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NOVOS TEMPOS

Supersalário, publicidade e influência: Como a saída de Faustão impacta a Globo?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Fausto Silva segura o microfone enquanto olha para o lado no palco do Domingão

Fausto Silva no comando do Domingão: saída do apresentador da Globo marca o fim de uma era

VINÍCIUS ANDRADE

vinicius@noticiasdatv.com

Publicado em 14/2/2021 - 7h15

Maior salário da televisão brasileira, Fausto Silva está em seu último ano como contratado da Globo. A partir de janeiro de 2022, a emissora ficará com um buraco na grade aos domingos pela primeira vez em 32 anos. Como substituir um programa e um apresentador que estão na história e representam uma era de sucesso de publicidade e influência?

O Notícias da TV conversou com Pedro Curi, coordenador de Cinema e Audiovisual na ESPM e doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. O professor aponta que Faustão tem um estilo cada vez mais raro.

"O Faustão é um tipo de apresentador que a gente quase não vê mais na televisão, que faz um tipo de programa que é um dos formatos mais antigos, inspirado no rádio, e abre espaço para um público muito grande. É um programa para toda a família, no domingo à tarde. Vem muito de uma origem da televisão para toda a família. De fato, isso acabou chamando muitos anunciantes", explica ele.

O domingo ainda é o dia dos programas de auditório na TV. O SBT tem Silvio Santos, Eliana e Celso Portiolli; a Record, Rodrigo Faro; e Fausto Silva é quem mantém essa tradição na Globo. O comandante do Domingão sempre construiu uma boa relação com anunciantes, o que ajudou a transformar o seu programa em um sucesso não só de audiência, mas também comercial.

Ao confirmar que não renovaria o contrato que acaba no fim deste ano, Fausto Silva falou à reportagem do Notícias da TV que "a Globo faturou bastante" com ele, o que é verdade. Além de ações de merchandising, o apresentador também foi o rosto de campanhas de grandes bancos e redes de varejo por ser considerando um "influenciador das antigas".

Só que o público e a publicidade vêm mudando nos últimos anos. Para Pedro Curi, a saída de Faustão representa, sim, uma perda para a Globo, mas o doutor em Comunicação defende que a emissora tem a chance de trazer público e anunciantes diferentes para o horário da família na TV.

"É possível pensar em uma programação de variedades, talvez ancorada por mais de uma pessoa, e apostar em apresentadores que têm uma grande penetração no digital, com seguidores nas redes sociais e uma presença em outros meios. O Faustão tem aquele público que é de TV aberta e não está se renovando muito, então é a oportunidade de renovar o público", afirma o coordenador da ESPM.

Atualmente, o Domingão do Faustão ocupa a faixa das 18h às 20h de domingo --perdeu uma hora no ano passado, após o fechamento dos estúdios pela pandemia, e não recuperou mais esse tempo. Em 2022, o horário pode ser ocupado até mesmo por quadros tradicionais da atração de Fausto Silva, como a Dança dos Famosos, mas em formato de temporadas.

"Uma solução seria dar mais autonomia para esses quadros, com patrocínio [pacote comercial próprio] e apostar em diferentes apresentadores, que trazem uma diversidade maior. O Faustão é um tremendo apresentador e como poucas pessoas consegue segurar um programa desse, mas em vez de ter um programa para toda a família com um apresentador para toda a família, que represente o 'chefe da família', você terá diferentes possibilidades, famílias e pessoas do Brasil representadas nos nichos", sugere Curi.

Fim dos supersalários

Nos últimos anos, uma das marcas da Globo, que fez um processo de unificação de todas as empresas do grupo, foi o enxugamento da folha salarial, que afetou contratos de atores, autores e executivos que estavam havia anos na emissora --além das demissões.

O apresentador do Domingão sempre "se pagou" e nunca representou um problema financeiro para a líder de audiência. Pelo contrário. Estima-se que Fausto Silva receba R$ 5 milhões por mês, uma cifra que representa uma era em que as TVs faziam altos investimentos para manter seus talentos ou tirar artistas de outras emissoras. Mas a realidade da televisão não é mais essa.

Na década de 1990, por exemplo, Silvio Santos pagou uma multa de R$ 43 milhões para tirar Ratinho da Record. Em 2009, a emissora de Edir Macedo ofereceu um salário de R$ 3,5 milhões para fazer Gugu Liberato (1959-2019) topar sair do SBT --depois, ele passou a negociar o contrato por temporada e recebia "apenas" R$ 250 mil de salário, além de merchans.

"Hoje se pensa numa lógica não só do merchandising, que é um pouco a lógica do Faustão na Globo. Além do salário fixo alto, ele tem também essa composição com o merchandising", começa Pedro Curi.

"A tendência é ter não só o merchandising do programa em si, mas na ideia de mostrar para determinados talentos e artistas que, ao estar presente e ter a oportunidade de se mostrar em um horário como o de domingo, eles vão ter a chance de nas redes deles e em outras plataformas se associarem às marcas e ganharem dinheiro também com isso", destaca o professor.

Ou seja, as emissoras entendem que não é necessário mais pagar um salário tão alto para manter um talento, mas sim oferecer uma possibilidade de "parceria" que inclui mostrar para o artista que ele tem chance de aumentar os ganhos com as redes sociais próprias se estiver no ar na televisão.

"Você continua pagando para a pessoa fazer o programa, mas ela entende que ela vai ganhar também com aquilo. É a lógica da sinergia. Eu vou trazer pra cá algo que faz sucesso e sai todo mundo ganhando mais do que se eu fosse o 'dono desse talento', tendo que 'prendê-lo' e pagar por ele. As emissoras começaram a observar que estão dando espaço para aquela pessoa também", opina Pedro Curi.


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