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NOVA OPRESSÃO?

Mel Maia desiste de transição capilar e cria discussão sobre ditadura às avessas

Reprodução/Instagram

Mel Maia de blusa quadriculada, decotada, e com a mão no cabelo comprido e alisado

A atriz Mel Maia se sente bonita com o cabelo alisado, mas quer tentar transição capilar novamente

MARÍLIA BARBOSA

marilia@noticiasdatv.com

Publicado em 8/11/2020 - 6h50

Mel Maia aderiu à transição capilar no ano em que diversas artistas apostaram no procedimento que elimina as químicas do cabelo. Entretanto, ela não gostou do resultado e voltou ao alisamento. Apesar de desistir do movimento, a atriz tentará usar os fios cacheados mais uma vez. A decisão da jovem levantou uma discussão sobre a criação de uma nova ditadura da beleza --desta vez, às avessas.

Isso porque a atual moda caminha para se tornar um novo padrão estético opressor, no qual as mulheres se sentem mal por não aderirem à mudança. Elas querem se parecer com as outras mulheres mesmo depois de não se adequarem à determinada imposição. O que era para tornar a mulher dona da própria beleza vira mais um modelo a ser seguido. 

Aos seguidores nas redes sociais, Mel disse que os fios em sua forma natural a deixaram cabisbaixa. "Meu cabelo não é liso natural, é cacheado. Faço química [para alisá-los]. Tentei fazer a transição, mas minha autoestima caiu muito. [Mas] Me arrependo de ter desistido. Mais para a frente, vou tentar novamente", afirmou.

A declaração da eterna intérprete de Rita, de Avenida Brasil (2012), reforça a ideia de que as pessoas não podem escolher o tipo de penteado que as faz se sentirem bem. A psicóloga Adriana Cabana, integrante do Grupo Prontobaby, afirmou que no caso da adolescente, atualmente com 16 anos, a procura por uma beleza perfeita e padronizada é ainda mais preocupante.

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Mel debateu: fios lisos ou cacheados?

"A cultura da beleza pode trazer muita angústia ao jovem, principalmente quando sua aparência não consegue corresponder à própria expectativa. Querer ter um cabelo liso, tentar voltar a seu cabelo natural, faz parte. O que devemos nos atentar é se as experiências vêm acompanhadas de angústia e sofrimento, pois aí sim podem mostrar que algo não vai bem", explica ela ao Notícias da TV.

"Os jovens irão experimentar diversas aparências ao longo de sua adolescência até encontrarem aquela com que mais se identificam. É importante passar por essas fases de modo tranquilo, e não como uma obrigação. Quem nunca quis mudar sua aparência e se arrependeu depois? As frustrações fazem parte das nossas escolhas", pondera Adriana.

Já a cosmetóloga Heloisa Olivan, do Instituto Olivan, nega que a tendência seja um novo tipo de opressão. Segundo ela, a transição chegou para reconectar às pessoas a suas identidades.

"Eu não chamaria de pressão, mas sim de evidências que só começaram a aparecer após anos de químicas no cabelo, alterando até a percepção da imagem. Muitas vezes a pessoa nem lembra como era a sua imagem antes de iniciar os alisamentos ou outras químicas. Por isso, a mudança para os fios naturais é uma descoberta que vai além do que se vê no espelho", argumenta.

A bioquímica afirma também que as mulheres sofrem até hoje com problemas capilares por abusarem de tratamentos para alisar os fios. E a chegada da transição fez com que algumas delas se sentissem mais bonitas.

"Após anos de alisamentos frequentes, estamos colhendo os resultados: couro cabeludo excessivamente oleoso, descamativo e inflamado. Estes fatores, somados ao isolamento social da quarentena, trouxeram questionamentos de autoaceitação, amor próprio e conquista de uma beleza mais natural", frisa.

Alternativas

Entretanto, Heloisa dá algumas dicas sobre como olhar o cabelo com mais carinho durante o processo de transição, para que não aconteçam desistências no meio do caminho, como foi o caso de Mel Maia.

"Uma das formas de amenizar essa dificuldade é aprender a modelar o cabelo através da texturização. O objetivo é harmonizar a raiz cacheada e as madeixas alisadas, utilizando produtos que ativem e definam os cachos, criando um visual mais harmônico", pontua ela, que aconselha também o uso de tranças, coques, lenços e turbantes para disfarçar as imperfeições dos fios.

Influência das artistas

Juliana Paes, Maisa Silva, Bruna Marquezine, Carol Macedo, Kéfera Buchmann e outras celebridades já aderiram ao processo de transição capilar. Porém, é importante destacar que nem sempre é possível seguir as dicas das artistas, principalmente pelo preço elevado dos cosméticos que elas costumam usar. Algumas delas, inclusive, apostam em produtos de marcas internacionais.

Por isso, Heloisa Olivan destaca algumas alternativas para quem quer aderir à transição capilar sem precisar apostar nos produtos caros, geralmente utilizados pelas artistas.

"Óleos vegetais e essenciais são opções excepcionais para a saúde dos cabelos e têm preços muito convidativos, além de um bom rendimento. É bem fácil comprar esses ingredientes cheios de benefícios, tanto online quanto em lojas de produtos naturais", indica. "No entanto, fique atenta quanto à procedência. O interesse é nos óleos puros", alerta.

A atriz Juliana Paes aderiu à transição capilar na quarentena (Reprodução/Instagram)

Algumas opções que devem fazer parte do arsenal de cuidados para hidratação e umectação incluem: o óleo vegetal de abacate, rico em vitamina E, que tem atividade antioxidante, anti-inflamatória e bactericida; e o óleo vegetal de jojoba, que contém vitaminas E, A, B1 e B2. 

Ela ainda indica óleos essenciais para complementar o processo. "Eles enriquecem ainda mais o ritual de cuidados capilares e estimula o crescimento dos fios, acelerando o período da transição capilar. São substâncias aromáticas voláteis e altamente concentradas. No geral, para cada 5 ml de óleo vegetal utiliza-se uma gota de óleo essencial."

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