REAL DEMAIS

Mesa branca virtual e demissões: Como astros de reality sobrevivem à quarentena?

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

O médium Matt Fraser sorri forçadamente enquanto sua cliente, em uma tela de computador, chora desconsolada

O médium Matt Fraser, do reality Meet the Frasers, faz uma sessão virtual durante a quarentena

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 07/06/2020, às 06h05

A quarentena forçou emissoras de TV do mundo todo a paralisarem as gravações de seus programas. Astros de reality shows que se passam em oficinas de carros, lojas de antiguidades ou similares, porém, perderam em dobro o ganha-pão: eles não podem gravar novos episódios nem abrir seus estabelecimentos para o público. Assim, alguns tiveram de fazer demissões em massa. E um médium da TV apelou a consultas virtuais.

A "mesa branca online" é cortesia de Matt Fraser, estrela de Meet the Frasers (que estreia no E! nesta quarta, 10, às 22h). Enclausurado em sua casa em Rhode Island, a menor unidade federativa dos Estados Unidos, o médium teve de cancelar os eventos que fazia pelo país. Diante da plateia, costumava ver e ouvir pessoas mortas que tentavam se comunicar com algum dos presentes. Agora, é tudo pela web.

"A tecnologia nos ensinou que, mesmo socialmente separados, não precisamos ficar emocionalmente distantes. Estou fazendo leituras virtuais, me conectando com pessoas do mundo todo, que eu não teria a chance de conhecer pessoalmente. Já fiz sessões com gente da Irlanda, do Reino Unido, do Canadá, da Austrália... É como uma sessão normal, mas pela internet, achei incrível", conta ao Notícias da TV.

O próprio médium admite que não sabia se as consultas dariam certo sem ele estar fisicamente no mesmo ambiente que seus clientes. "Quando minha equipe sugeriu que eu fizesse as leituras online, eu hesitei. Não fazia ideia se o meu dom funcionaria assim, se eu conseguiria ver e ouvir mortos em outros países, por uma tela de computador. Mas algo fantástico aconteceu!", valoriza Fraser.

Depois do sucesso da primeira sessão, ele começou a fazer novas leituras virtuais toda semana. "Tanta gente tem recebido mensagens de seus entes queridos. Eu me sinto abençoado de poder usar minha habilidade dessa maneira. Sinto que meu chamado era trazer um pouco de paz às pessoas em um momento tão complicado."

reprodução/history

Rick Harrison, astro do Trato Feito, teve de fechar a loja de penhores e demitir 80% da equipe

A situação não é tão favorável para a loja de penhores Gold & Silver, cenário do reality Trato Feito (que tem episódios inéditos às segundas-feiras, 22h20, no History). Rick Harrison, dono do estabelecimento e astro do programa, viu seu negócio ser afetado em cheio pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

"Tive de dispensar muitos funcionários, quase 80% da equipe. E, mesmo agora que estamos começando a reabrir, não é a mesma coisa. O movimento da loja caiu de cerca de 3 mil clientes para uns cem por dia", lamenta ele.

O motivo principal para a queda é que a Gold & Silver Pawn Shop fica em Las Vegas, cidade conhecida por seus cassinos e hotéis milionários. "Vegas é um destino muito turístico. Se não tem turistas, não tem negócio. Estamos esperando essa loucura passar, e torço para que volte ao normal o quanto antes."

Ele, ao contrário de Fraser, não pode manter seu trabalho de avaliar antiguidades de maneira virtual. "Não tem como. Você precisa olhar os detalhes da peça, sentir o peso para ver se é de verdade ou uma falsificação. Infelizmente, não consigo fazer nada pela internet, tem que ser na mão mesmo", justifica Harrison.

reprodução/instagram

Danny Koker em um dos veículos clássicos que ele costumizou no programa Louco por Carros

Também localizada em Las Vegas, a oficina de customização de veículos Count's Kustoms, que aparece no reality Louco por Carros (do canal History), continuou funcionando durante a quarentena, com as portas fechadas.

"Reduzi a equipe, mas seguimos trabalhando em alguns projetos com toda a segurança possível, e até gravamos alguns episódios do programa. O que mudou foi que, aqui na oficina, antes nós fazíamos alguns tours gratuitos com fãs do programa, isso teve que parar por enquanto", admite Danny "o Conde" Koker, proprietário da Count's Kustoms e protagonista do reality.

"Mas eu tenho outros negócios aqui em Vegas também, um clube de rock, uma loja de tatuagem, um estúdio musical... Esses eu tive que fechar, muitos funcionários foram obrigados a pedir o auxílio-desemprego, é uma tristeza."

Neste fim de semana, com o afrouxamento da quarentena, Koker pôde reabrir seu clube de rock (o Count Vamp'd), mas com capacidade de clientes reduzida e sem apresentações ao vivo --uma decepção para o empresário, apaixonado por música.

Já a loja de tatuagens Count's Tattoo Company segue sem previsão de voltar a funcionar. "Ela fica dentro de um hotel-cassino [Rio All-Suite], que está fechado, então não foi liberada. Mas vamos dar passos pequenos, minha maior preocupação é que todos estejam seguros e saudáveis. Depois, tudo vai se ajeitando", ensina.

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Enquete

Qual é seu programa favorito gravado na quarentena?
Sinta-se em Casa, com Marcelo Adnet sempre criativo e afiado
10.15%
Diário de um Confinado, com retrato fiel do isolamento social
17.34%
Cada um no seu Quadrado, com suas dinâmicas divertidas
2.40%
Prefiro as reprises das novelas mesmo
70.11%

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