ANÁLISE

Emoção e futebol fazem TV aberta manter relevância, diz presidente da DPZ&T

ALÊ OLIVEIRA/DPZ&T

O publicitário e CEO da DPZ&T, Eduardo Simon, na agência: público quer se emocionar vendo TV - ALÊ OLIVEIRA/DPZ&T

O publicitário e CEO da DPZ&T, Eduardo Simon, na agência: público quer se emocionar vendo TV

RUI DANTAS - Publicado em 17/10/2018, às 05h58

Eduardo Simon, CEO da DPZ&T, uma das cinco mais importantes agências de publicidade do Brasil, afirma que o hábito de ver televisão mudou. Para o publicitário de 42 anos, contrariando previsões pessimistas de que perderia audiência, a TV aberta vem concentrando ainda mais público em alguns tipos específicos de programação, como novelas e futebol. "São programas que causam emoções e que as pessoas querem ver juntas, para comentar e compartilhar seus sentimentos", analisa.

Na visão de Simon, a TV aberta vem ampliando sua relevância nas campanhas publicitárias. Esse movimento é o oposto do que esperavam seus críticos há cerca de duas décadas. 

"As audiências estão maiores em programas cujo consumo deve ser imediato, o que é o caso do futebol, do jornalismo, de shows e novelas, e isso ainda funciona para a publicidade", explica. "Uma prova é que, nos últimos três, anos o público de futebol na TV vem crescendo consistentemente."

O publicitário, no entanto, admite que os meios digitais trouxeram uma avalanche de transformações no cenário da publicidade. A maior delas é a facilidade com que atualmente as marcas dialogam diretamente com o público, sem somente promover um monólogo com ele, como as propagandas faziam antigamente.

"Hoje as marcas falam, os consumidores reagem, e elas respondem", afirma Simon. "E então convidam outras marcas para participarem da conversa, o que torna a dinâmica totalmente diferente", analisa.

É o caso da recente campanha desenvolvida pela agência simultaneamente para as marcas Renault e McDonald's, estrelada pela cantora Anitta. A ação publicitária incluiu uma promoção via internet, com alta adesão do público.

reprodução/tv globo

Marieta Severo como a personagem Sophia, em O Outro Lado do Paraíso: emoção em alta 

O publicitário diz que a audiência agora procura na TV algo que o digital não consegue oferecer. De acordo com Simon, isso está relacionado à emoção.

"É praticamente impossível se emocionar assistindo a um filme ou a uma série num aplicativo de celular: seria só um quebra-galho", diz. "Esse hábito clássico de a gente rir e chorar vendo algum programa na tela grande, compartilhando esse sentimento com alguém, vai continuar por um bom tempo."

As emissoras, assim, deixarão cada vez mais de ser apenas os canais com que o público se acostumou para se tornarem grandes produtoras de conteúdos. "Ou distribuidores dessa emoção que eu citei", aponta o executivo.

Nesse contexto, por um bom tempo a TV aberta será fortemente patrocinada pela publicidade e por anunciantes. Para Simon, a mídia que sofrerá grandes mudanças com a chegada das plataformas de streaming e on demand é a TV paga.

"Se posso a qualquer hora ver uma série, por que vou me submeter à grade de uma TV paga? Além disso, há os custos de cobertura das operadoras desses canais pagos que são enormes, o que dificulta o negócio em si."

Mas a TV aberta, reflete o CEO, já entendeu seu novo caminho. "A Globo está sendo muito hábil nessa transformação de papéis, e a própria Record vem se tornando um player importante de novelas", comenta. "Num curto ambiente de tempo, não vai mudar a forma das pessoas de consumirem televisão." 

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