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Estreia no Globoplay

Com drogas, lésbicas e cadeia, Torre de Babel chocou família tradicional brasileira

Divulgação/TV Globo

Tony Ramos com expressão séria, caracterizado como Clementino, seu personagem na novela Torre de Babel (1998)

Tony Ramos caracterizado como Clementino, seu personagem assassino na novela Torre de Babel (1998)

REDAÇÃO

Publicado em 2/8/2020 - 6h55

Torre de Babel, novela que chega ao catálogo do Globoplay nesta segunda (3), causou choque nos telespectadores logo na estreia em sua exibição original, em 1998. Por ter tramas que envolviam um assassinato grotesco, um jovem viciado em drogas e um casal formado por duas mulheres, o folhetim desagradou ao público mais tradicional e conservador.

Nas propagandas da novela antes de sua estreia, Torre de Babel era descrita como "forte, verdadeira e emocionante". De fato, o primeiro capítulo já apresentava cenas intensas. Ao flagrar sua mulher o traindo com outros dois homens numa festa, o pedreiro Clementino, interpretado por Tony Ramos, a matava com golpes de uma pá.

Nos capítulos seguintes, Clementino foi condenado a passar 20 anos na cadeia pelo assassinato. Cenas dele no presídio o mostraram como um homem amargo e com grande desejo de se vingar de seu ex-patrão, cujo depoimento foi definitivo para sua condenação. Para este papel, Tony Ramos raspou os cabelos, deixou a barba por fazer, ganhou olheiras e emagreceu oito quilos.

O público estranhou essa versão do ator, que havia tido mais sucesso com papéis de mocinho. O personagem, assassino e amargurado, a princípio foi rejeitado. A situação só mudou quando Clementino se apaixonou por Clara (Maitê Proença).

Outros personagens sofreram ainda mais com a repulsa do público. Os exemplos maiores foram Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni). Bem-sucedidas e lésbicas assumidas, foram rejeitadas logo nos primeiros capítulos da novela.

A sinopse previa que Rafaela morreria na trama, e a ideia de Silvio de Abreu era de que Leila se tornasse amiga de Marta (Glória Menezes) após ficar viúva. Mas a imprensa divulgou que Leila teria um romance com Marta. O público não gostou de imaginar Silvia Pfeifer e Glória Menezes em cenas de amor e rejeitou a ideia.

"Um jornal do Rio, de maneira totalmente deturpada, publicou uma matéria de página inteira, com um título que era uma obra-prima: 'Na novela das oito, Glória Menezes é sapatão'. Destruiu tudo. Porque a Glória, assim como o Tony Ramos e o Tarcísio Meira, faz parte de um grupo de atores que representam determinados valores do imaginário brasileiro", disse Alcides Nogueira, colaborador de Silvio de Abreu na novela, em depoimento ao livro Autores, Histórias da Teledramaturgia.

"Quantas vezes o Tony, coitado, pediu: 'Pelo amor de Deus, criem para mim um personagem que não seja bonzinho!'. Quando tentamos criar, foi aquela confusão: José Clementino, um cara que ficava 20 anos preso, arquitetando planos de vingança. A rejeição foi instantânea. Alguns atores têm uma imagem tão cristalizada que, se mexermos nela, o público chia", complementou.

O destino de Leila e Rafaela em Torre de Babel foi trágico: as duas morreram na explosão do shopping Tropical Towers, em um caso que ficou marcado para sempre na história da teledramaturgia nacional por conta da homofobia do público.

divulgação/tv Globo

Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni) foram rejeitadas pelo público da novela


Drogas na classe alta

Quem também morreu na explosão do shopping foi o jovem Guilherme (Marcello Antony). Filho mais novo de Marta e César Toledo (Tarcísio Meira), o rapaz era viciado em drogas, se envolvia com marginais e trazia vários problemas para a família com isso. Fugia de clínicas de reabilitação e tentava extorquir parentes para continuar sustentando seu vício, por exemplo.

A família tradicional brasileira também não gostou de ver um jovem rico e bonito em uma trama tão degradante. Silvio de Abreu já admitiu em diversas entrevistas que, por ter tentado incluir temas fortes e polêmicos em Torre de Babel, a novela acabou se tornando um problema para ele.

"Foi uma dor de cabeça… Uma novela de enorme sucesso, mas com muito protesto, muita perseguição de ONGs e igrejas, pessoal da tradição, família e propriedade. E não foi só pelo casal lésbico. Era uma novela violenta. Na cena em que os traficantes invadiam a casa dos personagens de Tarcísio e da Glória, era a primeira vez que se mostrava a droga na classe média. Isso chocou muito as pessoas. Tinha o José Clementino que matava a mulher... Era tudo muito forte", disse à revista Quem.

Torre de Babel teve audiência baixa nas primeiras semanas, mas depois da explosão do shopping e de uma reformulação promovida pelo autor, a novela emplacou com o público. Em alta, manteve até o final o mistério sobre quem havia provocado a tragédia do Tropical Towers --a vigarista Sandrinha (Adriana Esteves).

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