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COLUNA DE MÍDIA

Âncoras da Jovem Pan fazem publicidade para o governo Bolsonaro

Reprodução Jovem Pan News

O jornalista Bruno Meyer, da Joven pan

Bruno Meyer, da Jovem Pan; canal usa seus jornalistas para falarem a favor de Bolsonaro na TV

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 25/6/2022 - 14h00

Se a Jovem Pan News ainda tinha algum pudor na cobertura eleitoral a favor de Bolsonaro, parece tê-lo perdido. Na última sexta-feira (24), o canal transmitiu ao vivo no Morning Show o discurso do presidente Bolsonaro entregando casas populares na Paraíba. 

Durante o especial Tá Explicado, a jornalista Kallyna Sabino fez um longo editorial sobre o Auxílio Brasil, enaltecendo os benefícios do programa. "O Auxílio Brasil é o maior programa de transferência de renda do país. Ele garante um benefício de no mínimo R$ 400 todo o mês para ajudar a pôr comida na mesa de quem precisa", disse Kallyna.

A apresentadora seguiu enaltecendo os benefícios do programa. Disse que o programa é permanente durante até dois anos mesmo para quem conseguir um emprego. Enquanto a jornalista falava, uma imagem do cartão e as cores verde e amarelo preenchiam o cenário ao fundo. As cores são as mesmas usadas na campanha de Bolsonaro. A jornalista disse ainda que o Auxílio Brasil "é o Governo Federal cuidando para que o dinheiro vá para o lugar certo".

Programa Casa Verde e Amarela

Já Bruno Meyer entrou no ar falando do Programa Casa Verde e Amarela: "O sonho de cada brasileiro era ter uma casa própria, e antes isso era muito difícil realizar esse sonho. Mas agora o negócio ficou bem mais fácil. Agora dá, minha gente! O Governo Federal sabe o quanto a casa própria é importante para você e por isso elaborou o melhor programa habitacional que o Brasil já teve, é o Casa Verde e Amarela".

Em tom de anúncio publicitário, o jornalista do canal afirmou que "foi tudo bem planejado, tudo bem pensado, para que todo brasileiro possa ter o seu lar. Para você ter uma ideia, o Casa Verde e Amarela oferece os melhores juros da história. Eu vou repetir, são os melhores juros da história [...] e, para famílias que vivem no Norte e no Nordeste, o programa oferece condições de juros ainda mais especiais". 

"É ou não é o melhor programa habitacional que o Brasil já teve? Eu não preciso nem responder, né?", disse e concluiu ressaltando ser um programa do Governo Federal.

Se o espaço era comercial ou foi "comprado" pelo governo, a emissora não informou aos espectadores.

Queda nas pesquisas

O alinhamento da Jovem Pan com o governo Bolsonaro não é novidade. A proximidade tem sido rentável para o grupo. Como revelado em primeira mão pelo Notícias da TV,  os resultados financeiros da empresa têm sido acima da média do mercado, o público fiel a Bolsonaro tem dado uma boa posição no Ibope da TV fechada para o novo canal do grupo, e principalmente empresários apoiadores do bolsonarismo têm investido no horário comercial da emissora.

Mas diante dos números das pesquisas que parecem apontar para uma iminente queda do atual governo nas próximas eleições e com a intensificação das denúncias em torno do ex-Ministro da Educação Milton Ribeiro, preso preventivamente na quarta-feira (22), a Jovem Pan parece definitivamente abrir mão do discurso de imparcialidade e ir para o tudo ou nada.

Risco para a Jovem Pan

Conforme indica o site do Tribunal Superior Eleitoral, "a Resolução TSE nº 23.610, além de trazer novidades sobre o uso da internet por candidatos e partidos políticos, também definiu parâmetros para a realização de debates entre postulantes a cargos eletivos e a veiculação de propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de rádio e televisão".

Pela resolução, "a partir de 30 de junho de 2022, é vedada a transmissão de programa apresentado ou comentado por pré-candidata ou pré-candidato". Ou seja, a Jovem Pan usou seu espaço para transmitir ao vivo o discurso de Bolsonaro às vésperas da entrada em vigor das regras eleitorais. 

Ainda segundo o texto da resolução, "também não é permitido dar tratamento privilegiado a determinada candidatura, legenda, federação ou coligação e veicular filmes, novelas e qualquer tipo de programa que faça alusão ou crítica aos participantes da eleição". A Jovem Pan não se enquadraria na regra em vista de seus recentes conteúdos a favor do governo. 

Mas é um risco. Segundo o TSE, é permitido falar dos candidatos quando "ocorre em programas jornalísticos ou debates políticos. Ainda de acordo com o normativo, o convite a candidatas e candidatos mais bem colocados nas pesquisas para participar de entrevistas não configura, por si só, tratamento privilegiado, desde que não haja abuso nem excessos".

Ou seja, a Jovem Pan poderá ter Bolsonaro em seus programas jornalísticos e se o tratamento é privilegiado ou se há abusos e excessos será uma questão de interpretação.

Se a Jovem Pan ainda fazia algum esforço para manter um verniz de imparcialidade, ao falar tão abertamente dos programas mais populares do governo e usando seus próprios jornalistas para isso, ela jogou a toalha e partiu para o tudo ou nada. 


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