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NOVELA DA MANCHETE

25 anos depois, Taís Araujo quer remake de Xica da Silva: 'Não foi retratada como devia'

REPRODUÇÃO/MANCHETE

Zezé Motta e Taís Araujo juntas, com roupas de pano e interpretando mãe e filha em uma novela

Zezé Motta e Taís Araujo na novela Xica da Silva (1996): trama da Manchete completa 25 anos de estreia

GABRIEL VAQUER, colunista

vaquer@noticiasdatv.com

Publicado em 3/10/2021 - 7h00

Taís Araujo está pronta para ver uma nova versão de Xica da Silva (1996), uma das novelas mais lembradas dos anos 1990 e que completa 25 anos de sua estreia na extinta Manchete (1983-1999). Marcada até hoje por ter dado vida à protagonista, a atriz analisa o folhetim com os olhos de hoje e reconhece que sua produção, da maneira que ocorreu, só poderia ter sido feita naquela época.

Ao Notícias da TV, Taís revela que quer recontar a história da mulher negra que escandalizou a sociedade ao se casar com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira no auge do Brasil Colonial. Para ela, a história de Xica não foi explorada de forma fiel ao que era, de fato, a personagem histórica.

A artista de 42 anos tinha apenas 17 quando foi escalada para a personagem icônica e virou uma grande estrela da TV da noite para o dia. Pelo trabalho, ganhou o Troféu Imprensa de revelação de 1997. O furor sobre ela foi tão grande que houve muita propaganda para a sua primeira cena de nudez, que aconteceu no dia que ela completou 18 anos, em 28 de novembro de 1996.

Mesmo com o inegável exagero em algumas cenas do folhetim, Taís Araujo é carinhosa e respeitosa quando fala da novela. Escrita por Walcyr Carrasco (com o pseudônimo Adamo Angel) e dirigida por Walter Avancini (1935-2001), Xica da Silva mudou o patamar da atriz na carreira e a fez ganhar um contrato com a Globo logo em seguida --emissora em que está até hoje e ficará pelo menos até 2024, de acordo com a recente renovação contratual.

Até os dias de hoje, a novela tem muitos críticos. Historiadores reclamam da maneira como Xica da Silva foi retratada. Outros acham as cenas de nudez, sexo e violência pesadas demais.

"Eu tenho muita vontade de recontar essa história, sabe? Para a gente olhar para a Xica como ela merece. Acho que ela foi uma mulher articuladora, uma mulher muito política, uma mulher bastante inteligente. Ela nunca foi retratada dessa maneira como merecia ser, como devia", analisa Taís.

Confira a entrevista completa:

Notícias da TV - Quando você estreou em Xica da Silva, em setembro de 1996, você vinha de um trabalho menor em Tocaia Grande, sua primeira novela na carreira, que também foi produzida pela Manchete. Como você chegou nesse papel?
Taís Araujo - Na verdade, eu fazia uma peça de teatro em um teatro infantil chamada Procura-se Amigo, que era dirigida por uma atriz chamada Kátia D'Angelo. E ela conhecia o Régis Cardoso (1934-2005), que era diretor da Manchete na época. E aí ela me falou: "Olha, eles vão fazer uma novela baseada em um livro de Jorge Amado [1912-2001]". Ela disse que iria me levar lá e me levou. Fiz um teste e entrei para Tocaia Grande. E na sequência, o Walter Avancini, que conhecia meu trabalho, me chamou para fazer Xica da Silva.

Vendo Xica da Silva aos olhos de hoje, a novela tem um teor muito forte, e muita gente considera inacreditável que ela tenha sido produzida. Como você vê a obra? De fato, ela tinha alguns pontos que só seriam possíveis numa época vale tudo como foram os anos 1990?
Ah, sem dúvida nenhuma. Xica da Silva tem um olhar muito 1990, né? Sobre a mulher e sobre a mulher negra, sobretudo. Eu tenho muita vontade de recontar essa história, sabe? A gente olhar para a Xica como ela merece. Acho que ela foi uma mulher articuladora, uma mulher muito política, uma mulher bastante inteligente. Ela nunca foi retratada dessa maneira como merecia ser, como devia.

Então você acha que um remake de Xica da Silva --como vai acontecer com Pantanal e Dona Beija-- seria bem-vindo? Você apoiaria?
Sim, eu acho acho que seria muito legal. Eu apoiaria um remake de Xica.

Quem foi sua referência para o tom que você adotou em Xica na época? Você contracenou com a Zezé Motta, que fez o filme clássico de Cacá Diegues como a personagem-título... É por aí?
Engraçado... Como tinha o Walter Avancini como diretor, ele me proibiu de ver o filme original que a Zezé Motta fez com o Cacá Diegues. Ele queria construir a Xica da Silva dele. Mas sem dúvida a Zezé Motta sempre foi uma grande referência. A Léa Garcia e a dona Ruth de Souza (1921-2019) foram as minhas referências e são até hoje, porque elas abriram o caminho para que eu pudesse trilhar.

Em um tom de brincadeira, você disse numa entrevista para o Lady Night, da Tatá Werneck, que as pessoas não sabiam o que era Manchete. Você finalizou Xica da Silva menos de dois anos antes de a TV fechar. Naquele momento, já era possível notar a dificuldade da TV? Tem gente que fez Brida, a última novela deles, que até hoje não recebeu, por exemplo...
A Manchete era muito menor que a Globo, né? Era muito menor. Era quase artesanal o processo, não tinha o esquema da Globo de fazer três ou quatro novelas por ano. Era uma novela a cada ano e quando era... Na Manchete, a gente já tinha esses problemas. Em Tocaia Grande, quando eu comecei, uma galera era contratada mas nunca começavam a gravar porque não tinha dinheiro para fazer. Mas ao mesmo tempo, era bem legal trabalhar lá.

Qual sua melhor lembrança de Xica da Silva? O que a novela te trouxe de mais positivo?
A novela me trouxe pessoas, né? No meu trabalho, a melhor coisa é a experiência de viver outras vidas e ter pessoas. Tem gente que eu trabalhei junto em Xica da Silva que está na minha vida até hoje, a maioria delas. E eu aprendi muito com o Walter Avancini, com a labuta do dia a dia de uma gravação de uma novela, de ser protagonista. Eu aprendi muito com essa novela.


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