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SABÁ DAS BRUXAS

Vale a pena ver Silenciadas, filme falado em euskera que virou mania na Netflix?

REPRODUÇÃO/NETFLIX

A atriz Amaia Aberasturi com uma veste branca, com os cabelos longos e castanhos na frente da metade esquerda do rosto, ergus os braços diante de uma fogueira como Ana em cena de Silenciadas

Ana (Amaia Aberasturi) arma ritual satânico para enganar inquisidores em Silenciadas, a Netflix

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 20/3/2021 - 7h00

Uma aposta arriscada da Netflix, Silenciadas (2020) se tornou um dos três filmes mais vistos pelos brasileiros no serviço de streaming no último fim de semana. Um feito e tanto para uma produção falada em euskera, língua que intriga os pesquisadores há séculos por não ter relação com qualquer outro idioma --e que soa ainda mais misteriosa ao ser entoada pelas bruxas da história.

Ambientada no século 16, a história acompanha o juiz Rostegui (Alex Brendemühl), designado pela Inquisição para investigar um clã de bruxas no País Basco, no extremo norte da Espanha. Ele prende e julga sumariamente seis jovens por participarem de uma seita satânica na região, em uma demonstração de poder da Coroa para conter as revoltas locais.

Ana (Amaia Aberasturi) convence as prisioneiras a fingirem que realmente são feiticeiras a fim de postergarem a execução na fogueira. Elas prometem mostrar ao inquisidor todos os passos para invocar Lúcifer, mas precisam esperar até a lua cheia --justamente quando os homens de sua aldeia voltam de uma temporada em alto-mar e, enfim, podem dar por falta das meninas.

A narrativa fica ainda mais intrincada por ser baseada em eventos reais romanceados no livro A Feiticeira, escrito por Jules Michelet (1798-1874). O diretor Pablo Agüero, no entanto, dá ainda mais veracidade ao colocar suas protagonistas para conversarem em euskera entre si.

A sonoridade única produz um estranhamento no telespectador, que se questiona se aquela língua realmente existe ou se é apenas uma invenção das jovens para enganar Rostegui. Aos poucos, a dúvida também se estende para o comportamento ambíguo das meninas: elas são bruxas realmente ou tudo não passa de uma alucinação coletiva?

O euskera serve para delimitar todas as dicotomias do filme, que vão muito além de bem e mal, cristianismo e paganismo, Deus e o diabo. Ele também tensiona a atração sexual entre o magistrado, que não entende uma só palavra e se comunica apenas em espanhol, e Ana --que abraça a imagem estereotipada da "selvagem" para seduzi-lo e escapar da morte horrenda.

Agüero, nas entrelinhas, também evoca o conflito dos bascos com o governo central de Madri em busca de independência, que se arrasta durante séculos e atingiu o seu ápice durante a o governo de Francisco Franco (1892-1975). O ditador proibiu o ensino da língua e baniu os seus falantes das ruas em uma, sem o perdão do trocadilho, "caça às bruxas".

A repressão levou à formação do grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade), cujos atentados coincidentemente permeiam a minissérie Pátria (2020), da HBO. A produção também se passa em território basco, mas, ao contrário do conteúdo da Netflix, é inteiramente falada em espanhol --de olho em um mercado muito maior do que os "parcos" 700 mil falantes de euskera.


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