fotografia já existia há algum tempo, mas só agora demonstrou força para ser utilizado como um artifício à favor da narrativa.

"Quando comecei a pensar no projeto, ainda lendo o livro e imaginando argumentos e personagens, só me viam à cabeça imagens em preto e branco. Não tinha como mostrar a verdade dessas pessoas com cores. Hoje, quando vejo o material pronto, tenho certeza de que foi a ideia perfeita. É um elemento importante que contribui para o transporte do público para esse lugar, dentro do thriller psicológico", conta o responsável.

Outro detalhe para a imersão dos espectadores no clima pesado do drama é a parte sonora. Ruídos e sons incômodos se misturam com a trilha pesada e melancólica. "A proposta de todo o som é que ele mantenha uma tensão constante. A partir do momento em que começa o episódio, a tensão não para nunca e mostra que algo não está certo ali. É uma mescla dentro de um ambiente que realmente tinha pessoas com problemas mentais e outras, cerca de 70% a 80%, sem distúrbios", justifica.

O pacote da atração é formado por dez episódios, cada um com duração média de 30 minutos. Há ideias para uma segunda temporada, e não faltam brechas a serem exploradas no hospício e entre seus moradores. "As duas últimas partes estão bem instigantes. Há uma conclusão, mas temos um portão imenso aberto para mais coisas. Depende do retorno. Precisa ter força de audiência para ter continuidade. Faz parte do jogo", encerra o diretor.

A cada sexta-feira, a partir das 21h30, um episódio de Colônia vai ao ar na programação do Canal Brasil, na TV paga. O material entra no catálogo básico do Globoplay no mesmo dia. A temporada completa está disponível no streaming para assinantes do pacote Canais Globo + Globoplay.

Veja algumas chamadas da série:

Prêmio NTV Melhores do ano


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