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COLUNA DE MÍDIA

Facebook deixa de ser isentão, bane Trump e mira Bolsonaro

Reprodução Facebook

Presidente Bolsonaro em live

Jair Bolsonaro durante live no Facebook; presidente pode sofrer punições da rede social, assim como Trump

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 5/6/2021 - 7h22

O Facebook anunciou que suspendeu as contas de Donald Trump por pelo menos mais dois anos. Após este período, voltará a revisar o caso. A decisão formaliza uma punição de longo prazo contra o ex-presidente dos Estados Unidos depois que o Conselho de Supervisão independente da empresa (Oversight Board) determinou que o Facebook estava errado em manter a proibição em aberto.

A rede social disse que Trump estará elegível para a reativação de suas contas em janeiro de 2023, antes da próxima eleição presidencial, quando especialistas vão reavaliar o caso e decidir "se o risco para a segurança pública diminuiu", disse o Facebook. A empresa o baniu de seus serviços depois que o ex-presidente fez comentários nas redes sociais incitando os apoiadores que invadiram o Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro. 

Mas a suspensão estava em aberto e poderia ser revertida a qualquer momento. Agora, com o anúncio, a empresa deixa claro que o impacto durará um longo período e inclusive poderá ser estendido. Se Trump voltar à rede social no futuro, estará sujeito a um conjunto de "punições que crescem rapidamente" se cometer violações, incluindo a suspensão permanente de sua conta, disse o Facebook.

Trump, que também teve sua conta suspensa no Twitter (mas permanentemente), mandou e-mails para as redações de diversos veículos de imprensa reclamando da decisão do Facebook. O fato é que desde que o ex-presidente perdeu o palanque digital, seu alcance minguou consideravelmente e sua capacidade de fazer barulho despencou.

Na quarta-feira, Trump encerrou seu blog apenas 29 dias após lançá-lo. O motivo foi a baixa audiência da publicação, que inclusive virou motivo de piada na imprensa americana. Em seu último dia, o website teve menos de 1.500 compartilhamentos ou comentários no Facebook e Twitter, uma queda surpreendente para quem tinha centenas de milhares de reações nessas mesmas redes sociais no início do ano.

Trump pode ser somente a primeira peça de um efeito dominó. O Facebook anunciou também que vai encerrar sua polêmica política que protege principalmente os políticos das regras de moderação de conteúdo que se aplicam a outros usuários, uma decisão que pode ter ramificações globais para a forma como os governantes eleitos usam a rede social.

As recentes medidas marcam uma mudança radical do Facebook, que historicamente mantinha uma postura "isentona" e evitava interferir no conteúdo de políticos.

O BuzzFeed News e outros veículos já relataram casos em que funcionários do Facebook intercederam diretamente para impedir strikes e punições severas em páginas políticas, mesmo quando elas não seguiam as regras da plataforma.

Bolsonaro pode ser o próximo

A notícia é preocupante para Jair Bolsonaro e seus aliados, como destaca a reportagem do NY Times, que além do brasileiro, cita o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como potenciais alvos da nova política.

Bolsonaro aparece toda quinta-feira, às 19h, em sua live semanal no Facebook. Seu perfil tem 14 milhões de seguidores, e quase 1 milhão de internautas assistem ao programa ao vivo na rede social, que recebe dezenas de milhares de comentários.

Para muitos, o poder multiplicador do Facebook e do WhatsApp foi determinante para a surpreendente vitória eleitoral de Bolsonaro em 2018.

A rede social é uma espécie de universo paralelo do presidente, no qual ele se cerca somente de apoiadores e não sofre nenhum tipo de questionamento, diferentemente do que acontece em boa parte da mídia tradicional. Agora, o Facebook e seu conselho independente podem não somente questionar o conteúdo divulgado como punir com suspensão a página de Bolsonaro e demais políticos.

Bolsonaro já teve atritos com o Facebook no passado e inclusive ameaçou a empresa com um aumento de impostos no Brasil. Uma das maiores críticas do presidente ao Facebook é a maneira como a rede social tem combatido fake news. 

"Agora deixa o povo se libertar, porque tem liberdade. Logicamente que se alguém extrapolar alguma coisa, tem a Justiça para recorrer. Agora o Facebook bloquear a mim e a população é inacreditável [...] E não há uma reação da própria mídia, ela se cala. Falam tanto da liberdade de expressão para eles em grande parte mentir com matérias. Agora para a população é uma censura que não se admite", afirmou, em vídeo transmitido numa rede social de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Logo após o anúncio da nova política do Facebook, que aponta um papel cada vez mais ativo das plataformas na moderação do conteúdo, começaram as discussões em torno do poder da rede de Mark Zuckerberg e demais gigantes de tecnologia para controlar a liberdade de expressão. A empresa já vinha sendo cada vez mais investigada por governos e órgãos reguladores ao redor do mundo.

Em resposta, o Facebook disse que será mais transparente com relação a sua política de suspensões (strikes) para quem quebrar as regras de conteúdo da plataforma. Hoje, quem recebe punições sabe que fez algo errado, mas é quase impossível determinar a razão exata para a punição. 

Após anos de lucros crescentes e polêmicas recorrentes como o crescimento desenfreado das fake news, o Facebook e demais redes sociais em geral estão descobrindo o que a imprensa e os veículos de comunicação já sabem há tempos: conteúdo precisa de moderação, é preciso haver limites claros, e acima de tudo, aplicar essas regras vai deixar muita gente enfurecida. Afinal, é impossível agradar a todos quando se trata de conteúdo e informação.


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