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CRÍTICA

Não Olhe para Cima: Sátira da Netflix ironiza negacionismo de Trump e Bolsonaro

Divulgação/Netflix

Meryl Streep fala em cima de um palanque em cena do filme Não Olhe Para Cima

Meryl Streep interpreta uma presidente negacionista em Não Olhe para Cima, novo filme da Netflix

ANDRÉ ZULIANI

andre@noticiasdatv.com

Publicado em 24/12/2021 - 6h30

Um dos maiores lançamentos do ano da Netflix, Não Olhe para Cima (2021) é o tipo de "filme evento" que dificilmente vai agradar a gregos e troianos. Com um elenco recheado de estrelas, a produção escrita e dirigida por Adam McKay (Vice) é uma sátira que ironiza o negacionismo característicos de políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro.

O método para fazer humor com ideias tão maléficas para a humanidade é colocar na equação um apocalipse inevitável: em vez de uma pandemia como a da Covid-19, o longa mostra um meteoro de proporções gigantescas que está em rota de colisão com a Terra.

Descobertas pelos cientistas Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e Randall Mindy (Leonardo DiCaprio), a existência do meteoro e a sua iminente viagem à Terra deveriam ser o bastante para colocar o mundo em colapso. Deveriam, mas não é o que acontecesse.

Ao buscar a ajuda de um importante cientista da Nasa (Rob Morgan), a dupla consegue marcar um encontro com a presidenta Orlean (Meryl Streep). Depois de tomarem chá de cadeira da comandante dos Estados Unidos, eles só encontram descrença e deboche quando finalmente são recebidos.

DIVULGAÇÃO/NETFLIX

Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio e Rob Morgan

Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio e Rob Morgan

A reunião entre as partes é tão cômica quanto trágica. Orlean faz o tipo negacionista de Trump e Bolsonaro, que optaram por desacreditar na ciência para defender as próprias crenças absurdas. Unem-se a eles uma multidão de pessoas com os mesmos ideais, e qualquer chance de evitar o apocalipse começa a ir para o espaço.

Potencializado com ironias, o texto de McKay não deixa nenhum aspecto importante desta sátira de fora. Além dos políticos e cidadãos negacionistas, há a imprensa complacente com certas narrativas e os aproveitadores de plantão, que abusam da falta de tato de Kate e Randall para desmoralizar suas recomendações.

O próprio Randall representa uma parte da classe científica que se deixa levar por poder e "status" e acaba reforçando as perigosas decisões tomadas pela presidenta. No caso da personagem de Meryl Streep, as comparações com políticos como Bolsonaro é ainda mais inevitável, já que seu chefe de gabinete é ninguém menos do que Jason Orlean (Jonah Hill), seu filho.

Como desgraça pouca é bobagem, surge ainda Peter Irsherwell (Mark Rylance), bilionário da tecnologia nos moldes de Elon Musk (criador da Tesla) que se lança como salvador da pátria mas, no fundo, só quer priorizar os próprios interesses --e lucros.

Não Olhe para Cima é um filme que busca rir do apocalipse, já que não dá para evitá-lo. Se fosse possível escolher a moral da história, uma descrição seria: humanos são estúpidos e quase nunca concordam em nada, mesmo que sua sobrevivência dependa disso.

Assista ao trailer de Não Olhe para Cima:


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