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Conservadores, Bolsonaro e Vai Dar Namoro são o Brasil dos anos 2000; entenda

LUIZA LEÃO E GABRIEL VAQUER

luiza@noticiasdatv.com

Publicado em 8/5/2022 - 6h15

Ressuscitado do baú da Record após quase dez anos fora do ar, o quadro Vai Dar Namoro, por incrível que pareça, tem muito a ver com o governo do presidente Jair Bolsonaro: ambos têm um forte viés conservador. A atração engavetada em 2013 apresenta elementos que pouco dialogam com o mundo atual: ignora o machismo e o preconceito a pessoas com nanismo. É como o Brasil dos anos 2000, em que não havia espaço para o "politicamente correto".

"O mundo moderno foi desmanchando tradições, referências, passou a ser muito fluido. E a verdade é que esse mundo líquido assusta. Por isso a gente está vendo no século 21 uma espécie de puxada de freio de mão, um retorno às referências que parecem mais sólidas. Isso vai valer também para a ideia de reavivar o Vai Dar Namoro. Num mundo com tantas possibilidades, eu posso voltar a assistir a um programa que soa familiar", explica o psicanalista e professor da ESPM Pedro de Santi.

Em Vai Dar Namoro, mulheres têm a opção de encontrar um namorado no palco do apresentador Rodrigo Faro e escolher ter uma conversa --ou até algo mais-- com o eleito, que antes de ser visto pessoalmente é mostrado em um "cardápio humano". Caso o candidato não seja escolhido ao vivo, ele vai direto para o Titanic, em que fica em uma espécie de banho-maria até que uma mulher arrependida o resgate. 

Para o especialista, o retorno do quadro do programa Hora do Faro ilustra um anseio menos civilizado da população brasileira que assiste a televisão e não tolera discursos polidos. Essa mesma parcela se identifica com o atual chefe do Executivo nacional, que em seu discurso de posse, em 1º de janeiro de 2019, afirmou:

Me coloco diante de toda a nação, neste dia, como o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto.

"Este presidente representa camadas da população que a gente não achava que existiam mais, mas a quem ele veio dar voz novamente. São poderosas economicamente, representativas economicamente. O presidente que diz: 'Acabou o politicamente correto', ele representa um anseio menos civilizado da população. O politicamente correto exige um certo grau de elaboração e civilidade que se distancia da massa", analisa o psicanalista.

De Santi ainda disseca as características do Vai Dar Namoro para comparar o quadro com a sociedade, que está em resgate aos valores dos anos 2000, bem mais conservadores que os atuais.

"Tem um elemento presente ali que é circense. A questão da degradação pública, das pessoas, dos convidados, os candidatos... O Faro tira muito sarro dos caras e tira sarro das meninas também. As pessoas adoram uma espécie de 'circo pegando fogo', uma arena em que coisas de alguma forma agressivas acontecem. A gente não gosta de admitir isso. Mas isso dá muita audiência", detalha o especialista.

Audiência

Apesar da tentativa de fazer Rodrigo Faro bombar com o retorno do Vai Dar Namoro e sair de um mar de azar na emissora de Edir Macedo, os números mostram que o apresentador ainda patina na audiência. Em quatro domingos, ele conquistou 5,8 pontos de média no Ibope. 

A estratégia pode não ter dado 100% certo para atrair o telespectador para a televisão. Contudo, o Vai Dar Namoro está na boca do povo: principalmente dos mais jovens. Trechos têm bombado no TikTok, e Casimiro acumulou milhares de visualizações ao reagir ao quadro em suas lives e no canal do YouTube.

"Eu posso reproduzir no TikTok, encaminhar para várias pessoas assistirem dando risada, como se eu não gostasse. Mas eu preciso dessa autorização do Casimiro, do TikTok para eu colocar em um ambiente onde eu mesmo me autorizo a curtir e compartilhar. Então essa foi uma grande sacada: melhor do que passar na TV é ele ter conseguido ser traduzido para essa linguagem que fala com o ambiente jovem hoje", opina o professor Pedro de Santi.


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