CRÍTICA

Coadjuvantes e vilãs cômicas salvam Orgulho e Paixão de casal sem graça

Estevam Avellar/TV Globo

Anaju Dorigon (Cecília) e Chandelly Braz (Mariana) em Orgulho e Paixão: coadjuvantes que brilharam - Estevam Avellar/TV Globo

Anaju Dorigon (Cecília) e Chandelly Braz (Mariana) em Orgulho e Paixão: coadjuvantes que brilharam

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 22/09/2018, às 06h26

Orgulho e Paixão chega ao fim na segunda-feira (24) com o mérito de adaptar de forma bem-sucedida um universo literário distante do público brasileiro. O autor Marcos Bernstein se valeu de diversas obras da inglesa Jane Austen para desenvolver os conflitos de sua novela. Com um leque amplo de personagens, conseguiu compensar os apáticos protagonistas com casais açucarados, vilãs cômicas e bons coadjuvantes.

Depois do fiasco de Além do Horizonte (2013), Bernstein conseguiu dar a volta por cima com a novela das seis. Para tanto, adaptou usos e costumes, abrasileirou personagens e transferiu a ação da Inglaterra para o fictício Vale do Café. Definitivamente, as mulheres foram o ponto alto da narrativa, característica presente na obra de Jane Austen e mantida na adaptação.

Elisabeta (Nathalia Dill) foi a personificação da emancipação feminina: à frente de seu tempo, a protagonista mostrou força, sem resvalar na caricatura da mocinha chorona, e cumpriu o papel de se cercar das histórias secundárias ao estar sempre presente no desenrolar de cada uma delas.

Foi exatamente nas tramas paralelas que Orgulho e Paixão mostrou serviço. Se sozinha Elisabeta empolgava o bastante, o mesmo não pode ser dito do casal que formou com Darcy (Thiago Lacerda). Sem graça, a dupla passou longe de arrebatar o público, razão pela qual os dramas coadjuvantes roubaram a cena.

A falta de empolgação do par central abriu espaço para que, por exemplo, a história de Mariana/Mário (Chandelly Braz) ganhasse destaque. A identidade em torno do motoqueiro disfarçado mostrou-se um dos entrechos mais interessantes da novela.

Foi também a partir da trama de Mariana que o casal Luccino (Juliano Laham) e Otávio (Pedro Henrique Müller) passou a ser destacado. Apaixonado por Mário, Luccino descobre-se homossexual, e surgem daí os conflitos de sua aceitação. Bem desenvolvida, a história de Luccino culminou com o beijo gay inédito para o horário. A cena não causou polêmica como ocorreu com outros carinhos exibidos anteriormente, o que mostra um amadurecimento do público em torno do tema.

Ainda que extremamente açucarados, diversos casais, com conflitos bem armados e desenvolvidos sem afobação, também foram tão importantes para a evolução da narrativa quanto o par principal.

Como exemplo, Aurélio (Marcelo Faria) e Julieta (Gabriela Duarte), Ema (Agatha Moreira) e Ernesto (Rodrigo Simas), além de Cecília (Anaju Dorigon) e Rômulo (Marcos Pitombo). Evitou-se, assim, aquela formação de pares inesperados, típica de reta final de novela.

A entrada de Natália do Vale (Lady Margareth) trouxe um fôlego extra aos vilões. Ela foi escalada para substituir Tarcísio Meira (Lorde Williamson), que precisou se afastar por causa de uma infecção pulmonar.

Mas, na vilania, foi Alessandra Negrini quem se manteve impagável do começo ao fim, transformando sua Susana em um dos destaques do folhetim _vale destacar o trabalho cômico junto a Grace Gianoukas (Petúlia). Escorregada mesmo só de Ricardo Tozzi, ainda bastante cru para dar vida a um vilão maquiavélico como Xavier.

Dentro de uma dramaturgia correta e sem invencionices, Orgulho e Paixão não teve sobressaltos de audiência, grandes viradas nem vilões com frases de efeito capazes de gerar memes. O mais próximo da ousadia a que a novela chegou foi a inserção de números musicais em suas cenas: valeram pelo experimentalismo e por romperem a expectativa de um público acostumado a acompanhar TV no piloto automático.

Orgulho e Paixão termina sem uma euforia midiática ao seu redor, mas foi desenvolvida de forma correta, com um elenco entrosado e sem tropeços da narrativa ao longo dos meses em que ficou no ar.

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