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Para concorrer com a Netflix, TV aberta dos EUA dobra preços e irrita anunciantes

Divulgação/NFL

O quarterback Nick Foles com o troféu de campeão da NFL, vencido no Super Bowl exibido pela NBC neste ano - Divulgação/NFL

O quarterback Nick Foles com o troféu de campeão da NFL, vencido no Super Bowl exibido pela NBC neste ano

REDAÇÃO - Publicado em 11/05/2018, às 04h52

Para se tornar mais competitiva contra empresas de streaming, a rede norte-americana NBC decidiu cortar o número de comerciais no horário nobre, com apenas dois anúncios por intervalo a partir do segundo semestre. Para não quebrar as finanças, sua tabela de preços praticamente dobrou. Quem não gostou nada disso foram os anunciantes.

De acordo com levantamento feito pela revista Variety, 30 segundos no break do Sunday Night Football (SNF), principal jogo da rodada da NFL, exibido no domingo à noite,  vai saltar de US$ 700 mil (R$ 2,5 milhões) para US$ 1,4 milhão (R$ 5 milhões).

Esse é o comercial mais caro e mais concorrido da programação regular da TV norte-americana. O SNF tem sido o programa de maior audiência nos Estados Unidos nas últimas seis temporadas.

No mundo das séries, o aumento também será considerável. Para a segunda temporada de This Is Us, exibida nos EUA entre setembro de 2017 e março deste ano, a NBC cobrou US$ 395 mil (R$ 1,4 milhão) por 30 segundos. Agora, a rede quer US$ 788 mil (R$ 2,7 milhões) pelo mesmo espaço.

Entre o público adulto (18-49 anos), principal alvo dos anunciantes, This Is Us vai terminar a temporada 2017-2018 com a segunda melhor audiência, atrás apenas do fenômeno Roseanne.

"[A] NBC está sendo muito agressiva com sua venda de comerciais", disse para a Variety um executivo de uma agência de publicidade, que pediu para não ser identificado. "Muitos clientes estão achando o preço muito caro". Como réplica, a NBC reforça durante as negociações que, com menos comerciais em um programa, o consumidor se lembrará mais deles.

Corte nos anúncios
Em março, o grupo NBCUNiversal anunciou o plano ousado de reduzir em 20% o número de comerciais e cortar 10% do tempo ocupado por eles. A medida terá maior peso na rede NBC, que depende diretamente de publicidade para gerar renda. Mas a decisão atinge todo o conglomerado que controla os canais USA Network, MSNBC, E! e Telemundo.

"Consumidores odeiam propagandas", disparou o presidente da NBC, Bob Greenblatt, durante um fórum de mídia, em novembro. Com uma fala sem tanta franqueza e mais equilibrada, a presidente de publicidade da NBCUniversal, Linda Yacarrino, contextualizou a nova estratégia.

"Há cada vez mais consumidores que estão livres [da publicidade]. Reformular a veiculação de comerciais na TV aberta é algo inevitável", disse a executiva.

Ela citou indiretamente o crescimento no consumo dos serviços de streaming, como a Netflix e o Prime Video (da Amazon), que exibem suas programações sem comerciais. Vivem do dinheiro de clientes que pagam mensalidades.

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