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CORONAVÍRUS

Após agressões, Globo proíbe repórter ao vivo em local público e em cemitério

Reprodução/TV Globo

O repórter Filipe Gonçalves em entrada ao vivo no Bom Dia SP de ontem diretamente do saguão da Globo

O repórter Filipe Gonçalves em entrada ao vivo no Bom Dia SP de ontem diretamente do saguão da Globo

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 25/4/2020 - 4h58
Atualizado em 25/4/2020 - 7h23

Após vários incidentes envolvendo seus repórteres e eleitores do presidente Jair Bolsonaro, a Globo proibiu entradas ao vivo em telejornais diretamente de locais abertos, onde transeuntes possam xingar a emissora e até agredir seus profissionais. Agora, só são permitidos links com a presença de seguranças, que têm de ser solicitados com pelo menos três horas de antecedência, para dar tempo de montar uma equipe.

A medida está em vigor em São Paulo, Rio e Brasília desde a última segunda-feira (20). Desde então, os links só têm sido realizados em locais de acesso restrito, como salas, jardins e estacionamentos ou áreas de prédios controladas por seguranças.

Em São Paulo, a maioria das entradas ao vivo de repórteres têm sido diretamente do saguão do edifício da própria emissora, no Brooklin, na zona sul. No Jornal Hoje de ontem (24), o repórter Guilherme Peixoto fez uma passagem de uma reportagem sobre coronavírus no estúdio do Bom Dia Brasil, no Rio de Janeiro --ou seja, ele não foi para a rua para fazer nenhuma apuração.

A cúpula do Jornalismo da Globo também proibiu expressamente seus repórteres e produtores de entrarem em hospitais, delegacias e cemitérios. Isso tem empobrecido o trabalho do jornalista, que muitas vezes não tem o que mostrar ou precisa recorrer a terceiros para obter imagens, feitas com celulares, de corredores de hospitais, por exemplo.

As normas visam proteger os próprios funcionários, que também têm recebido máscaras e kits de higienização de microfones e computadores. Até ontem à noite, as empresas do Grupo Globo contabilizavam 99 casos de novo coronavírus, sem nenhuma morte. Desses, 11 já voltaram ao trabalho.

Em março, como medida preventiva, a emissora suspendeu as gravações de 14  novelas e séries e da maioria dos programas de entretenimento. O Jornalismo, contudo, continuou a todo vapor, mesmo com o afastamento das redações de profissionais com mais de 60 anos.


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