'DEZENAS DE MILHÕES'

Simba usa dinheiro do SBT, Record e RedeTV! em filmes que irão ao ar na Globo

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Larissa Manoela e Ingrid Guimarães em cena do filme Fala Sério, Mãe (2017), que a Globo exibiu em janeiro - REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Larissa Manoela e Ingrid Guimarães em cena do filme Fala Sério, Mãe (2017), que a Globo exibiu em janeiro

GABRIEL PERLINE - Publicado em 17/04/2019, às 06h32

A Simba, joint venture formada pelo SBT, Record e RedeTV!, deu seu primeiro passo na realização de conteúdo. Para a surpresa do mercado, a empresa criada para produzir novos canais de TV paga investirá "dezenas de milhões de reais" no cinema nacional em uma parceria com a Paris Filmes. Colocará dinheiro em longas que serão negociados preferencialmente com a Globo para serem exibidos na TV aberta, concorrendo com as próprias patrocinadoras.

"A Globo acaba concentrando a maioria [dos filmes nacionais] porque tem um modelo de negócio em que ela tem o maior número dos talentos", disse Marcio Fraccaroli, CEO da Paris Filmes, em evento realizado na tarde de terça-feira (16), em São Paulo. "Mas os modelos estão mudando. Com essa nova tecnologia e forma de ver filmes, fica mais difícil saber como ficará o modelo de distribuição no futuro."

"Não são todas as obras que passam nas nossas concorrentes. Estamos investindo no grupo Paris, e teremos participação nos lucros, ou teremos recuperação do capital investido, e esse valor será retroinvestido no mercado audiovisual", explicou Carlos Alkimim, diretor de contratos e distribuição da Simba.

Dos filmes nacionais produzidos pela Paris Filmes em 2018, o único não adquirido pela Globo foi a primeira parte de Nada a Perder, cinebiografia de Edir Macedo que em algum momento irá ao ar na Record.

E das três produções anunciadas no lançamento da nova parceria, duas delas possuem um elenco majoritariamente "global": Feliz Natal, título provisório de uma comédia que será lançada no final deste ano, e A Sogra Perfeita, longa que será protagonizado por Cacau Protásio, atriz do Multishow, canal do Grupo Globo.

O terceiro título é a cinebiografia de Silvio Santos, a ser protagonizada por Rodrigo Faro. Este, por razões óbvias, deverá estrear no SBT após ser exibido nas salas de cinema.

"Cada projeto tem sua própria vida. A distribuição da Paris Filmes é independente de qualquer relação que tenha com os acionistas da Simba. Nosso trabalho como distribuidor é procurar a melhor forma de distribuir cada projeto. O único caminho certeiro é o cinema. Depois pode ser transformado numa série, ir para uma plataforma, depende muito depois do projeto realizado", explicou Fraccaroli.

O que é a Simba?

Simba é uma empresa criada pelos donos do SBT, Record e RedeTV!, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em maio de 2016, que licencia a distribuição dessas emissoras nos pacotes das operadoras de TV a cabo.

A principal fonte de receita da Simba é o dinheiro que as operadoras de TV por assinatura lhe pagam para ter os sinais digitais da Record, SBT e RedeTV!. Em 2017, as três redes e as operadoras travaram uma guerra comercial, com reflexo na vida dos telespectadores.

As emissoras começaram pedindo R$ 15 para serem distribuídas na TV paga. Sem acordo, tiraram seus sinais das operadoras e descobriram que tinham um poder de fogo bem menor: suas audiências caíram em uma proporção bem maior do que o cancelamento de assinaturas de Net, Sky, Claro TV e Vivo.

Após seis meses fora da TV paga, as redes fecharam com as operadoras por cerca de R$ 0,60 por assinante, que resulta, anualmente, em uma receita de R$ 130 milhões à Simba. Para aprovar a joint venture, o Cade instituiu que ao menos 20% desse valor deveria ser reaplicado na produção de conteúdo para a TV por assinatura. Mas não é o que vem acontecendo até o momento.

No evento de lançamento da parceria com a Paris Filmes, Carlos Alkimim foi bastante evasivo ao ser questionado sobre a Simba vir a produzir conteúdo para a televisão. E também recuou quando o assunto foi a criação de um novo canal para a TV paga e uma plataforma de streaming, conforme bradaram os donos da joint venture à época de seu lançamento.

A Simba agora está revendo sua estratégia.

"A Simba é uma joint venture criada para o licenciamento dos canais lineares no segmento de TV por assinatura. Ela não é uma produtora, mas pode vir a ser. Dentre este papel, ela também iniciou no segundo semestre do ano passado algumas tratativas de incentivo à produção do audiovisual brasileiro. Tratativas essas que culminaram no nosso contrato com a Paris. Além de ser uma programadora, será coprodutora de conteudo audiovisual. Neste caso, em cinema", limitou-se a dizer.

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