Edmilson Barros

Engenheiro, ator de Cordel Encantado conciliou novela com plataforma de petróleo

Reprodução/Facebook

O ator Edmilson Barros, que está no ar na reprise de Cordel Encantado no Vale a Pena Ver de Novo - Reprodução/Facebook

O ator Edmilson Barros, que está no ar na reprise de Cordel Encantado no Vale a Pena Ver de Novo

FERNANDA LOPES - Publicado em 27/01/2019, às 07h10

As profissões de engenheiro elétrico e ator não têm nada a ver uma com a outra, certo? Errado. No ar em Cordel Encantado, novo título da sessão Vale a Pena Ver de Novo, Edmilson Barros conseguiu em 2011 conciliar o trabalho na Globo com suas funções na Petrobras, empresa da qual foi funcionário durante 28 anos.

O ator conta que veio de uma família humilde no Recife e sempre entendeu que o estudo era uma forma de crescer na vida. Na adolescência, decidiu fazer faculdade de Engenharia e, durante o curso, frequentou aulas de teatro. Nunca mais largou nenhuma das duas áreas. 

"Minha turma gostava muito de arte, um amigo me chamou pra entrar num grupo de teatro. Entrei e continuei até hoje. Mas não queria abrir mão da Engenharia, do salário certo no fim do mês, e o trabalho é uma coisa de que eu gosto. Acho que temos muitos talentos dentro da gente, só não temos tempo de vida suficiente pra botar pra fora todos eles", explica.

Em 1989, ele passou num concurso para trabalhar na Petrobras em Salvador, e lá se inseriu na cena de teatro. Atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, por exemplo, até ser convidado para fazer uma peça no Rio, em 2002. Conseguiu transferência para uma unidade da Petrobras no Estado e se mudou.

No Rio de Janeiro, Barros conta que o mercado artístico se abriu mais, e logo foi convidado para fazer TV. Estreou na Globo em 2003, em Carga Pesada, e daí para frente se desdobrou para conciliar os trabalhos na emissora e na Petrobras.

Reprodução/Globo

Barros e Cristiane Amorim em Cordel Encantado

"Se tinha que fazer algum projeto na plataforma, cada dia embarcado vale um dia e meio de folga. Passava 14 dias na plataforma e 21 dias em terra", conta Barros.

O ator diz que não usava seus dias de folga para descansar, mas guardava todos em seu banco de horas e usava o tempo livre para trabalhar na Globo.

"Eu tinha uma disciplina ferrenha. Se eu tirasse folga [para viajar] e depois aparecesse uma novela e eu não pudesse fazer, entraria em depressão. Tinha que ter essa rigidez. Era um preço alto, mas eu acho que era mais barato do que o que eu vejo meus amigos passando, [com dificuldades] pra depender só do trabalho como ator. Eu não tinha cabeça pra passar por isso", comenta.

De 2003 a 2017, Barros atuou em 25 produções na Globo nesse esquema, aproveitando os dias de folgas, férias e as horas vagas para ir para a emissora. Fez novelas como Da Cor do Pecado (2004), A Favorita (2008) e A Vida da Gente (2011).

Em Cordel Encantado, no ar desde o dia 14, ele interpretou Ademar, parte do núcleo de humor que cuidava do cinema da cidade de Brogodó. "Era uma delícia, uma novela muito legal. A gente não esperava que fosse fazer tanto sucesso, mas logo nas primeiras semanas todo mundo já elogiava. A gente se divertia muito", lembra.

reprodução/tv Globo

Edmilson Barros em cena de Pega Pega (2017); ele interpretou o malandro Aníbal na novela

Celebridade da firma e aposentadoria
A última novela que Barros fez, se dividindo entre as duas empresas, foi Pega Pega (2017). Ele conta que, sempre que estava aparecendo na TV em alguma produção, virava celebridade e ganhava uma simpatia extra dos colegas. 

"Eu percebi uma tendência ao comportamento de fã. Tive muitas portas abertas, quando eu precisava de alguma coisa, os colegas tinham a maior boa vontade de fazer para 'o ator'. Facilitava. Hoje eu agradeço a Deus por não ter desistido de nenhuma carreira. As duas me deram coisas muito boas", afirma.

Por tempo de serviço, Barros se aposentou da Petrobras em 2017. Fez três filmes no ano passado e, como se duas carreiras já não fossem o bastante, decidiu partir para a terceira. Ele faz faculdade de História no Rio de Janeiro e deve se formar no fim deste ano. Os planos do ator/engenheiro/historiador agora são esperar convites, com esperança de voltar à TV, e investir em estudos para um mestrado acadêmico.

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